Luísa Meireles deixa direção de informação da agência Lusa
Luísa Meireles vai deixar o cargo oito anos depois, perante uma situação "que foi ficando insustentável".
A diretora de informação da agência Lusa, Luísa Meireles, vai deixar a Direção de Informação da agência de notícias, depois de ter aceitado uma proposta de saída feita pelo Conselho de Administração (CA).
"Acabei hoje de manhã de assinar o meu acordo de revogação do contrato de trabalho. Vou-me embora no dia 12", afirmou a diretora de Informação, numa comunicação hoje à redação, explicando que a decisão surge depois de "ao longo do tempo" a situação se ter tornado insustentável.
A responsável disse que a Direção de Informação (DI) sempre procurou ser uma "ponte e a barreira" entre a redação e o CA, defendendo que, durante os oito anos em que exerceu funções, nunca interferiu na liberdade de escolha editorial dos jornalistas.
Segundo relatou, na audição do presidente do Conselho de Administração da Lusa, Joaquim Carreira, na Assembleia da República, em 29 de setembro, assistiu a "um despedimento [...] em direto", com a justificação de que atingirá "o limite legal para estar nestas funções", bem com uma "possível situação de conflito de interesses em relação a ser presidente da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ)".
Ao deputado Paulo Lopes Silva, do PS, Joaquim Carreira respondeu que "não chegou à Lusa qualquer intenção de mudar a Direção da informação", mas acrescentou que "a atual diretora de Informação está a atingir a idade limite legal [para o cargo] e também tem funções na Comissão da Carteira".
Admitiu ainda que "poderá haver alterações", decorrentes de eventuais "conflitos de interesses", mas que a situação [não está] completamente esclarecida".
O PCA adiantou, na altura, que "esses conflitos foram abordados por este Conselho de Administração", estando a CCPJ a fazer "a gestão deste processo também".
Inquirido sobre as "decisões administrativas que permitem interferências do Conselho de Administração em questões editoriais", referidas em anterior audição pelos membros eleitos do Conselho de Redação da Lusa, Joaquim Carreira rejeitou o argumento e explicou que tem havido "um debate entre o Conselho de Administração e a Direção de Informação relativamente a possíveis trabalhadores para determinadas áreas".
Depois disso, Luísa Meireles procurou esclarecimentos junto do CA, tendo este, segundo a diretora, feito uma proposta para a sua saída, que acabou por aceitar.
"A minha resposta é: vou-me embora. Aceito a vossa proposta e vou-me embora esta semana", afirmou.
Sobre a antecipação da saída em cerca de um mês de fazer 70 anos, a redação questionou Luísa Meireles sobre "qual a pressa" do CA, ao que respondeu não saber a razão.
"Mudança de página", disse a diretora, citando o CA.
Na comunicação à redação, a diretora de Informação defendeu ainda a autonomia editorial e afirmou que "a independência" e "a autonomia" da agência estão agora "nas mãos" dos jornalistas.
A responsável agradeceu ainda à equipa da DI e aos jornalistas da agência, reconhecendo, "com certeza, ter cometido lapsos", mas também "aprendido muito" com a redação durante o exercício das funções.
Luísa Meireles acumula desde fevereiro o cargo de diretora de informação da Lusa com a presidência da CCPJ.
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