Jornalistas e académicos apontam novos desafios ao jornalismo parlamentar

Livro "Jornalismo Parlamentar - 50 anos de uma especialidade jornalística" reúne contributos de 20 autores e testemunhos de jornalistas parlamentares de diferentes gerações.

14 de julho de 2026 às 18:30
Jornalistas e académicos apontam novos desafios ao jornalismo parlamentar Foto: Miguel Baltazar
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Jornalistas parlamentares e académicos alertam, num livro que será apresentado na quarta-feira, para novos desafios desta especialização que tem por missão descodificar, mas também escrutinar, as decisões e debates políticos que impactam a vida de todos.

Coordenado pelo professor e investigador Jaime Lourenço, da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), o livro "Jornalismo Parlamentar -- 50 anos de uma especialidade jornalística", editado pela Tinta da China, reúne contributos de 20 autores da área da Comunicação, História e Ciência Política, bem como testemunhos de jornalistas parlamentares de diferentes gerações, para uma reflexão sobre a relação entre a imprensa e o parlamento.

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"Como fazer um relato parlamentar de uma maneira que seja apelativa para a geração que consome esta terça-feira notícias", questiona-se, no livro, a veterana do jornalismo parlamentar Judith Menezes e Sousa, da TSF, apontando outra inquietação -- "a mistura entre jornalismo e comentário".

"Isso é inevitável e já se nota essa tendência, em que as pessoas parecem preferir o comentário à notícia", observa a mesma jornalista no livro, que será apresentado na quarta-feira na Assembleia da República.

Graça Picão, jornalista na CNN, aponta outro desafio: "Muito daquilo que era a atividade dos partidos no parlamento está a deslocar-se para as redes sociais para chegar às pessoas sem mediação. O desafio não é só parlamentar, é do jornalismo", alerta.

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Outra veterana do jornalismo político-parlamentar, Maria Flor Pedroso, da Antena 1, não tem dúvidas sobre o que é que os jornalistas têm de fazer: "Tem de se ser cada vez mais rigoroso, falhar menos, dizer o que realmente é e não aquilo que parece que é", afirmou.

Em declarações à Lusa, Jaime Lourenço observou que vários estudos internacionais sobre jornalismo e política na era atual defendem um reforço do foco dos jornalistas nas regras e na explicação dos processos legislativos.

"O jornalismo tem como missão dizer aos cidadãos como é que as leis vão impactar as suas vidas. Mas também um jornalismo mais explicativo no sentido de se perceber não só com que propósito é que uma lei surge e que significado é que vai ter, mas também como é que as leis são feitas", disse, sublinhando a "ligação simbiótica" entre o jornalismo e democracia.

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Quanto ao jornalismo parlamentar, disse, é "uma especialidade única e identitária da cultura jornalística portuguesa".

Não há no resto da Europa outro parlamento nacional que tenha sido alterado arquitetonicamente para instalar uma bancada para a imprensa. Foi em 1913, segundo se descreve no livro, que a então Câmara dos Deputados e a Sala do Senado "sofreram obras de adaptação para que os representantes da imprensa nelas tivessem lugar, à esquerda da mesa da presidência, de modo a poderem fazer melhor o relato das sessões".

Uma bancada que se torna pequena para a quantidade de profissionais, não apenas jornalistas, mas também assessores, que a ocupam em dias de debates mais mediáticos, referem alguns testemunhos recolhidos no livro.

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"O jornalismo parlamentar é uma marca indiscutível do jornalismo português", disse, salientando que a presença regular e a liberdade de circulação dos repórteres parlamentares na Assembleia da República oferecem, além da informação aos cidadãos, "um escrutínio e fiscalização mais rigorosos dos poderes".

Apesar da diminuição do número de jornalistas em permanência na Assembleia da República, da diminuição do número de jornalistas nas redações, da precarização da profissão, dos desafios colocados pelas redes sociais, entre outros, "o jornalismo continua a ser forma mais fiável de informar", sustentou.

No prefácio da obra, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, defendeu que, ao longo de 50 anos, o jornalismo parlamentar "deu cumprimento ao direito de informar e ser informado", e foi "uma ponte entre a Assembleia da República e o país, entre eleitos e eleitores", ajudando assim "ao exercício da transparência".

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