Jornalistas do semanário 'Barlavento' demitem-se "em bloco"
Os jornalistas do semanário regional algarvio 'Barlavento' demitiram-se esta quinta-feira "em bloco", devido à grave situação financeira que o jornal atravessa, revelou a chefe de redacção, Elisabete Rodrigues. <br/>
Num email enviado às redacções, Elisabete Rodrigues explicou que a demissão "em bloco" (termo rejeitado pelo director do jornal) foi "o culminar de uma situação que, longe de ser passageira, se arrastava há quase quatro anos, sem qualquer solução à vista" - uma referência a vários meses de salários em atraso - e adiantou que "a ex-equipa do 'Barlavento' não vai ficar de braços cruzados" e "está já preparar um novo projecto".
O 'Barlavento' foi fundado em 1974, é um dos principais jornais regionais algarvios e em 2006 recebeu o Prémio Gazeta Imprensa Regional, atribuído pelo Clube de Jornalistas, tornando-se no único jornal do Algarve galardoado com esse prémio.
"Toda esta afirmação enquanto projecto 100 por cento profissional se deveu ao trabalho da equipa, formada na sua maioria por jovens jornalistas e por jovens designers gráficos. Uns continuaram connosco até terça-feira passada, dia de fecho desta edição, outros há algum tempo que partiram para outros voos. Para mim, foi um privilégio trabalhar com todos eles, porque, se dei um bom contributo à sua formação, também aprendi - e muito - com eles", afirmou a antiga chefe de redação do 'Barlavento'.
Elisabete Rodrigues frisou que o 'Barlavento' "é um grande jornal", mas marcado agora por uma "insustentável situação financeira" e, sobretudo, por "falta de diálogo interno e de vontade de concretizar ideias para mudar a situação".
Em declarações à agência Lusa, o director do 'Barlavento', Hélder Nunes, assegurou que o jornal vai continuar a ir para as bancas e na quinta-feira estará disponível para os leitores, mas escusou-se a revelar que solução foi encontrada para fazer frente à saída dos jornalistas.
Instado a comentar a saída dos profissionais, Hélder Nunes disse que "não se tratou de uma demissão em bloco" e que "os jornalistas saíram para ir para o fundo de desemprego".
"A lei prevê que quem tem dois meses de salário em atraso pode rescindir o contrato. E foi isso que eles fizeram", acrescentou, recusando tecer mais considerações sobre a saída da equipa.
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