Profissionais da imprensa francesa manifestam-se em Paris
Objetivo é alertar a opinião pública para a crise do setor, nomeadamente o modelo económico instável e as mudanças relacionadas com a inteligência artificial (IA).
Várias centenas de jornalistas e profissionais da imprensa francesa manifestaram-se esta quinta-feira em Paris para alertar a opinião pública para a crise do setor, nomeadamente o modelo económico instável e as mudanças relacionadas com a inteligência artificial (IA).
O cortejo avançou atrás de uma grande faixa com a mensagem "defendamos a informação, o nosso bem comum ao serviço da democracia", segundo a agência AFP.
"Normalmente, uma greve serve para obter algo muito concreto, como a revogação de uma lei. Neste caso, é pela honra, pelos nossos valores. Temos de dizer aos nossos leitores, ouvintes e telespectadores que a informação está em perigo", declarou à AFP Julien Fleury, repórter da rádio pública Radio France e secretário-geral do SNJ, o principal sindicato de jornalistas do país.
Presente no cortejo, Edwy Plenel, cofundador do 'site' independente de investigação Mediapart, considerou que "quando a informação é atacada, a democracia está ameaçada".
"Há 50 anos que exerço esta profissão, e nunca esteve tão fragilizada", afirmou.
O modelo económico do setor está em crise, devido a uma diminuição do interesse pela informação paga e à perda de receitas publicitárias captadas pelas grandes plataformas digitais.
Por isso, os planos de poupança e os cortes de postos de trabalho multiplicaram-se nos últimos meses, desde a imprensa regional até às revistas.
Entre os casos mais emblemáticos, destaca-se o anúncio de um vasto plano social que prevê a redução de 40% do quadro de pessoal do grupo Prisma (Capital, Geo, Femme Actuelle, Voici), sob a alçada do conservador Vincent Bolloré, segundo a AFP.
O grupo Centre France, que conta com 1.600 trabalhadores distribuídos por oito jornais diários regionais, anunciou em abril o seu sexto plano social em 12 anos.
Os sindicatos receiam agora numerosas supressões de postos de trabalho noutro grupo de imprensa, o EBRA, que edita nove títulos regionais.
O outro motivo de preocupação é a inteligência artificial. A imprensa mantém relações tensas com as grandes empresas de IA, relutantes em pagar para utilizar os seus conteúdos.
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