Processo surge depois de as autoridades do Estado no sudeste dos EUA terem revelado que o ChatGPT forneceu informações ao atirador sobre o horário e o local que maximizariam o número de vítimas no campus, bem como o tipo de arma e munições a utilizar.
A viúva de um homem que foi morto no tiroteio do ano passado na Universidade Estadual da Florida processou a OpenAI, criadora do ChatGPT, acusando o 'chatbot' de inteligência artificial (IA) de fornecer orientações sobre como realizar o ataque.
O processo surge depois de as autoridades do Estado no sudeste dos EUA terem revelado que o ChatGPT forneceu informações ao atirador sobre o horário e o local que maximizariam o número de vítimas no campus, bem como o tipo de arma e munições a utilizar.
As autoridades afirmam que também lhe foi dito que um ataque poderia atrair mais atenção dos media se estivessem envolvidas crianças, noticiou esta terça-feira a agência Associated Press (AP).
"A OpenAI sabia que isto ia acontecer. Já tinha acontecido antes e era apenas uma questão de tempo até que voltasse a acontecer", frisou Vandana Joshi, cujo marido, Tiru Chabba, foi uma das duas pessoas mortas. Seis pessoas ficaram também feridas.
O processo, aberto no domingo num tribunal federal, alega que a OpenAI deveria ter construído o ChatGPT com mecanismos de segurança para alertar alguém de que a polícia poderia precisar de investigar "para evitar um plano específico de dano iminente ao público", pode ler-se no comunicado.
A OpenAI negou qualquer irregularidade no que chamou de "crime terrível".
"Neste caso, o ChatGPT forneceu respostas factuais a perguntas com informações que podiam ser encontradas amplamente em fontes públicas na Internet, e não incentivou nem promoveu atividades ilegais ou prejudiciais", apontou Drew Pusateri, porta-voz da empresa.
Em abril, o procurador-geral da Florida afirmou que havia uma rara investigação criminal sobre o ChatGPT para apurar se a ferramenta de IA oferecia conselhos a Phoenix Ikner que possibilitaram o tiroteio de abril de 2025 em Tallahassee.
O jovem de 21 anos declarou-se inocente de duas acusações de homicídio em primeiro grau e de várias acusações de tentativa de homicídio. Os procuradores pretendem pedir a pena de morte.
O marido de Joshi, um pai de dois filhos de 45 anos de Greenville, Carolina do Sul, era vice-presidente regional da empresa de serviços alimentares Aramark Collegiate Hospitality.
O outro homem que morreu, Robert Morales, de 57 anos, era coordenador de alimentação no campus da Universidade Estadual da Florida.
A OpenAI "colocou os seus lucros acima da nossa segurança e matou o meu marido. Eles precisam de ser responsabilizados antes que outra família tenha de passar por isto", sublinhou Joshi num comunicado divulgado pelo seu advogado.
Diversos processos judiciais procuram indemnização de empresas de IA e tecnologia pela influência dos 'chatbots' e das redes sociais na saúde mental de familiares.
Em março, um júri em Los Angeles considerou a Meta e o YouTube responsáveis pelos danos causados pelas crianças que utilizavam os seus serviços.
No Novo México, um júri determinou que a Meta prejudicou conscientemente a saúde mental das crianças e ocultou o que sabia sobre a exploração sexual infantil nas suas plataformas.
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