Trump quer dinheiro pelas suas publicações nas redes sociais
Líder norte-americano pede cem mil dólares por mês aos negociadores na bolsa para acesso antecipado às suas publicações.
O presidente dos Estados Unidos começou, nesta segunda-feira, a cobrar dinheiro aos profissionais de Wall Street para terem acesso antecipado às suas publicações na rede social Truth Social – que o líder americano controla. A ideia é óbvia: como aquilo que Donald Trump diz influencia diretamente os mercados, os investidores poderão fazer grandes negócios tendo acesso às suas tiradas, que fazem subir ou descer dramaticamente o preço das ações transacionadas em bolsa. Para tal, ‘só’ têm de estar dispostos a pagar até cem mil dólares (cerca de 91 500 euros) por mês. O plano foi anunciado em julho e posto em execução no sábado, dia 1 de agosto, sendo que o mercado bolsista só começa a funcionar em pleno na segunda-feira.
Para já, desconhece-se o impacto que a medida teve, mas os especialistas perspetivam grandes lucros para a empresa de Donald Trump, enquanto os detratores questionam a legalidade da mesma e alegam que se trata de um abuso de informação privilegiada (insider trading). Os Senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff submeteram pedidos oficiais às autoridades que regulam a atividade bolsista para avaliar se este serviço viola, ou não, as leis dos valores mobiliários dos EUA. Já há empresas que vendem posts nas redes sociais, mas aqui não se trata de distribuir notícias, mas sim de as gerar, agitando deliberadamente os mercados sempre que Trump publica alterações de políticas sobre todos os assuntos: desde a guerra com o Irão à implementação de mais tarifas.
“Se fosse o CEO de uma empresa pública, isto daria pena de prisão”, notou Irene Aldridge, chefe da empresa de consultoria financeira Able Alpha Trading, que não tenciona comprar o serviço. “Temos um Presidente que tem lugar na primeira fila para toda a ação, que toma as decisões, e está a revelar tudo antecipadamente a um grupo selecionado.”
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