Presidente da Lusa destaca papel da agência na "coesão nacional"
Joaquim Carreira referiu que, com a "desinformação e desconfiança, o papel da Lusa é hoje mais importante que nunca".
O presidente da Lusa considerou, esta quarta-feira, que a agência de notícias desempenha um "papel fundamental" na coesão territorial, garantindo que os Açores e a Madeira e o interior fazem "parte da agenda informativa nacional".
Joaquim Carreira, que falava em Ponta Delgada, no âmbito de um seminário associado à inauguração da exposição itinerante de 40 anos de fotografia da Lusa, destacou que esta presença é uma "dupla homenagem" à agência e à autonomia dos Açores, que assinala 50 anos este ano.
O presidente do conselho de administração (PCA) destacou o "papel da Lusa na consolidação da democracia", sendo uma "referência da informação e rigor", a par da "factualidade e independência", pilares da agência.
Joaquim Carreira, que considerou os profissionais da agência "o ativo mais valioso" da Lusa, referiu que, com a "desinformação e desconfiança, o papel da Lusa é hoje mais importante que nunca".
O PCA frisou que há que "garantir que os factos prevalecem sobre o ruído a que se assiste".
Joaquim Carreira destacou o "papel fundamental da Lusa na coesão territorial, garantindo que os Açores e a Madeira e o interior fazem parte da agenda informativa nacional".
"Nos Açores, é ainda mais importante [a Lusa] devido à sua insularidade, e a proximidade ajuda a dar visibilidade e aproxima dos grandes centros de decisão, valorizando o seu contributo para Portugal", afirmou.
Joaquim Carreira defendeu que a Lusa "reforça a democracia, a diversidade e a cultura portuguesa" ao ligar o mundo lusófono, tendo anunciado que se pretende "reforçar a posição nos Açores" da agência.
O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, declarou, por seu turno, que os Açores são a "síntese do povo português" dada aos portugueses que habitaram as ilhas, oriundos de várias localidades do país.
Paulo Estêvão considerou que se "desenvolveram identidades específicas em cada ilha", que se devem cultivar, podendo esta realidade coexistir com a unidade arquipelágica.
No âmbito do seminário que antecedeu a inauguração da exposição, o escritor João de Melo defendeu uma "exigência progressiva de justiça social" nos Açores, frisando que ainda atualmente "faz sentido falar de açorianidade", conceito criado pelo escritor Vitorino Nemésio e que traduz a identidade cultural dos açorianos.
João de Melo considerou que os Açores possuem uma "literatura muito rica e dinâmica" com vários vultos nacionais, como Antero de Quental.
O escritor defendeu a necessidade de o país "pensar um pouco nas suas ilhas", tendo preconizado um reforço orçamental para a região, para ressalvar que "o país continental não conhece os Açores".
Nuno Costa Santos, escritor, o outro orador do seminário, considerou que, apesar dos "problemas sociais e económicos gravíssimos nos Açores", valeu a pena a autonomia, tendo-se criado infraestruturas e desenvolvimento essenciais.
"Não faz sentido por em causa a autonomia", porque seria como "dar um passo atrás na democracia," afirmou.
A exposição da Lusa compreende 40 anos de história em fotografia, dez das quais inéditas sobre os Açores, estando patente na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada até 30 de setembro.
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