Pão, bolachas, bolos, massas, cerveja. A lista continua, repleta de alimentos irresistíveis para a maior parte das pessoas, mas proibidos para os celíacos, um grupo a quem foi diagnosticada a intolerância ao glúten, proteína encontrada no trigo, aveia, centeio ou cevada. Para estes, os rótulo dos produtos têm de ser lidos com redobrada atenção em busca das frases mais temidas – “pode conter glúten” ou “contém glúten”.
A leitura atenta aos rótulos é essencial para conseguir manter uma dieta que se quer livre da proteína, única forma de afastar os efeitos negativos de uma doença ainda pouco conhecida dos portugueses e que afecta cerca de um por cento da população europeia.
Para quem sofre com este problema, a dieta é o único tratamento, garantia de uma vida livre de lesões intestinais. Tarefa que não é fácil ou barata. “O glúten não está presente na fruta, vegetais, leite, carne ou peixe, mas existe ou pode estar presente nos restantes alimentos, desde a gelatina ao ketchup”, explica ao CM Mónica Cardoso, dietista da Associação Portuguesa de Celíacos (APC). Apesar de existirem alternativas livres de glúten, estas não são acessíveis a todos. “Há, por exemplo, massa sem glúten, pão ou bolachas, mas o preço é bem diferente”, avança a mesma fonte.
Vejamos então: em algumas superfícies comerciais um pão de forma normal custa 1,24 euros, valor que passa para os 4,64 euros se não tiver glúten. Já um pacote de bolachas de 1,50 euros chega aos 5,24 euros quando não tem na sua composição o alimento que faz mal aos celíacos. Mais gritante é a diferença de preço de um simples pacote de esparguete: bastam 29 cêntimos para o comprar. Sem glúten, porém, custa 6,34 euros.
Uma diferença que levou a APC a fazer uma petição, assinada até ao momento por mais de cinco mil pessoas, a entregar na Assembleia da República, e que pede “para que os alimentos sem glúten específicos para os celíacos sejam equiparados aos medicamentos e possam assim ser incluídos na declaração de IRS na rubrica de despesas de saúde com IVA a cinco por cento”.
A imposição da dieta, com implicações directas na bolsa dos doentes, significa mais do que renunciar a alguns pratos, exigir que os doentes tenham bem ciente o que podem ou não comer ou a habituação a novos sabores. “Há fases muito complicadas, como a infância ou a adolescência. Porque, em alguns casos, a doença não provoca sintomas, apesar de causar as lesões no intestino”, refere a dietista.
Pouco conhecida da população em geral, a doença celíaca passa também despercebida a muitos médicos. A sintomatologia é vaga e, em muitas situações, o único sintoma é a anemia, ou o cansaço extremo.
INTOLERÂNCIA E ALERGIAS TÊM SINTOMAS SEMELHANTES
São diferentes, apesar de muitas vezes confundidas. De um lado as intolerâncias alimentares, como a doença celíaca, do outro as alergias a determinados alimentos. Distintas quanto à forma – na primeira, a reacção adversa resulta da má digestão ou absorção de um alimento, enquanto na segunda o alimento é identificado pelo organismo como agressor e combatido como tal, através de uma reacção imunológica –, são semelhantes nos sintomas, como vómitos, dores abdominais, diarreias. No caso das intolerâncias, nem só o glúten provoca problemas e aos doentes celíacos juntam-se outros, vítimas de reacções provocadas, por exemplo, pelo leite, incapazes de tolerar a lactose por não possuírem uma enzima capaz de a digerir. Há ainda aqueles que experimentam problemas de saúde devido à intolerância de aditivos, usados para intensificar o sabor dos alimentos, ou de conservantes, que se destinam à sua preservação. Para os celíacos, o grande inimigo atende pelo nome de glúten e é responsável por uma intolerância que pode ter consequências muito graves. Presente em vários cereais, não é mais do que um conjunto de proteínas que não se dissolvem na água. Porque a sua composição é diferente consoante o cereal, diferentes são também os efeitos adversos nos doentes, obrigados a eliminar da dieta agressores como o centeio ou a cevada.
ATENÇÃO REDROBRADA AOS RÓTULOS
Funcionam como o bilhete de identidade dos alimentos e é neles que é contida toda a informação necessária para identificar os componentes do produto. Para os celíacos, assim como para qualquer pessoa com intolerância ou alergia alimentar, a leitura atenta dos rótulos é um gesto vital. No entanto, interpretar a informação nem sempre é tarefa fácil. De acordo com um inquérito realizado pela agência de segurança alimentar britânica, os consumidores gostariam de ver o trabalho facilitado, pedindo a existência de um código que permitisse uma mais rápida visualização dos ingredientes capazes de provocar problemas. Por cá, os especialistas defendem que a maioria dos portugueses não sabe ler os rótulos – os dados neles contidos não são claros para quem compra –, sendo necessárias campanhas de esclarecimento sobre os alimentos mais saudáveis.
NÃO PODE COMER
Alimentos com glúten:
- Pão e farinha de trigo, cevada, centeio ou aveia;
- Bolos, pastéis, tartes e demais produtos de pastelaria;
- Bolachas e biscoitos;
- Massas italianas e sêmola de trigo;
- Bebidas com malte;
- Produtos manufacturados que tenham na sua confecção qualquer uma das farinhas já enumeradas;
- Bebidas fermentadas a partir de cereais, como cerveja, alguns licores, etc.
PODE COMER
Alimentos sem glúten:
- Leite e derivados;
- Carne;
- Peixe;
- Ovos;
- Verduras, hortaliças e tubérculos;
- Frutas;
- Arroz, tapioca e derivados;
- Legumes;
- Açúcar e mel;
- Azeite, manteigas;
- Café em grão ou moído;
- Vinho e bebidas espumantes;
- Frutos secos naturais;
- Sal, vinagre de vinho e especiarias.
CUIDADOS ACRESCIDOS
A doença celíaca é uma intolerância permanente ao glúten, uma proteína que se encontra, de forma natural, em cereais como o trigo, cevada, centeio, triticale, trigo vermelho e kamut. Apesar de raros, existem no mercado alguns produtos sem glúten.
LESÕES NO INTESTINO
Se não for tratada, a doença provoca danos no intestino e pode levar ao aparecimento de problemas mais graves, como tumores ou doenças auto-imunes. O único tratamento disponível actualmente consiste numa dieta isenta de glúten, seguida durante toda a vida.
MILHARES DE DOENTES
A a doença crónica intestinal mais comum, afectando uma em cada 150 pessoas. Em Portugal, os números conhecidos dão conta de cinco a seis mil pessoas diagnosticadas, apesar de muitas mais viverem com a doença celíaca sem saberem, já que em muitos casos esta não apresenta sintomas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.