CAIO BLAT: NO EXTREMO OPOSTO

Cheio de projectos e realizações, sente-se realizado aos 22 anos. Vive numa roda-viva entre São Paulo e o Rio de Janeiro, para conciliar a vida profissional com a familiar. E ainda tem tempo para auxiliar crianças carenciadas.

18 de julho de 2002 às 18:43
CAIO BLAT: NO EXTREMO OPOSTO
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Na vida real leva uma vida estável, na ficção interpreta o imprevisível “Mateus”. Caio Blat auto-caracteriza-se como o extremo oposto do personagem a que dá vida em “Coração de Estudante”. Enquanto que o actor, aos 22 anos, se sente realizado com o trabalho, a família e o casamento, “Mateus” sofre por uma paixão não correspondida, vive grandes conflitos com a mãe e parece pouco preocupado com o futuro profissional.

Antes de se meter na pele de “Mateus”, Caio conversou muito com o autor da telenovela, Emanuel Jacobina, que o ajudou a entender a personalidade do personagem. Extremamente sensível, “Mateus” torna-se numa pessoa amarga a partir do momento em que perde o amor de “Rafaela” ( Júlia Feldens). Passa mesmo a comportar-se de modo explosivo. “Às vezes ele fala as coisas mais horríveis sorrindo, outras vezes fica nervoso com uma simples besteira”, descreve o actor.

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Caio não esconde, no entanto, que o maior encanto que vê neste trabalho é o sentimento de família que é transmitido na telenovela, um sentimento que, na sua vida privada, coloca acima de tudo. “Eu gosto muito do tom do Jacobina de retratar a família, o interior, mostrar a música brasileira”, confessa. E, foi a pensar na própria família que impôs uma condição para aceitar o papel. Casado há pouco mais de um ano com a cantora Ana Ariel, o actor quis continuar a morar em São Paulo, onde os dois desenvolvem um trabalho voluntário com crianças carentes. As gravações da telenovela são feitas nos arredores do Rio de Janeiro, o que obriga a uma deslocação aérea.

Com o ritmo intenso das gravações, Caio chega a realizar oito viagens por semana, mas acha que o esforço compensa. “Às vezes vou a São Paulo para dormir e volto no dia seguinte”, conta com um sorriso nos lábios. Recorda que tem gravado tanto quanto em 2001, quando interpretava o protagonista de “Um Anjo Caiu do Céu”.

COM 14 ANOS DE CARREIRA no currículo, Caio Blat iniciou-se em spots publicitários. Mais tarde contracenou com António Fagundes na série “Mundo da Lua”, da TV Cultura. A primeira telenovela em que participou foi “Éramos Seis”, do SBT, em 1994. No ano seguinte entrou em “As Pupilas do Senhor Reitor”, uma adaptação do clássico português de Júlio Dinis, e passado dois anos em “Fascinação”. Na Globo, participou na série “Chiquinha Gonzaga” (1998) e nas telenovelas “Andando nas Nuvens” (1999) e “Esplendor” (2000), antes de protagonizar “Um Anjo Caiu do Céu” (2001), todas elas já exibidas pela SIC.

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Com um currículo extenso na área da televisão, o actor já pensa nos seus próprios projectos. Aos 19 anos produziu, dirigiu e adaptou a peça “Macário”, que ficou três anos em cartaz e deixou Caio Blat com água na boca para realizar novos sonhos. “Os jovens pensam que ser artista é aparecer na Globo. Não é só isso. É nosso papel trazer coisas novas, levantar algumas bandeiras”, defende. Para o futuro, Caio pensa em adaptar para o seu teatro algumas “histórias de amor e doação”, como a vida de São Francisco de Assis.

Quando não está a trabalhar na televisão, no cinema ou no teatro, Caio Blat desempenha um papel que considera um dos mais importantes da sua vida. O actor é voluntário da Associação dos Amigos da Criança, uma instituição que atende a cerca de 400 menores carentes na região de Campinas. Ao lado de Ana Ariel, sua mulher, que intervém através da música, o actor dá aulas de teatro a crianças dos 7 aos 13 anos. “Minha intenção não é formar actores, mas acredito que além do organismo, é preciso que o sonho das crianças também sobreviva”, explica.

Pouco antes de ser convidado para actuar no filme “Carandiru”, do conhecido realizador Hector Babenco, Blat desenvolvia também um trabalho de apoio a prisioneiros, denominado “SOS Muralhas”. Com um grupo de amigos, visitava-os e apresentava pequenos espectáculos teatrais. O grupo levava ainda alimentos e artigos de higiene. “O mais importante era a nossa presença. Às vezes, chegava o dia de visita e eles não tinham ninguém por quem esperar”, conta, emocionado.

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Embora Hector Babenco nem desconfiasse dessa experiência de Caio antes de convidá-lo para o filme, ela serviu de laboratório para o actor interpretar “Deusdete”, um indivíduo que é forçado a entrar no mundo do crime. “Eu acho óptimo poder mostrar a questão da dor, do sofrimento e da humanidade que existe lá dentro”, afirma o intérprete. E destaca a importância de se mostrar que nem tudo é maldade e violência dentro da prisão.

- Caio Blat pensou em ser advogado como alternativa à carreira artística. Chegou a estudar durante dois anos na Faculdade de Direito de São Paulo.

- Caseiro, o actor não gosta muito de badalações. Nas horas livres gosta de ir ao cinema, ao teatro ou a casa dos amigos.

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- Para realizar a investigação necessária para pôr de pé a peça ”Êxtase”, de Wlacyr Carrasco, Caio Blat chegou a mudar-se para a favela do Vidigal na zona sul do Rio de Janeiro, no ano passado. A peça aborda o universo das drogas.

- Na comemoração do seu 22o aniversário, em Maio passado, ofereceu um buffet a crianças necessitadas. As atracções foram palhaços, brincadeiras e jogos teatrais.

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