Floribella não é serviço público
Francisco Penim vulgarizou o conceito de serviço público. Essa é a leitura que fazem diferentes especialistas de TV sobre recentes declarações do director de Programas da SIC.
Penim disse que ‘Floribella’ é serviço público. Fernando Sobral, Eduardo Cintra Torres e Francisco Rui Cádima não concordam e, claro, não esquecem a rival‘Morangos com Açúcar’.
Sobral e Cintra Torres, ambos críticos de TV, e Cádima, especialista em História dos Media, salientam que as afirmações de Penim ao ‘Jornal de Negócios’ (1 de Agosto) devem ser entendidas no seu próprio contexto. “O de um programador de TV privada”, diz Cádima e, segundo Sobral, “a reboque de um sucesso televisivo, não mediu o que estava a dizer”.
“Seguindo a lógica de Francisco Penim, os ‘Morangos com Açúcar’, os noticiários, os ‘Acorrentados’... tudo seria serviço público”, afirma Sobral. Cintra Torres refere, por seu turno, que Francisco Penim “é completamente omisso relativamente ao conteúdo dos programas. A definição serve para qualquer formato. É só alterar o nome”. Cintra Torres acredita que há alguma confusão no raciocínio de Penim: “Parece-me que ele confunde serviço público com serviço ao público.” Cádima segue esta visão, recordando que “a indústria também gera empregos e não é por aí que faz serviço público”.
A afirmação de Penim surge na sequência de outra declaração na mesma entrevista, questionando o responsável da SIC a RTP pela aquisição de novelas brasileiras. Sobral não compreende a referência: “A SIC, nesse aspecto, tem telhados de vidro.” Por tal motivo, Cintra Torres considera a “retórica contraditória. Não há serviço público no Brasil? E a ‘Floribella’ não é um produto originário da América do Sul?”.
Nuno Santos, director de Programas da RTP 1, desvalorizou a declaração do homólogo de Carnaxide. “Não me preocupo com a programação de SIC e TVI”, diz ao CM. “Em qualquer dos casos, recomendo a leitura do contrato de concessão de serviço público, disponível na internet.” Assim, “os leitores podem tirar as suas conclusões”.
“Não se trata de concordar, porque a TVI não tem por hábito comentar as posições de outras estações”, referiu Monteiro Coelho, director de Relações Exteriores da Quatro. “No entanto, gostaríamos de salientar que a estratégia da TVI, desde a restruturação de 2000, passa por oferecer produtos em português de Portugal, seja na ficção, área musical ou entretenimento, algo que demorou vários anos a ser entendido”, acrescentou.
Monteiro Coelho relembra que “a designação de serviço público é algo extremamente difícil de definir. Cada um tem a sua própria noção, passa muito pelo bom senso de cada um”, acrescentando que “a TVI tem uma grande preocupação em garantir a diversidade na grelha”, razão pela qual, diz, “exibe, actualmente, uma peça de teatro por semana, algo que nem garante grandes audiências”.
Teresa Guilherme, subdirectora da SIC (ficção nacional), esteve incontactável.
A AFIRMAÇÃO DE PENIM
A SIC tem muito de serviço público. A ‘Floribella’ é serviço público porque é um produto nacional, com actores, técnicos nacionais. É um produto que gera riqueza, gera emprego e dinheiro. Em ‘prime time’, ter uma novela portuguesa só pode ser serviço público.
Director de Programas da SIC
FINANCIAMENTO ESTATAL EM QUESTÃO
Francisco Rui Cádima defende que “se uma privada cumprisse o que o contrato de concessão pública da RTP prevê, seria legítimo questionar o financiamento estatal” da estação. O professor de Ciências da Comunicação recorda que “o documento é a grande referência do que deve ser o serviço público de televisão”. O especialista assume que, “muito pontualmente, as privadas até podem cumprir com determinados programas, mas, por norma, não é isso que acontece”. O problema, segundo Cádima, “é que a RTP também tem muito pouco de serviço público na sua programação. Existe um claro incumprimento por parte do canal, que também assenta a sua grelha em estratégias de fidelização horizontal”, leia-se, repetição do mesmo tipo de formatos em períodos horários idênticos. Por isso, defende, “pode-se questionar a lógica e a legitimidade para o Estado não conceder financiamento aos canais privados”. Nuno Santos, director de Programas da RTP, ficou “espantado com a posição de um especialista na área, que conhece diferentes realidades na Europa. Sugiro que o professor estabeleça comparações entre o que faz a RTP e o que se faz em Espanha, Itália e França, considerando as realidades dos países”, não devendo, ainda, ignorar “o estado em que se encontrava a RTP há uns anos”.
LUCIANA ABREU CANTA EM VILA DO CONDE
Luciana Abreu regressa às cantigas dia 26, em Vila do Conde, soube o CM. O primeiro ‘showtógrafo’ inicia-se às 21h30 e no dia seguinte será a vez do segundo, então em Caminha, a partir das 16h30. O grupo interpretará cinco a seis temas, seguindo-se a sessão de autógrafos, que não ultrapassará hora e meia. Antes, mais exactamente dia 15, inicia-se o Festival da Canção ‘Floribella’: diariamente, no programa ‘Fátima’, da SIC, haverá um concurso de karaoke. Duas concorrentes cantarão temas de ‘Floribella’, podendo, ainda, vir a realizar-se uma grande final.
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