Patrões dos media a favor da IA e contra a concorrência das plataformas
Francisco Pedro Balsemão, Nicolau Santos e Pedro Morais Leitão juntaram-se em Lisboa para discutir 'O Estado da Nação dos Media'.
As plataformas estão a captar grande parte do investimento publicitário que antes se destinava, sem discussão, aos media ditos tradicionais – e, dessa forma, a “ameaçar o negócio” – e, se há regras, elas “devem impor-se a todos”. Incluindo às plataformas, às quais tudo se tem permitido, “até que passem publicidade a whisky às 10 da manhã”. Eis um dos pontos consensuais do debate ‘OEstado da Nação dos Media’, que teve lugar na quarta-feira no congresso da APDC (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações), em Lisboa, e que contou com prestações de Francisco Pedro Balsemão (CEOda Impresa), Nicolau Santos (RTP) e Pedro Morais Leitão (CEO da Media Capital).
Durante a conversa, que girou em torno dos desafios que se colocam à comunicação social na Era Digital, falou-se de números, com Nicolau Santos a explicar que o prejuízo de 3,9 milhões de euros no exercício de 2025 se deveu, em parte, ao programa de saídas voluntárias (que custaram 7 milhões) e, por outro lado, “a despesas extraordinárias efetuadas para modernizar a empresa”. Otema da IA (Inteligência Artificial) foi discutido, em termos globalmente positivos: Francisco Pedro Balsemão revelou que a estrutura que dirige já usa instrumentos de IA“para rejuvenescer personagens nas novelas” e para “reproduzir vozes” e Nicolau Santos pareceu interessado, sobretudo, no seu potencial para “simplificar a atividade e reduzir pessoal”.
Uma das maiores preocupações dos chefes dos media em Portugal é, porém, a ascensão meteórica do YouTube. Morais Leitão lembrou que no Brasil, esta plataforma representa já 57% do consumo audiovisual e alertou para o facto de a FIFA ter acordado com a rede social a exibição de jogos do Campeonato do Mundo de 2026.
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