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A verdade sobre a era de ouro dos piratas

Os feitos de homens cruéis e destemidos são recriados à luz da investigação histórica.

14 de julho de 2006 às 00:00

O pirata Black Bart (Baronete Negro) morreu em 1722, atingido por um tiro de canhão na garganta. Terminou assim uma ‘brilhante’ carreira, assinalada pela captura de 456 navios. O personagem em questão foi uma figura real, histórica, cujo verdadeiro nome, Bartholomew Roberts, ninguém conhece. O seu desaparecimento marcou o início do fim da era da pirataria.

É esta realidade que o Canal de História quer dar a conhecer com algum pormenor através do documentário em dois episódios ‘Os Autênticos Piratas das Caraíbas’. A exibição, concretizada seis dias antes da estreia no nosso país do filme ‘Piratas das Caraíbas – O Cofre do Homem Morto’, é feita com o propósito de “explorar uma série de histórias espectaculares, separando os factos reais dos pormenores românticos idealizados tanto nos livros como no cinema”.

A realidade da pirataria é tão crua que nada fica a dever ao produto da pródiga imaginação dos argumentistas de filmes e romancistas. Filmado em alta definição na Califórnia e em Porto Rico, o documentário propõe-se mostrar algumas figuras famosas de verdadeiros piratas e reconstituir o modo como actuavam.

No seu tempo, a invencibilidade de Barba Negra (ver caixa), interpretado pelo actor Patrick Lander, adquiriu foros de veracidade de difícil contestação. Ficou assim registada na lenda a suposta vinda à tona do seu corpo ferido de morte, por sete vezes, antes de ter desaparecido de vez. O documentário faz uma reconstituição dos acontecimentos da chamada era de ouro da pirataria nas Caraíbas, descrevendo a forma como este fenómeno se desenvolveu e, depois, decaiu.

Tim Prokop, argumentista, realizador e produtor de ‘Os Autênticos Piratas das Caraíbas’, orientou o trabalho dos actores de forma a associar o realismo à espectacularidade. A filmagem dos assaltos e batalhas foi feita com a intenção de as tornar credíveis. Nos séculos XVI e XVII, a pirataria assumiu várias formas, uma das quais chegou mesmo a ser tolerada pelos poderes constituídos.

É o caso de Hanry Morgan (1635-1688), evocado no documentário do Canal de História, que se bateu pelos interesses da coroa britânica contra os espanhóis nas costas da América do Sul. A sua actuação fora da lei, dando provas de coragem desmedida, inflingiu graves prejuízos a poderosas cidades e colónias espanholas.

Apesar disso, terminou os seus dias pacificamente em Londres, ao que se julga vitimado por tuberculose. À luz dos interesses em jogo, estaremos, nesta situação, perante um tipo de personagem histórico que poderá ser caracterizado com maior exactidão como mercenário e não propriamente pirata.

OS AUTÊNTICOS PIRATAS DAS CARAÍBAS

Produção realizada com meios avultados estreia hoje em mais de 130 países de 20 línguas. Os dois episódios, cada um dos quais com uma hora de duração, são exibidos em sequência.

Dia: Sexta-feira

Hora: 21h00 e 22h00

BARBA NEGRA, TERROR DOS MARES

Edward Teach (nascido em 1680), o terrível Barba Negra, destruiu centenas de barcos em dois anos de terror. Morreu em 1718 com cinco tiros e 20 facadas.

Vestidas por vezes de homem, Anne Bonny e Mary Read foram piratas temíveis sob o comando de Calico Jack Rackham. A gravidez salvou-as da forca.

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