Trabalhadores da SIC contra aumento de ordenados de administradores
Revisão salarial dos cargos de 'topo' constrasta com recusa de aumentos salariais para os trabalhadores.
Os trabalhadores da SIC criticaram a proposta de revisão das remunerações dos administradores do grupo Impresa, considerando contraditório que a empresa alegue “constrangimentos financeiros” para justificar a “recusa de aumentos salariais para os trabalhadores”, enquanto prevê reforçar os vencimentos e benefícios dos cargos de ‘topo’. A posição foi expressa pela Comissão de Trabalhadores (CT) da estação num comunicado interno divulgado antes da assembleia-geral marcada para ontem. Segundo os trabalhadores, a proposta transmite a ideia de que existem recursos para valorizar os dirigentes, mas não para reconhecer o esforço dos restantes colaboradores.
Francisco Pedro Balsemão, presidente do conselho de administração poderá passar a receber 385 mil euros anuais (antes recebia 280 mil), além de prémios plurianuais dependentes de objetivos. Os restantes membros da comissão executiva terão remunerações fixas entre cerca de 189 mil e 255 mil euros. A administração da Impresa esclareceu ao CM que a proposta foi “elaborada pela Comissão de Remunerações, um órgão independente”, e garantiu que, no balanço global, as alterações “representam uma poupança para a empresa”, lamentando que “a CT não tenha procurado obter esclarecimentos sobre o tema antes de enviar um comunicado interno”. O grupo argumenta que os reajustes refletem novas responsabilidades e seguem critérios alinhados com o mercado.
A tensão entre trabalhadores e administração remonta a fevereiro, quando os funcionários pediram uma atualização salarial pelo menos equivalente à inflação, mas a direção respondeu que a prioridade era assegurar estabilidade financeira, preservar postos de trabalho e criar condições para o crescimento do negócio.
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