Trabalhadores da Lusa manifestam-se a 12 de março se não obtiverem respostas

Resolução dita que os trabalhadores "repudiam a forma como o Governo impôs o processo de reestruturação da empresa e o novo modelo de governação".

26 de fevereiro de 2026 às 16:00
Foto: Direitos Reservados
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Dezenas de trabalhadores da agência Lusa concentraram-se esta quinta-feira à porta da empresa em Lisboa e no Porto, tendo aprovado uma resolução a exigir a revisão dos estatutos e uma manifestação para 12 de março, caso não obtenham respostas.

Em Lisboa, mais de 50 trabalhadores participaram no plenário à porta da sede da empresa, onde discutiram as preocupações e dúvidas relativamente ao futuro da agência e à revisão dos estatutos, culminando na aprovação de uma resolução por larga maioria (dos presentes e também daqueles que participaram virtualmente), tendo contado com 102 votos a favor e uma abstenção.

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A resolução dita que os trabalhadores da Lusa "repudiam a forma como o Governo impôs o processo de reestruturação da empresa e o novo modelo de governação, pouco transparente e sem ter em conta a opinião de quem todos os dias garante o funcionamento da agência".

Assim, os trabalhadores exigem a revisão dos estatutos da Lusa, rejeitam a mudança da sede para o edifício da RTP e sinergias que coloquem em causa a independência funcional da agência, exigem a imediata negociação do caderno reivindicativo e agendam uma manifestação frente à sede do Governo, em Lisboa, para o dia 12 de março, caso até lá não sejam contactados ou que não sejam dados sinais de resposta a estas reivindicações.

Além disso, nesta resolução, também mandatam os sindicatos para fazer chegar ao Presidente da República eleito, aos partidos com assento na Assembleia da República, ao Governo e ao Provedor de Justiça estas preocupações e exigências.

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Susana Venceslau, dirigente e delegada sindical do Sindicato dos Jornalistas, alertou para a "ingerência política" que estas medidas trazem, reiterando que os trabalhadores "não vão parar" enquanto não forem ouvidos.

Entre as principais preocupações dos trabalhadores está o facto de a agência passar a ter três administradores "que são nomeados diretamente pelo Governo", bem como a criação de um conselho consultivo de 13 membros com apenas dois representantes dos trabalhadores e a determinação de que a Direção de Informação pode ser ouvida com regularidade na Assembleia da República.

A delegada sindical defendeu que "a linha editorial tem que ser independente e o jornalismo não é para ser escrutinado pelo poder político".

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Existem também questões na reestruturação da empresa, nomeadamente uma "intenção que não foi transmitida de forma oficial" de tirar a Lusa da sua sede atual em Lisboa para ir para a RTP.

Para Susana Venceslau, este é "um passo para desmantelar a empresa", deixando de ter um "edifício próprio, independente, e passa(r) a ser um piso na RTP, de hoje para amanhã".

A responsável destacou ainda que o Governo "tem feito todo este processo às escondidas, no segredo do seu gabinete, e quando as coisas aparecem já é como um dado adquirido", reiterando que os trabalhadores querem ser tidos em conta nas decisões.

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O plenário de esta quinta-feira contou com intervenções dos delegados sindicais, representantes da Comissão de Trabalhadores (CT) e do Conselho de Redação e também de trabalhadores, tanto presencialmente como à distância, sendo que cerca de 40 pessoas, espalhadas pelo país e também nas delegações internacionais, assistiram ao plenário através da plataforma Teams.

Na concentração em Lisboa, marcaram também presença a deputada do Livre Filipa Pinto, bem como uma representante do PCP, Bárbara Carvalho, que manifestaram solidariedade para com os trabalhadores da Lusa e preocupação com a situação que a agência atravessa.

Numa altura em que existem receios com uma eventual mudança da sede para o edifício da RTP e sinergias, um representante da Comissão de Trabalhadores da RTP, Manuel dos Santos, compareceu neste plenário, sinalizando que os receios são partilhados e expressou apoio à luta dos trabalhadores da Lusa.

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Na delegação do Porto, a redação da Lusa ficou vazia, tendo-se mais de uma dezena de trabalhadores concentrado à porta das instalações.

Jorge Eusébio, membro da CT da Lusa, afirmou que os trabalhadores da Lusa Porto "não faltaram à chamada", demonstrando que "estão preocupados com o futuro e a independência da Lusa".

Para Susana Venceslau, esta participação dos trabalhadores nas concentrações, a par da aprovação da resolução sem votos contra, demonstra "como as pessoas estão cada vez mais conscientes dos perigos e do que se está a passar".

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Os sindicatos representativos dos trabalhadores da Lusa também questionaram a Comissão Europeia acerca da possibilidade de abrir um procedimento para apreciar o cumprimento do direito europeu na reestruturação e novo modelo de governação da agência.

O Conselho de Administração da Lusa disse esta quarta-feira que iria agendar reuniões com a CT e com os sindicatos para esclarecer eventuais dúvidas relativas ao plano de modernização da empresa.

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