UE quer tecnologia criada na Europa

Comissão Europeia pretende diminuir a dependência de tecnologias da China, dos Estados Unidos e da Rússia. Em França, Google Meet, Microsoft Teams e Zoom foram banidas da função pública.

31 de janeiro de 2026 às 01:30
Parlamento Europeu em Estrasburgo Foto: YOAN VALAT/LUSA/EPA
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O Parlamento Europeu, em Estrasburgo, analisou esta quinta-feira um projeto de relatório sobre 'Conclusões e Recomendações do Comité Especial sobre o Escudo Europeu da Democracia', que define como prioridades o aumento do apoio financeiro às organizações da sociedade civil, a luta contra a desinformação e, também, o reforço da tecnologia criada na Europa para diminuir a dependência de tecnologias dos Estados Unidos e da China.

Além disso, a comissão propôs a criação de um Centro Europeu para a Resiliência Democrática com mandato claro e governança transparente, o fortalecimento da aplicação do Regulamento Digital da UE e a preparação robusta, entre outros. Com um caráter voluntário, o centro visa combater ameaças provenientes da manipulação de informações estrangeiras, campanhas coordenadas de desinformação e ataques híbridos contra a democracia.

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"A Europa está sobre ataque de desinformação sistemática por parte de regimes estrangeiros que pretendem fragilizar a democracia, numa ação facilitada pela inação das grandes empresas de redes sociais, nas quais circulam a maioria destas narrativas", disse o relator do relatório Tomas Tobé, eurodeputado pertencente ao Partido Popular Europeu (PPE).

Um dia antes, num evento organizado pelo 'Politico', dedicado à liderança digital europeia, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável pela soberania tecnológica, Henna Virkkunen, alertou para os riscos estratégicos da dependência europeia de tecnologia estrangeira -  só a Amazon, a Microsoft e a Google controlam cerca de 70% de toda a capacidade de armazenamento e processamento de dados no continente - , sublinhando que essa dependência pode ser usada como instrumento de pressão contra a UE, e afirmou que a Europa atravessa um “momento de independência”

Virkkunen, está a coordenar um pacote legislativo focado na soberania tecnológica, com apresentação prevista para a primavera, destacou ainda o papel relevante que entidades públicas, como governos, municípios, regiões e a própria Comissão, podem desempenhar no estímulo à inovação e ao crescimento de startups europeias.

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Enquanto isso, a França prepara-se para proibir o uso dos serviços de videochamada Google Meet, Microsoft Teams e Zoom entre funcionários públicos. A decisão surge alinhada com as declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, que diz que a Europa não podia ser um “vassalo” tecnológico dos EUA e da China, apelando aos países da UE para dar preferência a plataformas e soluções tecnológicas europeias. Assim, o governo francês adotará o Visio, um software de videochamada criado a partir da infraestrutura desenvolvida pela empresa francesa Outscale. A transição para a nova plataforma deverá ficar completada até 2027.

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