Executivo da Microsoft afirma que a IA impulsionará ciência ao automatizar investigação
Responsável da Microsoft sublinhou que a IA desenha um cenário no mercado de trabalho em que surgem figuras com "elevadas capacidades e competências técnicas".
O gestor de recursos de Inteligência Artificial (IA) da Microsoft afirmou que a tecnologia irá impulsionar a ciência no campo da investigação médica quando, além de gerar hipóteses de forma autónoma, como já acontece, automatizar a realização de experiências.
Numa entrevista à agência de notícias EFE após participar no XXIV Seminário Lundbeck, "O cérebro, a última fronteira", o especialista Julián Isla salientou que a nova era da tecnologia abrirá as portas a um 'feedback' nunca antes visto.
"Estamos agora a ver que a geração de hipóteses começa a ser feita pelas máquinas e, possivelmente, o próximo passo será que a realização das experiências também seja automática", sublinhou.
Julián Isla alertou que, embora a IA ainda cometa erros e necessite de supervisão humana, encontra-se num "ponto de inflexão" em que os resultados são tão ótimos que se corre o risco de confiar excessivamente.
No entanto, precisou que as empresas que produzem esta tecnologia em grande escala e desenvolvem modelos de linguagem comerciais dispõem de "sistemas de controlo muito robustos" para garantir que os resultados estejam alinhados com as expectativas humanas.
O responsável da Microsoft sublinhou que a IA desenha um cenário no mercado de trabalho em que surgem figuras com "elevadas capacidades e competências técnicas" que concluem as tarefas "dez vezes mais rápido" e outras que mal conseguem acompanhar o ritmo.
"Estamos num momento de mudança em que há pessoas que avançam a passos largos nesta tecnologia, pessoas que ficam 'nem a uma, nem a outra' e pessoas que, infelizmente, não conseguem acompanhar o ritmo de trabalho. Não creio que tenhamos uma estratégia, enquanto humanidade, para este problema, que é gigantesco", afirmou.
O especialista apelou ainda aos cidadãos para que vão além da utilização quotidiana de ferramentas como o ChatGPT ou o Gemini e explorem o desenvolvimento de soluções próprias, por exemplo, para calcular a quantidade de sal a colocar em determinado prato.
"Antes, a tecnologia era para quem sabia programar, mas agora todos podem utilizá-la. Com a IA, o acesso democratizou-se e temos de aproveitar isso", concluiu.
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