Fernanda Serrano e João Reis viveram um grande amor em ‘Amanhecer’ e vão voltar a trocar carícias em ‘Dei-te Quase Tudo’. Cenas que a ficção copia da vida real.
Ainda eram solteiros quando protagonizaram um tocante caso de amor na telenovela ‘Amanhecer’, exibida na TVI. Fernanda Serrano assumia então o papel da prostituta Anabela e João Reis era o professor Luís Carlos, um homem tímido e culto que lhe oferece uma vida nova. Passados três anos, os dois actores revivem a paixão como principal par romântico do enredo de ‘Dei-te Quase Tudo’, a nova novela da TVI.
A ficção recupera assim dois rostos mediáticos da televisão que ao viverem um romance se preparam para arrebatar o imaginário colectivo. Mas, tal como na vida real, os amores nas telenovelas são cada vez menos eternos e cada vez mais tumultuosos. Para João Reis, “o romance é o grande motor dos enredos de todas as novelas”. O actor, que casou este Verão com Catarina Furtado, explica à Correio TV: “A novela é uma espécie de literatura barata e apetecível. E, como em quase toda a literatura, os romances entre as pessoas são a parte mais dinâmica e mais interessante das estórias. Neste sentido, a novela não foge à regra”.
Reconhecendo que, hoje, a “sociedade é menos conservadora e as relações entre as pessoas libertaram-se”, João Reis acrescenta que “os autores têm feito um esforço para acompanhar os tempos”. Fernanda Serrano, ainda antes das gravações, admitiu à Correio TV que o romance é fundamental na sua vida e que as cenas de ficção não afectam a realidade nem o seu casamento com Pedro Miguel Ramos. “Nós apoiamo-nos muito um ao outro. Conciliamos as nossas vidas com muito jeitinho e capacidade de organização”.
O empresário e apresentador, que admira “tudo” em Fernanda Serrano, não quis comentar o trabalho da mulher. “Não vejo telenovelas, pois não fazem o meu género. E também acho que não é importante tecer comentários”, disse. Para Dalila Carmo, a Júlia da telenovela ‘Ninguém como Tu’, que agora chegou ao fim na TVI, “o romance é um tema muito central em relação a todas as outras estórias, e com o qual toda a gente se identifica. Os telespectadores gostam de acompanhar as relações das personagens, ver a química entre actores. E chegam a viver muito intensamente os amores entre os pares românticos”. Outra actriz, Lídia Franco, é peremptória quando diz que “não pode haver novela sem romance.”Se a telenovela é o espelho da vida, da realidade, tem forçosamente de ter a componente do romance”.
Lídia Franco, que em ‘Nunca Digas Adeus’ viveu uma relação com um homem mais novo (personagem interpretada por Nuno Homem de Sá), adverte que “não há romances idílicos” e que o “amor é eterno enquanto dura”. “Antigamente, as pessoas namoravam, casavam, tinham filhos e viviam juntos até ao final da vida. Mas hoje assiste-se a uma grande mudança e é natural que ela esteja reflectida nos romances das telenovelas por forma a que o público se identifique”, explica. Dalila Carmo concorda: “Já ninguém morre por amor, mas em cada romance falhado há sempre uma morte simbólica. E, apesar de hoje em dia as pessoas já assumirem as suas responsabilidades e enfrentarem as consequências, continuam a sofrer contrariedades por razões sociais ou de ordem religiosa. Ainda existem preconceitos”.
E para o actor nem sempre é fácil assumir esse papel. Alexandra Lencastre, que na telenovela ‘Ninguém como Tu’, interpretou das cenas mais ousadas da ficção portuguesa, sublinha: “As pessoas pensam que os actores ficam excitados nas cenas de sexo, mas não é verdade. Toda a gente fica constrangida e meia parva, dizem-se coisas só para disfarçar.”
E qual é a opinião dos argumentistas sobre o assunto? Tozé Martinho, autor de ‘Dei-te Quase Tudo’, está seguro do papel do romance nas telenovelas: “Todos os elementos da vida, que têm força, podem ser elementos propulsores. Mas o amor é emoção e o sentimento mais forte que o homem tem. O amor moveu montanhas ao longo da História. E acho que ainda hoje move...” Mas a existência de um romance, por si só, não garante o sucesso. “Muitas vezes, as histórias dos romances são meros relatos de emoções sem qualidade narrativa. Ou então têm uma história que se projecta e se resolve sem qualquer acção”, refere.
O argumentista realça que a criação de um romance e a construção das personagens que o compõem, têm “grande importância criativa”. Sobre a sua última novela, ‘Dei-te Quase Tudo’, diz-se ser inspirada no romance de Romeu e Julieta. Tozé Martinho desmente uma eventual relação entre os textos mas assume algum paralelismo em parte da narrativa: “Não temos os Montechccio de Verona e os Capoletos de Cremona... Desta vez são os Capelo do Porto e os Monteiro de Lisboa.”
Nos últimos tempos, as relações amorosas entre personagens de TV têm sido apresentadas de forma substancialmente diferente. Manuel Arouca, autor de ‘Baía das Mulheres’, tem uma explicação simples: “Neste momento, as pessoas precisam de uma identificação e não de sonhar. O retrato social actual aponta para uma sociedade mais instável. A sociedade portuguesa vem-se alterando há mais de uma década.
O número de divórcios aumentou e a própria relação entre os miúdos mudou, por exemplo.” Por isso mesmo, os enredos do “novelão”, como o argumentista refere, tornam-se previsíveis aos olhos do público. ”Isto é como tudo na vida. A habituação satura. E foi o que aconteceu com as telenovelas”, diz Manuel Arouca. O argumentista entende que essa identificação ao real não acontecia porque o público ainda mantinha o sonho do grande romance e do grande amor.
No entanto, Manuel Arouca considera que esse género de novela, mais relacionada com o grande romance, apenas surge em Portugal com ‘Jardins Proibidos’: “Até lá, a maioria das novelas eram policiais, com uma intriga mais próxima do mistério e de acontecimentos ocultos do passado.” Hoje segue-se a tendência brasileira, com uma narrativa centrada em temas mais actuais e fracturantes.
Mas embora considere que as pessoas estão hoje identificadas com outros modelos de telenovela, isso não o conduz a uma desvalorização do romance: “Nada me diz que uma novela centrada num grande amor não venha a ter grande sucesso. Até porque não há receitas específicas para que tal aconteça... Essencial é conseguir que o público se identifique com a história, com a sua acção e com os locais onde se desenrola.”
No papel de Luís Carlos, um pacato professor, João Reis recuperou Anabela (Fernanda Serrano) que se prostituia nas ruas.
'NINGUÉM COMO TU'
Interesses uniam Luísa (Alexandra Lencastre) e António (Homem de Sá) . Só a morte do empresário pôs fim ao romance.
'O TEU OLHAR'
Um acidente une Margarida (Sofia Alves) e Miguel (António Pedro Cerdeira), o médico que lhe devolve a visão.
'ANJO SELVAGEM'
Pedro (José Carlos Pereira) e Mariana (Paula Neves) protagonizaram o caso de amor mais longo da ficção portuguesa.
'FILHA DO MAR'
Nos Açores desenrolou-se o romance entre Salvador (Marcantónio Del Carlo) e Marta (Dalila Carmo).
'SABER AMAR'
Romance entre o viúvo João Pedro (Marcantónio Del Carlo) e Diana (Leonor Seixas), bióloga apaixonada por golfinhos.
'MULHERES APAIXONADAS'
Edwiges (Carolina Dieckmann) prendeu o coração de Cláudio (Erik Marmo) e do público que acompanhou a novela.
'CELEBRIDADE'
O amor que unia Maria Clara (Malu Mader) e Fernando (Marcos Palmeira) triunfou apesar das sucessivas ciladas.
ROMANCE NA FICÇÃO E NA VIDA
Um dos últimos trabalhos que João Reis fez em televisão (RTP) foi a série ‘A Ferreirinha’. Nesta produção, e na pele de Camilo Castelo Branco, contracenou com Catarina Furtado que interpretava Ana Plácido. Foi nesta série que o casal se apaixonou. João Reis assinou trabalhos no teatro, na televisão, no cinema e na rádio. Na RTP fez as séries juvenis ‘Riscos’ e ‘Crianças SOS’ e a novela ‘Senhora das Águas’. Na TVI destacou-se com ‘Amanhecer’.
ACTRIZ E MÃE DE FAMÍLIA
Natural de Estremoz, Alentejo, Fernanda Serrano está casada com Pedro Miguel Ramos, empresário e apresentador, de quem tem um filho, Santiago, de nove meses. A actriz é um dos rostos mais bem pagos no universo da publicidade e tem um contrato de exclusividade com uma instituição bancária. Fernanda Serrano, que era manequim, estreou-se em televisão com ‘Noite de Reis’ (RTP). Em 1997 integrou o elenco da telenovela ‘A Grande Aposta’ e, depois, ‘Os Lobos’. Na TVI fez ‘Jardins Proibidos’, ‘Filha do Mar’ e ‘Queridas Feras’. No cinema destaca-se ‘Jaime’ e os telefilmes ‘Um Passeio no Parque’ e ‘Alta Fidelidade’.
JOÃO REIS, ACTOR
Profissão: actor.
Idade: 40 anos.
Outros trabalhos: ‘Um Hamlet a Mais’ (Teatro) e ‘Sapatos Pretos’ (Cinema).
FERNANDA SERRANO, ACTRIZ
Profissão: actriz.
Idade: 32 anos.
Outros trabalhos: ‘Academia dos Famosos’ (TVI) e ‘Olhó Vídeo’ (TVI).
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