Audiências pressionam Aguinaldo
Na sua 11.ª telenovela, Aguinaldo Silva confessa, em entrevista à revista brasileira ‘Veja’, que se sente pressionado pelas audiências, isto apesar da ‘Senhora do Destino’ ser, actualmente, a mais vista no Brasil e muito apreciada pelos telespectadores da SIC.
“É uma pressão escandalosa (...) Mesmo com a novela batendo recordes de audiência, até ao último capítulo eu vou temer um desastre. Essa é a pressão”, diz.
Ao longo da sua carreira como autor, o ex-jornalista sempre fez telenovelas em horário nobre, uma responsabilidade acrescida já que, segundo refere, a Rede Globo “estabelece que todos os autores devem usar um medidor instantâneo” de audiências, como forma de perceber o que o público gosta.
“Há tramas que simplesmente fazem as pessoas sair da frente da TV. Em novela das 20h00, não dá para ousar muito. Esse é o horário em que a emissora factura para pagar o salário de todo o mundo”, diz.
Porém, este receio das audiências não é infundado. É que Aguinaldo Silva sabe bem o que é ter uma história que os telespectadores não gostam. Aconteceu-lhe em 1999, com a telenovela ‘Suave Veneno’ (SIC). “Tinha acabado de fazer ‘A Indomada’ e estava naquele período de ameixa seca, quando você termina uma novela. Espreme e não sai nada”, recorda.
No entanto, não baixou os braços e até repescou o guião para escrever ‘Senhora do Destino’. “Peguei essa história que não deu certo e dei uma reciclada”, afirma. E a verdade é que o sucesso voltou a bater-lhe à porta, mesmo com temas polémicos.
Centrada na família, a telenovela explora o lesbianismo. Apesar de controverso, a verdade é que o autor ousou, mas conseguiu fazê-lo com êxito. O romance entre ‘Jenifer’ (Bárbara Borges) e ‘Eleonora’ (Mylla Christie) acabou por ser bem aceite. No entanto, segundo Aguinaldo, usou alguns truques. Primeiro, fez com que os telespectadores simpatizassem com duas jovens educadas, trabalhadoras e sérias, para depois os confrontar com o romance.
A verdade é que, mesmo as cenas mais ousadas, em que as duas actrizes se beijam e até partilham a cama foram bem recebidas pelos brasileiros, apesar de Aguinaldo Silva ter sempre um cuidado especial com cenas que possam envolver sexo. “Sou um conservador. Sempre penso se gostaria de ver determinada cena”, frisa.
Considerado um dos principais autores da Globo – com uma remuneração de cerca de um milhão de dólares (entre ordenado, extras e merchandising) –, Aguinaldo Silva conta com um currículo invejável em matéria de telenovelas e, para sempre, ficará na história da sua carreira e na da televisão a telenovela ‘Roque Santeiro’, protagonizada por Lima Duarte e Regina Duarte, o ‘Sinhôzinho Malta’ e a viúva ‘Porcina’.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt