Contrato da RTP com Boyden é uma “vergonha”, afirma diretor-geral da Global Partner

Grupo público pagou mais de 86 mil euros a empresa que ajudou a selecionar administração.

18 de abril de 2021 às 09:41
RTP Foto: Mariline Alves
Artur Lopes Foto: Direitos Reservados
José Vieira de Andrade, presidente do CGI Foto: Direitos Reservados
Hugo Figueiredo Foto: Direitos Reservados

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O contrato assinado, no início deste ano, entre a RTP e a empresa especialista em recrutamento de executivos Boyden, para ajudar o Conselho Geral Independente (CGI) na escolha da nova administração da empresa pública de rádio e televisão continua a gerar polémica.

Ao CM, Artur Lopes, diretor-geral da Global Partner, empresa que atua na mesma área, mostra-se chocado com o valor acordado: 70 mil euros, mais IVA, perfazendo um total de mais de 86 mil euros. “É uma vergonha. É um valor excessivo. Tenho a certeza que nós, como outras empresas, fazíamos o mesmo trabalho, com a mesma qualidade, por metade ou um terço do preço.” O responsável revela que a prática habitual neste tipo de serviços é aplicar um ‘fee’ de 20% sobre o salário bruto referência do cargo em questão. Ora, tendo em conta os atuais salários e despesas de representação dos três membros da administração da RTP (cerca de 184 mil euros), o valor seria de quase 37 mil euros.

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Outras fontes do mercado ouvidas pelo CM, que preferiram manter o anonimato, corroboram esta opinião, embora salvaguardem que não sabem que tipo de trabalho foi exatamente desenvolvimento pela Boyden.

A este propósito, o CM questionou a RTP, a quem coube assinar o contrato em nome do CGI. “Todo o processo de consulta da empresa que ajudou o CGI na escolha da nova administração da RTP é da sua exclusiva responsabilidade. À RTP coube apenas formalizar o contrato com a empresa escolhida pelo CGI, cumprindo as regras formais da empresa”, disse apenas fonte oficial. Já o CGI recusou, mais uma vez, prestar esclarecimentos, remetendo para os “documentos disponíveis no site do CGI da RTP, designadamente os últimos, quanto à contratação da Boyden e à escolha da equipa convidada”. Estes, no entanto, pouco explicam. Fica, por isso, por esclarecer, por exemplo, quantas das 12 candidaturas que foram analisadas partiram de convites da Boyden (o que poderia demonstrar o volume de trabalho que esta teve numa fase inicial). Ou o porquê de, ao que o CM apurou, ter sido usado um modelo de questionário inglês para avaliar os candidatos a gerir uma empresa totalmente nacional, num setor tão específico como o da comunicação social. A Boyden Portugal não respondeu às questões do CM. A RTP e o CGI também não esclareceram que empresas foram previamente consultadas, tal como exige a lei para os ajustes diretos, e qual o critério que levou à escolha da Boyden - a informação não está acessível, como é obrigação, no portal de contratos públicos BASE.

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Quanto ao facto de, tal como o CM já noticiou, o contrato em questão ter sido assinado, da parte da RTP, pelo administrador Hugo Figueiredo, que fazia parte de uma das candidaturas (entretanto escolhida para liderar a empresa), o CGI nega conflito de interesses.

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