“Tentei criar a personagem a partir de mim”

Protagonista da série juvenil ‘Lua Vermelha’ (SIC), a actriz, de 20 anos, fala do seu papel com orgulho e humildade. Deseja êxito à concorrência, porque está confiante no seu projecto.<br/>

05 de fevereiro de 2010 às 00:00
“Tentei criar a personagem a partir de mim” Foto: Vítor Mota
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Correio da Manhã - Isabel, em ‘Lua Vermelha’, é a tua primeira protagonista na TV. Como recebeste a notícia?

Mafalda Luís de Castro - Fui ao casting sem esperança nenhuma mas porque acho que nunca se deve faltar a um casting, nem que seja para sermos ‘postos à prova’. Recebi o convite com alguma surpresa, confesso, porque não fazia televisão a sério há algum tempo. Fiquei muito contente por considerarem que tinha perfil para a Isabel. Feliz mas com medo.

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- Acreditavas que podias ficar com o papel principal?

- De início, achei um bocadinho estranho ter sido escolhida, porque não tenho aquilo que é considerado normalmente necessário para ser protagonista de uma série juvenil. Coisas que têm a ver com a aparência física. Mas depressa percebi que estava a trabalhar com uma produtora que procura para além disso. A SP está de parabéns pela luta que tem feito para ser diferente.

- Estás convencida de que a série vai atrair os jovens?

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- Acredito muito neste projecto porque, apesar de o tema estar muito na moda, envolve muito mais do que isso. Nesta série não existem apenas vampiros. Existe uma escola onde acontecem situações normais para pessoas da nossa idade, problemas com que as pessoas se vão identificar, como a bulimia, a violência doméstica, o bullying, a solidão... É preciso também referir as cenas de acção e violência, que vão, de certeza, surpreender os portugueses. A série ganha muito pela qualidade destas cenas, que estão muito bem conseguidas.

- O que gostavas de dizer e ainda não te perguntaram?

- Provavelmente, não sabem que gostava de ser vampira.

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- Que dificuldades encontraste neste papel?

- Talvez tenha sido imaginar a morte dos pais da Isabel, que morreram num acidente. Para conseguir que as cenas em que falo disso funcionassem, tive de imaginar isso a acontecer comigo. É preciso pôr verdade naquilo que fazemos, para as pessoas que nos vêem acreditarem. Também foi igualmente difícil imaginar o meu contacto com vampiros, porque é um assunto tão irreal... Mas esse é o desafio.

- Como te preparaste?

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- Apoiei-me muito naquilo que aprendi no meu curso de teatro. Recordei algumas aulas de dramaturgia, onde aprendemos algumas bases para a construção de uma personagem. Também vi alguns filmes antigos, aconselhada por um grande amigo meu, dramaturgista, onde pude assistir a interpretações brilhantes de actrizes de há muitos anos. Mas não me inspirei em nenhuma em especial. Tentei trabalhar muito com a minha cabeça. Tentei criar a partir de mim.

- Como justificas o gosto por este tipo de ficção?

- Acho muito compreensível esta moda dos vampiros. Na verdade, não é bem ‘nova’, porque os vampiros nasceram no século XIX. Estamos constantemente a ir buscar coisas ao passado e reinventamo-las. Penso que é por isso que este tema tem funcionado tão bem junto dos jovens. Agora, os vampiros são bons, já não dormem em caixões e são imunes ao alho e aos crucifixos. Juntando a isto, temos a história de um amor impossível entre um vampiro e uma humana que funciona sempre.

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- A TVI tem uma série semelhante. Já viste?

- Ainda não vi mas quero ver, e desejo-lhe sucesso também.

- Quando começaram as gravações?

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- Dia 2 de Novembro. E foi muito bom a SIC ter querido fazer isto com muita calma, porque o tema que estamos a tratar, retratar vampiros, não é fácil e poderia cair no ridículo.

AMOR IMPOSSÍVEL: ISABEL E AFONSO

Mafalda Luís de Castro dá vida a Isabel Góis, uma jovem de 17 anos, bastante intuitiva, que se apaixona por Afonso, aparentemente um jovem, mas que na verdade é um vampiro com 186 anos. “Afonso é misterioso, enigmático, humano e luta contra os seus princípios vampirescos. Ele vive perturbado por ter sido transformado e a Isabel é o renascer da vida do Afonso”, explica o actor Rui Porto Nunes.  “Isabel é uma jovem especial, encontra-se numa fase complicada da sua vida (perdeu os pais) e no colégio interno vai encontrar o amor. Ele retribui, mas tanto lhe dá, como lhe tira”, revela Mafalda.

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CICLO DOS VAMPIROS

As personagens interpretadas por Mafalda Luís de Castro e Rui Porto Nunes e a sua história de amor são semelhantes às do filme ‘Twilight’ (‘Crepúsculo’). Na série, a protagonista chama-se  Isabel, tal como no filme é Isabella a personagem de Kristen Stewart. Ambas são humanas, têm 17 anos e estudam num colégio com colegas vampiros, apaixonando-se por um deles. Mas enquanto o filme trata da história de uma família de vampiros, a série da SIC centra-se num grupo de jovens que estuda num colégio, onde também há vampiros. Mafalda Luís de Castro não precisou de fazer pesquisa sobre vampiros para interpretar Isabel, mas viu o filme. “Por acaso, tive curiosidade em ver a saga ‘Twilight’”.

Quanto à comparação entre as produções, diz: “São semelhantes sim, mas gostava que as pessoas ficassem  orgulhosas por estarmos a fazer algo assim em Portugal de uma forma tão inovadora e arrojada”. Virgílio Castelo, consultor da SIC para a ficção, diz que, apesar de “‘Lua Vermelha’ não ser uma história de vampiros, esta ficção sobrenatural tem atraído público mais novo. A história explica-nos que há ciclos. Se calhar agora é o ciclo dos vampiros e daqui a dez anos é o dos cowboys”.

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PERFIL

Mafalda Luís de Castro é natural de Lisboa, onde nasceu a 12 de Agosto de 1989. Filha de jornalistas, tem o curso de Interpretação da Escola Profissional de Teatro de Cascais. Estreou-se na novela ‘Olhos de Água’ (TVI). Participou ainda na série ‘Um Estranho em Casa’ (RTP). Seguiram-se ‘Ana e os Sete’, ‘Meu Amor’, ‘Inspector Max’, ‘Casos da Vida’, ‘Ele é Ela’ e uma participação  especial em ‘Equador’, todos projectos da TVI.

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