Empresa suíça inaugura maior central de absorção de carbono do mundo

Foi concebida para remover 36 mil toneladas de carbono por ano, o que equivale a retirar 8 600 carros da estrada.

13 de maio de 2024 às 10:48
Maior central de absorção de carbono do mundo Foto: Climeworks/Reuters
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A Climeworks, uma empresa suíça, inaugurou no dia 8 de maio, em Hellisheidi, na Islândia, a maior central de absorção de carbono do mundo. Segundo o The Washington Post, a 'Mamute' [nome da central] foi concebida para remover 36 mil toneladas de carbono por ano, o que equivale a retirar 8 600 carros da estrada.

A central 'Mamute' da Climeworks é basicamente um filtro de ar gigante. As ventoinhas puxam o ar através de uma série de filtros concebidos para apanhar as moléculas de CO2 [dióxido de carbono] perdidas. Depois, a empresa Carbfix mistura esse dióxido de carbono com água e bombeia-o para o subsolo, onde reage com a rocha basáltica e se transforma em pedra.

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Todo o processo funciona com a abundante energia geotérmica da Islândia, pelo que a alimentação das máquinas não produz mais emissões de carbono. Numa análise publicada em 2021 na revista Nature, cientistas confirmaram que o projeto da Climeworks funciona.

A Climeworks vende então compensações com base nesse carbono capturado. "As únicas pessoas que compram as remoções da Climeworks nesta altura são indivíduos muito ricos ou empresas muito ricas que estão (...) a pagar muito dinheiro para reduzir os custos daquilo que consideram ser uma potencial indústria futura", disse Rudy Kahsar ao The Washington Post.

Os especialistas esperam que, à medida que mais fábricas de remoção de carbono forem surgindo, os custos baixem para perto dos 100 dólares por tonelada, que é o preço-alvo que muitas empresas em fase de arranque pretendem atingir.

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A captura de carbono da atmosfera continua a ser controversa. Os críticos afirmam que a tecnologia é uma distração irrealista ou uma desculpa para continuar a utilizar combustíveis fósseis. Mas um relatório da ONU de 2022 concluiu que o mundo está tão atrasado na redução das emissões de gases com efeito de estufa que a captura de, pelo menos, algum carbono é agora "inevitável" se a humanidade espera atingir os seus objetivos climáticos.

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