Pequenos escravos do Gana
Reportagem de Alexandra Borges, na TVI, foi nomeada para um prémio internacional e está a gerar onda de solidariedade
A grande reportagem ‘Infância Traficada’, sobre a escravatura de crianças no Lago Volta, Gana, assinada por Alexandra Borges, com imagens de Júlio Barulho, deu origem a uma onda de solidariedade que começou com o envio de donativos de anónimos e até pedidos de adopção. Mais tarde, a jornalista da TVI escreveu, juntamente com Luís Figo, o livro ‘Filhos do Coração’ e agora, no dia Mundial da Criança, 1 de Junho, será lançado um CD com um hino, da autoria de Tozé Brito, interpretado por 20 cantores, actores e jornalistas. O trabalho dos dois repórteres, nomeado para um prémio internacional, constituiu 'uma boa oportunidade de dar a conhecer ao Mundo o que se passa no Gana', refere a jornalista.
'A reportagem foi, a nível jornalístico, uma experiência única e deu-me, em termos humanos, algo que nenhum dinheiro do Mundo poderia dar', conta Alexandra Borges.
Quando começou a receber donativos, a jornalista pediu ajuda ao jogador do Inter de Milão. 'Fiquei um bocado assustada, porque não sabia como gerir aquele dinheiro. Então, falei com o Figo e com a sua Fundação para serem eles a canalizar os donativos. Eu não faço ideia de como vamos meter tanto dinheiro no Gana', revela a repórter.
'As vendas do livro estão a correr bem. A primeira edição já vendeu seis mil exemplares. Pelas minhascontas, cada 600 livros vão dar mil euros. Aliás, essas contas estão a ser feitas pelaeditora, pelo que, em breve, espero poder dizer aos telespectadores quanto é que o livro rendeu', salienta a jornalista.
A ideia do livro e do CD é angariar fundos para libertar as crianças que foram vendidas, 'por tuta e meia aos pescadores do Lago Volta pelos próprios pais', esclarece Alexandra Borges, que regressa ao Gana na última semana de Setembro.
QUANTO CUSTA RESGATAR UMA CRIANÇA GANESA?
'Resgatar uma criança custa mil euros e essa verba só dá para um ano num orfanato. Não vamos até lá buscar uma criança e pagar um ano. Temos que garantir, pelos menos, 10, 12, 15 anos. Portanto, preferimos tirar de lá menos miúdos, mas dar-lhes escolaridade, saúde, alimentação e abrigo durante mais tempo. Para isso, preciso de 10 mil euros por criança', afirma Alexandra Borges, que, quando voltar ao Gana, resgatará alguns miúdos e mostrará aos telespectadores como foi aplicado o dinheiro angariado.
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