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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Sócrates escolheu direção do JN

Semanário ‘Sol’ revela conversas.

21 de fevereiro de 2016 às 01:00

O homem certo, no lugar certo. Ou lugares certos, tanto fazia. Afonso Camões estava disposto a tudo. Ser diretor do ‘DN’, do ‘JN’, ou de ambos.

As escutas do processo Marquês, que este sábado o semanário ‘Sol’ revelou, não deixam dúvidas. "Era bom que eles percebessem que eu sou um joker em qualquer posição para mandar. E que também sei que um general prussiano não se amotina", dizia Camões a Sócrates, pedindo que aquele interferisse na escolha de Proença de Carvalho.

O semanário ‘Sol’ revela mais conversas. Como outra, mantida entre José Sócrates e Proença de Carvalho: "Olhe, meu caro, você precisa de um tipo que em qualquer circunstância não faça perguntas e obedeça. E olhe que não tem ninguém melhor em termos de currículo e de lealdade: é daqueles que sabem fazer as coisas."

O currículo de Afonso Camões era invejável em termos de ‘lealdade’. As mesmas escutas, agora reveladas, mostram ainda Camões a ler a Sócrates as notícias da Lusa que iriam ser escritas para desmentir o CM

Outra escuta revelada pelo semanário ‘Sol’. Com Camões a dirigir os dois jornais, eram precisos homens de confiança enquanto executivos. E para o ‘DN’ a escolha era óbvia: Ferreira Fernandes. "A solução é o homem da última página, com reputação e aceitação da redação", desabafava o ex-governante a Afonso Camões.

Leia a opinião de Octávio Ribeiro, diretor do Correio da Manhã, sobre este tema: Vergonha da ERC

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