Associação Portuguesa de Profissionais dos Espetáculos e Eventos pediu a realização de um inquérito para apurar acontecimentos ocorridos no Festival Sol da Caparica, que classificou como "lamentáveis".
A Câmara Municipal de Almada aguarda pareceres dos serviços envolvidos no festival Sol da Caparica sobre a forma como este decorreu para posteriormente se reunir com o promotor do evento, o Grupo Chiado, disse esta terça-feira à Lusa.
Numa resposta enviada à agência Lusa, a autarquia explicou que este é um procedimento habitual no final de todos os eventos.
"Corrigir falhas e planear para 2023 a melhor edição de sempre é desejo e objetivo de todos - CMA, promotores e patrocinadores", referiu a Câmara Municipal de Almada.
Na segunda-feira, a Associação Portuguesa de Profissionais dos Espetáculos e Eventos (APPEE) pediu à tutela da Cultura e ao município de Almada a realização de um inquérito para apurar eventuais problemas no Festival Sol da Caparica.
Numa carta aberta, a associação escreveu que pretende alertar publicamente os organismos da tutela para a necessidade de a opinião pública ser esclarecida relativamente aos acontecimentos ocorridos durante a realização do Festival Sol da Caparica, que classificou como "lamentáveis".
Em causa, segundo a APPEE, esteve a integridade e a credibilidade, não apenas dos profissionais e artistas que foram contratados pelas entidades promotoras desse evento para a sua concretização, mas sobretudo de toda uma classe de trabalhadores no seu geral.
"Temos o dever de manifestarmos a nossa solidariedade com todos os profissionais e artistas que se viram afetados por estes acontecimentos, e relembramos que estes profissionais viram as suas vidas canceladas e procuram retomar esforçadamente as suas atividades depois de dois anos volvidos sem que à vasta maioria destes trabalhadores independentes fossem atribuídas as condições de elegibilidade para beneficiarem de adequados apoios do Estado", pode ler-se no documento.
O festival, que decorreu entre 11 e 15 de agosto, na Costa da Caparica, no concelho de Almada, distrito de Setúbal, foi alvo de críticas nas redes sociais quer por parte de alguns artistas quer por parte do público, devido a problemas técnicas e alterações do programa.
The Legendary Tigerman, Miguel Ângelo ou Os Quatro e Meia foram alguns dos artistas que mostraram publicamente o seu descontentamento com o festival da Costa da Caparica.
Também da parte de quem assistiu ao festival houve queixas, existindo inclusive algumas no Portal da Queixa dirigidas ao Grupo Chiado, empresa que organizou o evento juntamente com o município de Almada.
A Câmara Municipal de Almada confirmou a receção da missiva da APPEE e saudou "a grande adesão do público, por mérito de todos os artistas envolvidos, congratulando-se, também, pelo Festival ter ocorrido sem incidentes ao nível da segurança".
Questionado sobre a carta aberta, na segunda-feira, o Grupo Chiado respondeu à Lusa que o Sol da Caparica 2022 esgotou todos os dias, um dado que considera ser "um facto inquestionável e que inequivocamente cala os que injustamente criticam" de uma forma que classifica de "ínvia e injusta".
Quanto ao profissionalismo dos diversos subcontratados, a empresa realçou que mantém a máxima confiança em todos os parceiros, censurando a associação que diz ser desconhecida por "colocar em causa o profissionalismo dos seus próprios Colegas de trabalho".
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