Comissão de Trabalhadores da Lusa acusa funcionário do gabinete do ministro da Presidência de intimidação

Chefe de gabinete de Leitão Amaro considerou a conduta inadequada, segundo a comissão.

04 de maio de 2026 às 18:07
Comissão de Trabalhadores da Lusa acusa funcionário do gabinete do ministro da Presidência de intimidação Foto: Direitos Reservados
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A Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa disse, esta segunda-feira, que foi alvo de comportamentos intimidatórios por um funcionário do gabinete do ministro da Presidência, conduta considerada inadequada pelo chefe de gabinete de Leitão Amaro, segundo aquele órgão.

A situação aconteceu em 29 de abril, quando elementos da CT "foram alvo de comportamentos insultuosos e intimidatórios por um funcionário do gabinete do ministro da Presidência, António Leitão Amaro", refere em comunicado, esta segunda-feira, divulgado.

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Perante o sucedido, a CT enviou uma exposição ao chefe de gabinete do Ministério da Presidência "condenando veementemente o comportamento totalmente desadequado" daquele funcionário, que aconteceu "imediatamente após a reunião que decorreu no ministério, ao final da tarde".

No comunicado, a CT salienta que, "contrastando com a reunião formal com o ministro António Leitão Amaro, a qual decorreu de forma cordata apesar das divergências de pontos de vista, o alto funcionário interpelou" a Comissão de Trabalhadores "em tom insultuoso e intimidatório pondo em causa a idoneidade dos representantes dos trabalhadores".

"Num tom visivelmente alterado e perante dirigentes sindicais e de outros dois membros do gabinete, acusou deliberadamente e de forma agressiva os jornalistas acerca das notícias que têm sido publicadas recentemente sobre as questões que envolvem a agência Lusa desde o final do ano passado, sem especificar", relata a CT, apontando que o funcionário "teceu comentários provocatórios contra os órgãos que representam os trabalhadores da Lusa demonstrando total desconhecimento sobre as funções das comissões de trabalhadores, dos sindicatos e até mesmo das direções jornalísticas".

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De acordo com a CT, "o mesmo funcionário referiu-se -- sempre com uma postura despropositada e agressiva -- ao conteúdo das reuniões ocorridas no passado dia 26 de novembro no mesmo ministério e que envolveram a Direção de Informação da Lusa, a CT e a delegação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC)", numa situação que durou mais de 10 minutos.

"Os elementos da CT evitaram a discussão, mas foram obrigados a afirmar que se sentiram insultados e infantilizados e que os modos utilizados eram impróprios de um funcionário com responsabilidades públicas", tendo a CT considerado "muito grave o incidente".

Neste sentido, a CT "sublinhou perante o gabinete que - além de insultar elementos de um órgão com constituição jurídica própria e com mandato institucional -- o funcionário tentou intimidar e coagir os representantes dos trabalhadores da Lusa" e "transmitiu que os representantes dos trabalhadores não se deixam coagir nem intimidar pela prepotência de funcionários do ministério, exigindo regras mínimas de boa educação".

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No dia seguinte, 30 de abril, "o chefe de gabinete respondeu por escrito à CT, reconhecendo que o comportamento do funcionário foi inadequado e que o mesmo já tinha sido admitido pelo próprio, que se penalizou pelo sucedido", sublinhando que "tais interações não correspondem à postura e orientação do gabinete do ministro António Leitão Amaro".

De acordo com a CT, "o funcionário do gabinete do ministro da Presidência tentou contactar através de telefone os membros" do órgão, "mas a CT declinou e insistiu no esclarecimento formal por parte do ministério".

O gabinete do ministro da Presidência disse querer manter "'contacto regular, respeitoso e construtivo' com os trabalhadores afirmando que 'jamais seria admissível qualquer tentativa ou forma de condicionamento da liberdade e independência dos jornalistas e dos órgãos de comunicação social'", refere a CT, que tomou "boa nota destas palavras e regista as garantias" da tutela.

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A exposição da situação e pedido de esclarecimento foram subscritos pelos sindicatos da Lusa: Sindicato dos Jornalistas (SJ), Sindicato dos Trabalhadores do Setor dos Serviços (SITESE) e Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente (SITE).

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