Einstein errou
João Magueijo, cosmólogo português, que se tornou mundialmente conhecido quando, em 2003, pôs em causa a teoria da velocidade constante da luz de Einstein, explicou ontem em Lisboa a sua contestação ao trabalho do físico alemão.
“Ao cosmólogo é possível observar o passado olhando para longe”, disse o professor de física teórica no prestigiado Imperial College, de Londres.
Numa referência às imagens captadas por satélite do espaço acrescentou: “Se observarmos uma galáxia situada a um milhão de anos-luz de distância, estaremos a vê-la como era há um milhão de anos. Os cosmólogos têm, assim, uma vantagem em relação aos arqueólogos: temos acesso directo ao passado do Universo.”
Com recurso a essas imagens, João Magueijo desenvolve um quadro alternativo para resolver um dos enigmas existentes sobre o ‘Big Bang’ (a explosão que esteve na origem do Universo). O cientista português rompe com a teoria dominante, segundo a qual o Universo sofreu um processo de expansão acelerada, produzida por um campo sem explicação aparente conhecido por ‘inflatão’.
Para João Magueijo, a explicação para a modificação do conteúdo material do Universo surge por outro processo, considerado polémico pela comunidade científica. O português defende que a variabilidade da velocidade da luz foi responsável pelo fenómeno. “A velocidade da luz teria sido muito maior quando o Universo era ainda jovem. Hoje, entre 10 a 15 mil milhões de anos depois, no nosso Universo frio, essa constante tem contudo um valor assinalável: cerca de 300 mil quilómetros por segundo para a luz que se propaga no vácuo”, disse.
Esta sua explicação para a expansão do Universo colide, no entanto, com um dos postulados da Teoria da Relatividade Restrita de Einstein: o postulado da invariância da velocidade da luz no vácuo.
Consciente dos limites actuais do seu trabalho, ontem, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Magueijo iniciou assim a palestra sobre as leis da física: “Não vou dar uma resposta”. Contudo, defende, “as leis da física podem mudar”, acrescentando que “as leis mudam, mesmo as leis que regem o Universo”.
João Magueijo, que contesta um dos pilares da física moderna, leu Einstein pela primeira vez aos 11 anos. Nasceu em Évora, em 1967. Licenciou-se em Física na Faculdade de Ciências na Universidade de Lisboa e, perante as limitações ao estudo da cosmologia em Portugal, mudou-se para Cambridge, em Inglaterra nos anos 90. Assegurou uma bolsa do Trinity College para fazer o mestrado e o doutoramento em Cambridge, uma das mais prestigiadas universidades do Mundo, onde foi investigador no St. John’s College. Hoje lecciona Física Teórica no Imperial College, em Londres.
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