Seguida por um cortejo de fãs onde quer que se encontre, a actriz gostava de trabalhar em Portugal
A Glória é considerada a dama das novelas…
... Isso é bondade do público.
Apesar do seu notável estatuto na televisão, veio a Manaus, como convidada de honra de um festival de cinema. Recentemente, esteve também em Portugal como convidada da Mostra a apresentar uns filmes…
Sim, com os meus três filmes recentes que fiz com o Daniel Filho, ‘O Primo Basílio’, ‘À Partilha’ e ‘Se Eu Fosse Você’.
Como sente esse diálogo entre o cinema e a televisão na sua carreira?
Farei filmes sempre que me convidarem. Sobretudo se for um projecto que tenha a ver comigo, com a minha procura, com novos desafios. Já trabalho nisso há muitos anos e por isso começamos, não só à procura de qualidade, mas também das oportunidades. Tudo parte de trabalhar com pessoas talentosas, experientes e com uma produção direita. Não é tanto pelo dinheiro, o que interessa é ter uma visão artística. E se puder ter novos desafios, melhor.
Começou a sua carreira muito cedo...
Foi com quatro anos.
Em casa já tinha essa proximidade, através do seu pai. Quando sentiu despertar aquele clique para esta vida?
Ver o meu pai caracterizando-se para os novos personagens era algo que me atraía de mais. No entanto, morria de medo de tudo aquilo. Comecei a forçar para me sentir à-vontade e demorei muito.
Complementou esse treino com algum estudo dramático?
Foi mesmo na vida. Fui trabalhando e observando. Primeiro, tinha o desejo de realizar aquela tarefa com alguém que admiro, depois a proximidade, gostar do meio e sustentar-me com isso foi um grande incentivo.
Iniciou a sua carreira nos anos 70...
Sim, em meados dos anos 70. Foi nessa altura que comecei a minha carreira nas novelas, pois antes não houve nada assim tão relevante.
O seu primeiro grande sucesso foi ‘Dancing Days’…
Foi quando comecei a perceber quem eu achava bacana.
Muita gente, muitos actores. Mais mulheres do que homens, claro. Gostava muito da Beatriz Segall, da Joana Fomm, da Yara Amaral, Eloisa Mafalda, da Sónia Braga, que foi uma referência muito importante para mim. Eram as actrizes que mais admirava e que me atraíam quando apareciam na televisão.
Como é que aconteceu a sua entrada para a Globo?
A primeira coisa que fiz para a Globo foi um teste onde não fui aceite. Comecei aos quatro anos na TV Excelsior, em São Paulo. Depois, quando nos mudámos para o Rio de Janeiro iniciei um teste para essa novela em que não fui aceite, a seguir, a produtora de elenco falou com o meu pai. Eles queriam uma menina da cidade, com sete ou oito anos, que dançasse ballet, para uma novela que ia começar. Não era um papel muito importante, pois nessa altura as crianças ou adolescentes não tinham a importância televisiva de hoje.
Foi a primeira versão da ‘Selva de Pedra’.
Depois nunca mais parou…
Fiz algumas coisas, algumas com o meu pai, até que veio o teste para o ‘Dancing Days’.
Foi aí também que conheceu o Fábio Jr.?
O Fábio acho que foi depois.
Isso.
Como aconteceu esse encontro com o Fábio, que veio a ser o pai da sua primeira filha, a Cléo.
Não vou falar do Fábio. Desculpa.
De qualquer forma, imagino que fosse complicado para uma actriz que vive tantos papéis dramáticos, mas também românticos, mantê-los estritamente na tela?
Isso é o normal, pelo menos é o que se espera.
Na sua vasta carreira, quais são as personagens de que mais se orgulha?
Na televisão, tenho muito carinho pelo ‘Dancing Days’, lógico. Foi o primeiro trabalho importante que eu tive. Era uma personagem muito rica, muito bem escrita. Tenho muito carinho por essa personagem e pela novela. Gosto também muito da Maria de Fátima de ‘Vale Tudo’, gosto das gémeas Rute e Raquel de ‘Mulheres de Areia’, do ‘O Memorial de Maria Moura’. São trabalhos em que gosto do todo e não especialmente do meu trabalho.
Terão sido esses os trabalhos onde também sentiu os maiores desafios enquanto actriz?
Sim, de certa forma.
Sente um maior desafio em interpretar uma vilã complexa ou uma boazinha?
Não vejo isso dessa forma. Digamos que uma personagem de vilã tem mais espessura, mais nuances. Nesse sentido, pode ser mais interessante e surpreendente para o espectador. Sobretudo se estiver bem escrita. Isso é mais importante.
Como definiria o seu método de representação?
Pesquisa. Essa é a parte que mais gosto. Todos os trabalhos que fiz, até mesmo agora ‘O Primo Basílio’, é descobrir como é essa pessoa. De que forma ela se comporta, como se veste. Como existe. Isso é muito atraente para mim.
Considera-se uma actriz perfeccionista?
Sou, mas não neurótica. Tenho uma vida particular muito boa. A minha vida pessoal é deliciosa. Adoro estar na minha casa, com o meu marido, com os meus filhos. Adoro viajar com eles e não fazer nada com eles. O trabalho é uma parte que me dá muito prazer. Sinto-me privilegiada por conseguir sobreviver com uma coisa que adoro fazer. Claro que procuro fazer sempre melhor. Mas não sou aquela pessoa que come e dorme e vive no trabalho. Respeito quem vive assim, mas eu não vivo assim.
Em Portugal já vimos ‘Paraíso Tropical’. Como descreveria a sua personagem nesta novela?
É mais uma óptima personagem escrita pelo Gilberto Braga. Gosto quando ele escreve sobre esse tipo de mulheres, que não são chatinhas e têm uma boa noção da realidade, da vida. São honestas, vivem com o trabalho, com o pai, com a mãe, com o filho, com o namorado. Ele escreve muito bem esse tipo de personagens. Fiquei feliz quando me chamou para participar, porque já não fazia uma novela ou qualquer trabalho com o Gilberto há 15 anos. E ele foi uma pessoa muito importante na minha vida artística. Foi muito bom fazer uma personagem que não tinha peso. Foi muito interessante.
Como foi voltar a contracenar com Reginaldo Faria e outros veteranos das novelas?
Foi de mais. É uma pessoa que eu amo. Mas também com a Débora Duarte, que não conhecia, e o Tony com quem já tinha feito alguns trabalhos. São como uma família.
Glória Pires foi a convidada de honra do 4.º Festival de Cinema de Manaus, destinado a promover o filme de aventuras e a ecologia. Aos 44 anos é uma das actrizes brasileiras mais conceituadas. Filha do actor António Carlos, estreou-se com quatro anos em ‘A Pequena Órfã’ e em 1978 destacou-se em ‘Dancin Days’. Foi casada com o actor, compositor e cantor Fábio Jr, de quem teve uma filha, Cléo. Actualmente é casada com o músico Orlando Morais, com quem tem três filhos: Antónia (9 anos), Ana (8) e Bento (três).
CLÉO PIRES FEZ CASRING PARA FILME DE ‘JAMES BOND’: FILHA SEGUE AS PISADAS DA MÃE
“O facto da Cléo fazer novelas ou ser actriz foi para mim uma surpresa. Sempre achei que poderia ser actriz, mas ela era muito resistente. Nunca disse que queria ser actriz. Fez alguns spots comerciais, desfiles, namorou um pouquinho o ‘métier’, mas era totalmente avessa”, admite Glória Pires sobre a filha mais velha, de 25 anos. A actriz conta que Cléo “fez um teste para um filme de ‘James Bond’, com outras actrizes, mas ainda não obteve resposta. Se for escolhida, irá curtir muito, porque adora esse tipo de filmes”.
MÃE GALINHA. "VAMOS TODOS PARA PARIS"
No início de 2008, Glória Pires vai viver com a família para França. “Vamos em Fevereiro. O Orlando [o marido] tem trabalho lá. Tenho um filme em Janeiro [‘Se eu fosse você 2’] e depois vamos todos para Paris. A meio do ano regresso, depois voltamos a Paris. Só vai haver trabalho numa novela em 2009”, diz à Correio TV.
Glória Pires admite que a vida de casada e a carreira convivem bem: “Somos todos muito unidos e separamos o nosso trabalho da vida particular. Como vê estou casada há 20 anos.” Entre risos, a actriz nota que 20 anos de casamento e 40 de carreira não fazem dela uma veterana: “Há 20 anos já seriamos velhos [risos]... Hoje, somos jovens velhos.”
Apesar do espírito jovem, Glória Pires não esconde o desejo de ser avó. “Claro. Quero ser. Mas ainda vai demorar algum tempo, porque a Cléo até agora ainda não produziu nada.”
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