<p align="justify" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span lang="ES-TRAD">No papel de César, um traficante de droga e líder de um gang, pedro barroso aprendeu a manusear armas numa novela que diz ser "ousada", pela temática e linguagem</span><font size="2" color="#ffffff"><font size="2" color="#ffffff"></font></font>
Fez ‘Doce Tentação’, que ter-minou recentemente na TVI. Qual a recordação mais forte da novela?
A mudança que a personagem sofreu no enredo foi muito interessante de trabalhar. Esta dinâmica deu-me outro ânimo. O ‘Miguel’ era mais vilão no começo, mas depois começaram a dar-lhe um chá e ele entrou numa loucura romântica atrás da personagem da Jessica Athayde. O ‘Miguel’ tornou-se uma espécie de romântico à moda antiga.
Que opinião tem da abordagem meio fantasiosa da novela ?
A história era um antidepressivo para a crise. Aquele universo fantástico funcionou e, durante algum tempo, chegámos a ser líderes de audiência, o que significa que a aceitação do público foi boa. A novela tinha uma linguagem um bocadinho mais transversal, havia diferentes faixas etárias a ver.
Fazer uma novela durante meses é o mais pesado deste trabalho?
Faz parte. Pode ser custoso ou não, depende do papel, da novela, da aceitação do público… pode ser desgastante ou motivador.
Está a fazer ‘ Mundo ao Contrário’ há um mês e meio. Qual é o balanço?
Estou a gostar muito deste desafio. Temos todos muita vontade de mudar, de trabalhar o conteúdo da novela de uma forma diferente e esta toca um tema interessante que é o fosso entre classes sociais.
Qual a mais-valia desta nova aposta da TVI?
Esta novela é mais ousada. Em termos de guião. De temática. O texto está bem escrito, as cenas são fluidas, os conflitos têm resolução rápida, o que obriga o elenco a estar muito atento ao guião. Isto é muito motivador. Os autores esmeraram-se e esta parte é supervisionada pelo Moita Flores.
O César é traficante de droga. Como foi compô-lo?
Além de traficante é um ser humano. Estou a gostar muito de trabalhar a faceta humana do César, porque qualquer vilão tem os seus valores. Ele é traficante, líder de um gang, mas protege a família e a população do bairro onde vive e que o respeita.
A personagem estava bem definida no texto?
As personagens desta novela foram-nos muito bem apresentadas. Tinham passado, ligações e referências familiares. Tudo está bem definido.
Que outros cuidados teve na preparação?
Antes da novela arrancar e depois, fora do horário de ensaios, estive num bairro social, conheci algumas pessoas, apanhei expressões, visionei trabalhos e decidi fazer kickboxing para ganhar maior dureza física. Estas aulas privadas ajudaram-me muito. Decidi ter também aulas de boxe no estúdio do Paulo Seco, em Alcântara. Tudo me ajudou a filtrar o que poderia ser importante para a personagem. Nesta novela nada foi feito ao acaso, e há uma mensagem muito bem alicerçada no enredo, que aborda temas que exigem sensibilidade, não basta falar de drogas e traficantes.
A novela deve ter um papel social?
Deve. Há um cuidado a ter com as camadas mais jovens do público que nos vê, não ferir suscetibilidades, mas não deixando de mostrar o que é importante. É preciso falar das coisas, mas com credibilidade.
O guarda-roupa ajudou a vestir a personagem?
O figurino ajuda sempre. Mas nos locais que visitei não encontrei um estereótipo. Tive a possibilidade de falar com pessoas que se calhar têm muito mais valores humanos do que pessoas que se sentam à mesa comigo de fato e gravata. Por isso o guarda-roupa poderia ser qualquer um. Mas esta foi uma boa escolha.
Que foi da sua lavra na composição do César?
Sugeri cortarem--me a sobrancelha e fui a Fátima onde comprei um rosário que o César usa ao pescoço. Escolhi também alguns anéis… mas tudo isto é um trabalho de equipa.
Enquanto líder de um gang de traficantes manuseou armas?
Tivemos uma pequena formação em estúdio para aprender a manusear armas.
Fez ‘Morangos com Açúcar’ em 2006. O que recorda da série ?
Tinha feito algumas coisas antes, a série ‘PICA’ na RTP 2, e uma ou outra participação na TVI, mas os ‘Morangos’ foram um marco. Era uma série juvenil de sucesso. Conheci aí o Tó Melo que foi um ótimo diretor de atores e formador. Foram importantes os valores que ele passou ao elenco de pouca idade. Recordo ainda que gravámos em Odeceixe, um local lindíssimo que já conhecia. Havia um espírito diferente e aprendemos todos muito.
Fez amizades especiais ?
Amigos faço-os fora do trabalho. Já é bom quando existe compatibilidade profissional e bom ambiente. Neste caso o projeto flui melhor e ficam sempre boas recordações. Nunca tive mau ambiente nas novelas onde trabalhei.
Que relação tem com a moda?
Nunca quis fazer desfiles, nunca quis apostar na moda. Aceitei fazer uns trabalhos, mas nunca tive essa ambição.
Qual foi o seu primeiro trabalho na moda?
Fui a um casting e ganhei logo um trabalho relacionado com cabelos. Tinha uns 18 anos, e andava cheio de piercings. Tenho muito prazer em fazer a Moda Lisboa pelo Nuno Gama, porque reconheço a qualidade do trabalho dele. Acho que veste muito bem os homens.
Como é a sua relação com o dinheiro?
Poupo quando tenho de poupar, gasto quando tenho de gastar. Não sou consumista, não compro roupas... mais depressa gasto dinheiro oferecendo um jantar na minha tasquinha, onde como bem e pago pouco.
É adepto do Belenenses?
Não gosto de futebol. O meu desporto de eleição é o basquetebol. O meu pai sempre me tentou incutir o Belenenses até ao dia em que decidi ver em que lugar estava o clube na liga de futebol... O ano passado fui ver uns jogos do Sporting, este ano vou ver do Benfica porque o meu irmão me arranja os bilhetes. Como o Belenenses vai subir de divisão para o ano vou ver os jogos deles. Não percebo nada de futebol. Antes de ir ver um jogo tenho de fazer sempre um workshop, para estar à vontade no estádio e poder mandar uns ‘bitaites’ e dizer ‘olha lá vai o Ola John’.
Interessa-se por política?
O discurso político não me encanta nem me desencanta. Estou na fase de alheamento.
É fã da Liliane Marise, a personagem da Maria João Bastos em ‘Destinos Cruzados’?
Vejo pouca televisão. Mas a TVI está de parabéns, está a ser um sucesso.
Como lida com o facto de ver mais notícias sobre as suas relações amorosas do que sobre o seu trabalho?
Há uma frase que vou plagiar: "Podes ser rei do teu silêncio e não escravo das tuas palavras". Quando falam sobre mim, não vem uma única palavra minha. As minhas últimas entrevistas foram de trabalho. Nunca em nenhuma delas falei de uma única namorada ou sequer alimentei qualquer história em torno do assunto.
Perfil
Pedro Barroso tem 27 anos. Destacou-se na quarta temporada de ‘Morangos’. Integrou o elenco de ‘Meu Amor’, vencedora de um Emmy, e a série de comédia ‘Um Lugar para Viver’ (RTP 1), entre muitos trabalhos de ficção. Tem três incursões no cinema.
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