Golfinhos ajudam a tratar crianças doentes

De golfinhos a cães, gatos, cavalos, burros, coelhos, galinhas... a lista da bicharada usada no que a medicina chama de terapia auxiliada pelos animais prossegue e, em todo o Mundo, multiplicam-se as iniciativas e projectos que recorrem aos amigos de duas e quatro patas para ajudar miúdos e graúdos com diferentes problemas de saúde.

24 de junho de 2007 às 00:00
Golfinhos ajudam a tratar crianças doentes Foto: d.r.
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Não usam bata branca nem estetoscópio. Não receitam medicamentos nem realizam cirurgias, mas contribuem para melhorar o tratamento de vários problemas de saúde. E tudo sem sair de dentro de água. Recentemente, os golfinhos têm despertado atenção especial por parte da medicina, graças à sua capacidade de ajudar crianças que sofrem de doenças que vão desde a síndroma de Down à surdez ou autismo.

Em Espanha chamam-lhe delfinoterapia mas, ao contrário do que acontece no país vizinho, onde já existem centros especializados, por cá ainda não está disponível.

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Nos Estados Unidos existe há anos com resultados comprovados. Joe é um exemplo do que os ‘doutores’ golfinhos são capazes. Quando nasceu, há 20 anos, em Denver, os pais foram obrigados a enfrentar a dura realidade de um diagnóstico que obrigou a várias passagens pela sala de operações. Depois de uma delas, Joe sofreu um acidente vascular cerebral que lhe destruiu a metade direita do cérebro. Para os médicos, a hipótese de voltar a ter uma vida normal era inexistente. Mas os pais não desistiram e levaram o filho para uma zona a cem quilómetros de Miami, onde existia um delfinário que, segundo asseguram, foi fundamental para a recuperação.

Mas para Élio Vicente, director científico do Zoomarine, é preciso ter cuidado quando se atribui aos golfinhos capacidades acima do normal. “São tão extraordinários como o cão, gato ou cavalo. O que podem fazer é ser usados como instrumentos para terapia”, avança. Contesta que os golfinhos sejam “o remédio para todos os problemas clínicos” e vai mais longe. “Não são animais milagrosos. São mamíferos e têm tanta capacidade para curar como cada um de nós. O que aconteceu é que foi criado um mito à volta destes animais.”

Sandra Fernandes, psicóloga clínica, concorda. “Um dos aspectos fundamentais a esclarecer é que a terapia auxiliada pelos animais não tem o poder de curar a patologia, contribui sim para uma melhor qualidade de vida do indivíduo segundo os seus problemas.”

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No entanto, acrescenta Élio Vicente, “a conjugação entre um golfinho treinado e a água é uma combinação que pode ajudar jovens e adultos a relaxarem, a ouvirem melhor os terapeutas e a colaborarem”.

ANIMAIS AMIGOS

Cães, gatos, cavalos, burros, coelhos, galinhas, a lista de bichos usados na chamada terapia auxiliada por animais continua a aumentar. Sandra Fernandes trabalha com cães, na FunSchoolDog, que existe desde 2001, “associando a psicologia e o cão”. O objectivo é “promover a terapia, assistida pelo animal, no acompanhamento de casos relacionados com distúrbios emocionais, síndroma de Down e deficiência motora”.

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Quanto aos resultados, apesar de não existirem estudos nacionais a experiência permite observar “melhorias ao nível da comunicação, da interacção social e do comportamento”.

TERAPIA COM CAVALOS PARA DEFICIENTES

São as pessoas com deficiências físicas, psíquicas e as crianças com transtornos de comportamento, dificuldades de aprendizagem ou problemas afectivos os que mais beneficiam da terapia equestre. Este tipo de tratamento deve ser feito sob a supervisão de uma equipa de multidisciplinar, sendo o contacto com os cavalos capaz de produzir efeitos positivos que vão desde melhor coordenação motora, controlo da postura, concentração e aquisição de várias competências.

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SALTO DA CAPOEIRA PARA A MEDICINA

Patos, galinhas, pássaros... a terapia com animais tem crescido de forma sistemática desde a década de 80, com vários programas a aplicarem esta forma de tratamento como catalisador na recuperação da saúde mental. Foi usada pela primeira vez, ainda sem o nome que tem hoje, no século XVIII em doentes mentais e foi nesse mesmo século que alguns especialistas começaram a usar cavalos para melhorar a coordenação e equilíbrio de quem tinha problemas nas articulações. Mais tarde os animais participaram no tratamento de epilépticos, mas o primeiro registo oficial desta forma de terapia surge em 1944, como forma de relaxar pilotos da Força Aérea dos EUA, submetidos a tratamentos intensos.

UM REMÉDIO DE QUATRO PATAS

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Foi com o psiquiatra infantil norte-americano Boris Levinson que, durante os anos 60, se percebeu que os cães, considerados os melhores amigos do homem, podiam ser usados como co-terapeutas no tratamento de alterações do comportamento, défice de atenção e problemas de comunicação em crianças.

Para além desta vertente, ter um animal de estimação, como um cão ou gato, pode ser um bom remédio para combater a solidão, reduzir a depressão, ansiedade e uso de medicação. Isto para além de favorecer a prática de exercício físico por parte dos donos. Os cães e gatos são, diz quem sabe, os melhores aliados dos idosos.

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