Nunca quis ser jornalista, mas o bichinho da Imprensa estava lá desde miúdo. Amílcar Tavares, um cabo-verdiano de 30 anos a estudar Engenharia Mecânica na Universidade de Aveiro, edita há mais de dois anos, e a partir de território português, um jornal ‘on-line’ sobre Cabo Verde.
A ideia do VozDiPovo-online.com, que aproveita o nome de um famoso jornal que deixou de ser impresso na década de 80, nasceu acima de tudo de uma necessidade. “Eu tinha uma página pessoal onde colocava fotos e informações várias sobre Cabo Verde e recebia imensos ‘e-mails’ de pessoas que queriam saber mais, que queriam visitar o país ou, então, de compatriotas que perguntavam se havia forma de estarem mais actualizados sobre o que se passava por lá. Daí pensei em avançar com o jornal”, refere Amílcar Tavares.
Desde que arrancou, a 5 de Julho de 2004, o ‘site’ já recebeu mais de 150 mil visitas e tem, actualmente, uma média de procura diária de cerca de 800 visitantes. “Desde Janeiro deste ano que sinto que o jornal começou a descolar, registando crescimentos na ordem dos dez por cento ao mês”, salienta o estudante cabo-verdiano.
A maior parte dos frequentadores do VozDiPovo tem origem nos Estados Unidos da América – onde existe uma das comunidades mais numerosas de cabo-verdianos –, seguida de Portugal, Brasil, Holanda e, claro está, Cabo Verde. Visitantes do Reino Unido, Espanha, Itália, Alemanha e França são também bastante activos.
De acordo com o autor, o que distancia o VozDiPovo dos restantes projectos escritos ou ‘on-line’ – existem oito ao redor do globo, mas este é o único a ser editado a partir do território português – “é a independência total da informação. Os jornais de lá [Cabo Verde] estão normalmente conotados com uma ou outra facção política e sempre foram, como eu chamo, ‘cabo-cêntricos’. Por isso, o meu projecto aposta em dar informação isenta e que vá ao encontro do que os leitores procuram”, explica.
Para levar a cabo este trabalho, cujo aspecto gráfico é agradável e organizado e os conteúdos de fácil consulta e leitura, Amílcar Tavares conta, para além do seu trabalho, com a ajuda de mais sete colaboradores, todos naturais de Cabo Verde e que, na sua maioria, se encontram a viver fora do país de origem.
“O meu sonho era ter capacidade financeira para colocar um jornalista a trabalhar connosco, mas, para já, é impossível”, confessa Amílcar Tavares. “O jornal é todo feito à minha custa”, revela, explicando que “ainda não se encontrou uma empresa cujo objectivo de publicidade passe por lá. Também não tenho apostado nessa área, porque entendo que se a publicidade surgir deve ser por mérito do projecto”.
De momento, Amílcar Tavares ainda não sabe se o futuro passará pela continuidade em Portugal ou o regresso a Cabo Verde, que não visita desde que foi para Aveiro, há dez anos. A ligação à Pátria Mãe, por ora, resume-se ao contacto através das notícias e das visitas frequentes dos pais. A única certeza é que o VozDiPovo continuará a informar os seus conterrâneos.
O jornal ‘on-line’ encontra-se dividido em várias secções, nomeadamente África, Mundo, Sociedade, Cultura, Negócios e Desporto e está em constante actualização.
VozDiPovo reserva ainda um espaço à opinião dos seus leitores, seja através de blogues ou mediante inquéritos sobre os temas que fazem a actualidade.
O jornal também não descura a história com uma ‘viagem’ ao Tarrafal através de documentos do Arquivo Histórico Nacional de Cabo Verde.
Amílcar Tavares tem 30 anos e nasceu em Assomada, uma pequena cidade localizada no interior da ilha de Santiago. Oriundo de uma família com mais cinco irmãos, dos quais quatro ligaram o seu destino profissional a Portugal, Amílcar decidiu vir para Aveiro em 1996, com o objectivo de estudar Engenharia Mecânica na Universidade de Aveiro, onde frequenta actualmente o quarto ano. Desde sempre teve o bichinho da Imprensa, partilhando com o pai o gosto pela leitura de jornais.
INFORMAÇÃO COBRE VÁRIOS INTERESSES
O VozDiPovo é profundamente generalista e aposta no seu conteúdo noticioso em áreas como a Economia e Negócios, Sociedade (assuntos de emprego e segurança), Política (interna e externa) e Desporto, seguindo a carreira de alguns desportistas e equipas africanas, mas dando também acentuado relevo ao que se passa neste domínio em Portugal.
No que toca a áreas de informação mais generalizada, o ‘site’ aposta essencialmente no Turismo. Amílcar Tavares afirma que “nunca antes houve a preocupação de sistematizar informação turística destinada a quem quer ou vai visitar Cabo Verde” o que é “triste” quando se trata de um país com potencialidades imensas neste domínio.
Para além de conteúdos sobre turismo (alojamento, restauração, passagens, etc.), existe ainda muita informação sobre a história, cultura, tradições, língua e literatura daquele país africano.
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