O anúncio de uma grave enfermidade que supostamente matará em seis anos o apresentador Sílvio Santos, dono do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão, a segunda maior rede de TV do Brasil) está a causar uma enorme contestação no Brasil.
A notícia foi publicada na edição de quinta-feira da revista 'Contigo', especializada em bastidores do mundo artístico, e, após o choque inicial, várias pessoas já se pronunciaram sobre o anúncio, que teria sido feito pelo próprio Sílvio, de 72 anos, em entrevista telefónica. Muitos garantem não acreditar na veracidade da doença nem da alegada venda do SBT.
"Ninguém aqui no SBT sabe de nada. Pelo tom da reportagem, todos acreditam que tenha sido uma brincadeira", afirmou Rubem Carvalho, superintendente comercial do SBT. Ríque Medeiros, assessor de Sílvio Santos, foi mais incisivo: "Não vou comentar essas imbecilidades".
O productor Lombardi, muito próximo do empresário, disse-se "chocado" com a matéria, que classificou de "esquisitíssima", e garantiu que Sílvio, na gravação que ambos fizeram há duas semanas, lhe pareceu estar bem e não falou em doença alguma.
Na matéria, que ocupa várias páginas da revista e inclui uma longa evocação da vida e carreira de Sílvio Santos - que de vendedor ambulante se tornou num homem poderosíssimo - o empresário, segundo o que os editores da revista garantem estar gravado, diz que os médicos lhe diagnosticaram uma doença cardíaca terminal que lhe dá uma expectativa de vida máxima de seis anos.
Brincadeira ou 'marketing'
Supostamente falando de sua casa em Orlando (Estados Unidos), onde tem ficado longas temporadas, Sílvio terá dito que está numa cadeira de rodas, mantém-se vivo graças a transfusões de sangue, emagreceu 11 quilos em duas semanas, não sai à rua e, sem poder continuar à frente dos negócios, queria vender a maior obra da sua vida, o SBT, pelo equivalente a 700 milhões de dólares. José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Boni, ex-poderoso da TV Globo, compraria metade, e a rede mexicana Televisa a outra parte.
No entanto, Sílvio foi fotografado há dias quando fazia compras num centro comercial de Orlando e um amigo, Rogério Calegari, que também vive naquela cidade, disse nunca o ter visto em cadeira de rodas nem saber nada sobre a doença.
Quanto mais se analisa a entrevista, e face o silêncio do empresário, mais hipóteses se aventam para o estranho caso. A revista admitiu poder estar face a uma brincadeira de Sílvio Santos e outras fontes acham que se trata de uma maquiavélica jogada de marketing. Nesse caso, ou Sílvio Santos quis provocar uma gigantesca polémica para valorizar o seu regresso, após uma longa temporada nos EUA e chamar a atenção para a criação no SBT de um programa sensacionalista, ou quer mesmo negociar a empresa e está a divulgar valores para forçar a subida do preço. l
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