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Correio da Manhã

Tecnologia
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Leis para controlar violência

A violência existente nos videojogos continua a preocupar organizações um pouco por todo o Mundo. A Amnistia Internacional alertou para a necessidade de os governos intervirem na criação de legislação que impeça as crianças de terem acesso a jogos violentos, considerando insuficiente o actual sistema de classificação etária.
5 de Janeiro de 2008 às 00:00
Num trabalho desenvolvido pela organização de defesa dos Direitos Humanos foi possível comprovar que crianças com apenas oito ou nove anos conseguem comprar sem dificuldades jogos classificados para maiores de 16 e 18 anos.
Nas recomendações constantes no relatório, divulgado no mês passado, pede-se a intervenção dos governos para que criem “uma lei na qual se regule a venda, o aluguer e a difusão por qualquer outro meio de videojogos com conteúdos prejudiciais ao desenvolvimento das crianças e jovens”.
A Amnistia Internacional critica ainda a disposição dos artigos, especialmente nas grandes superfícies, uma vez que não existe uma divisão clara em função das idades a que se destinam esses produtos.
Também o sistema de classificação PEGI – Informação Pan-Europeia sobre Jogos – é visado no documento. Os símbolos usados são, de acordo com a Amnistia Internacional, pouco claros e com informação insuficiente. Como exemplo, o relatório apresenta duas situações em que os ícones foram mal interpretados num ponto de venda: o símbolo que alerta para conteúdo sexual seria indicativo de que o jogo é apropriado para ambos os géneros, enquanto a idade foi confundida com o nível de dificuldade.
O sistema PEGI foi implementado em 2003, merecendo a aprovação da União Europeia, como uma ferramenta destinada a informar os pais e proteger os menores, sendo gerido pela ISFE – Interactive Software Federation of Europe (Federação Europeia de Software Interactivo).
Além das informações relacionadas com o conteúdo do jogo (ver coluna) o selo estabelece cinco categorias etárias: 3; 7; 12; 16; 18.
Recentemente foi colocado à disposição o sistema PEGI on-line no qual os pais podem pesquisar se determinado jogo é apropriado à idade e desenvolvimento dos filhos.
Além do sistema de classificação o site disponibiliza explicações detalhadas sobre os jogos on-line (minijogos, promocionais, de rede e multijogadores) e recomendações de segurança para pais e filhos.
IGAC CLASSIFICA OS JOGOS EM PORTUGAL
Em Portugal é a Comissão de Classificação de Espectáculos, integrada na Inspecção-Geral de Actividades Culturais (IGAC), que avalia os jogos. A classificação é igual à atribuída pelo PEGI, pois foi adoptada pela União Europeia. No nosso país acrescentou-se os escalões etários 4 e 6.
PAI LEILOA JOGO COMO CASTIGO
O castigo aplicado a um jovem apanhado a fumar droga em flagrante foi ver o seu jogo ‘Guitar Hero III’ leiloado na internet. No eBay o pai contou como surpreendeu o filho, acabando por receber cerca de nove mil dólares.
O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO PEGI
IDADE - Determina o escalão etário alvo para o jogo: Todos; 3; 12; 16; 18
LINGUAGEM - O jogo contém linguagem obscena imprópria para determinadas idades
DICRIMINAÇÃO - Tem situações discriminatórias ou que encorajam a discriminação
DROGAS - O jogo faz referência a drogas ou ao consumo das mesmas
MEDO - Inclui situações que podem ser assustadoras para crianças susceptíveis
APOSTAS - Pode conter sequências onde se explique regras de jogos de apostas
SEXO - Retrata a nudez ou comportamentos sexuais e referências deste cariz
VIOLÊNCIA -Contém situações de agressões, desaconselhadas para certas idades
JOGO AUMENTA CONHECIMENTO
A ideia de que todos os videojogos são violentos não é correcta. Muitos permitem ao utilizador aprender e desenvolver conhecimentos que, de outra forma, seriam complicados de colocar em prática ou de interiorizar. São vários os títulos baseados em momentos e civilizações que marcaram a História da humanidade. Muitos jogos de estratégia permitem ao jogador assumir o papel de líder de grandes civilizações como a romana, egípcia ou grega, inteirando-se dos mais variados pormenores relacionados com a ascensão e queda de cada império. Outros simuladores, por exemplo, abordam diversos temas que vão desde a gestão de parques aquáticos, de cidades, a canais de televisão ou até clubes desportivos, desenvolvendo o pensamento estratégico e as capacidades de planificação. Outros géneros de jogos, como os puzzles, estimulam o raciocínio lógico. Mesmo os títulos que recebem o carimbo de violentos, como os shoot’em up’, têm algo de positivo, pois melhoram a capacidade óptico-motora de quem abate os inimigos no ecrã.
CENSURA BATE MANHUNT
A polémica sobre o jogo ‘Manhunt 2’ continua no Reino Unido, onde se mantém a proibição de comercialização. No mês passado a Justiça voltou a dar razão à organização que classifica os videojogos no Reino Unido, a BBFC, que insiste em manter o jogo da Rockstar Games fora do mercado. Na última acção judicial a BBFC argumentava que a autorização dada, no início de Dezembro, permitiria o acesso das crianças ao jogo. A guerra entre a Rockstar e a BBFC remonta a Junho, quando a empresa foi obrigada a apresentar uma versão revista do jogo, também ela proibida devido à excessiva violência.
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