Os canais regionais de televisão voltaram à ordem do dia. A Invicta TV já arrancou com as emissões experimentais e outros dois projectos, um para o grande Porto e outro para o Algarve, estão na calha. Resta saber se terão pernas para andar. Os empresários acham que sim...
Depois do Canal de Notícias de Lisboa (CNL) e da NTV, duas boas intenções que não resistiram à realidade do meio audiovisual, as televisões regionais voltam a dar que falar, com o surgimento de três novos projectos, a Invicta TV, o Porto Canal e o Canal Algarve. Mais avançado, o primeiro deverá iniciar as emissões regulares em breve. Para já, está a emitir apenas uma mira técnica através da TVTel, operador de cabo que trabalha no norte do País.
“Falar especificamente da cultura e das pessoas do Grande Porto” é a principal finalidade da Invicta TV, afirma Vítor Fernandes, administrador da Finanzza Investments, holding luso-americana que promove o projecto. Refere que, através dos clientes da TVTel, o canal poderá chegar a um total de cem mil pessoas.
“Não somos uma televisão do Norte, somos a televisão do Grande Porto. O investimento previsto para o primeiro semestre da Invicta TV é de 497 mil euros (cem mil contos). Neste momento não estamos à procura de investidores, estamos é à procura de parceiros que colaborem com ‘know-how’”, refere Vítor Fernandes à Correio TV.
E foi em busca dessa experiência que a Finanzza Investments convidou a SIC para participar neste projecto. A escolha recaiu sobre a estação de Carnaxide, por ser a que possui mais canais de cabo. “Não há ainda acordo. A proposta foi feita e estamos a aguardar pela evolução”, diz o administrador da holding. De qualquer forma, diz, o projecto não está dependente de uma resposta afirmativa por parte da SIC.
A Invicta TV funciona apenas com 15 funcionários, onde se inclui uma equipa comercial já a trabalhar no terreno. De resto, quase todo o trabalho será realizado em regime de ‘outsourcing’, nomeadamente a programação. “Só fazemos uma coisa no canal, que são as notícias. São poucas pessoas, mas vamos usar tecnologia de vanguarda, com câmaras robotizadas e estúdios automatizados.”
Vítor Fernandes lança, ainda, um repto ao projecto concorrente. “Tenho a certeza absoluta que não há espaço para dois canais regionais no Porto. Gostaria que o Porto tivesse um canal único. Acredito que em vez de estarmos a fazer investimentos paralelos e a fazer uma guerra no mesmo terreno, nos devíamos unir, porque juntos somos mais fortes.”
NOVA NTV
Para já, porém, não há união e a região prepara-se mesmo para assistir ao nascimento do Porto Canal, um projecto coordenado por Bruno Carvalho, que exerceu as funções de administrador na NTV e que prepara igualmente o Canal Algarve. “O objectivo é fazer reviver o projecto da NTV. É um canal sobre a área metropolitana do Porto, abordando assuntos culturais, desportivos e políticos, entre outros, e falando dos problemas que afectam a região”, diz aquele responsável.
Segundo Bruno Carvalho, a TV Cabo é a única empresa com uma cobertura que interessa ao projecto, no entanto o operador foi contactado em Novembro e ainda não deu qualquer resposta. Ainda na semana passada, o presidente da TV Cabo deu a entender aos jornalistas que o projecto “está a ser estudado”, mas não é prioritário para o principal operador de televisão por cabo em Portugal.
Para arrancar, o Porto Canal obriga a um investimento de quatro milhões de euros, ao que se juntam mais cinco milhões de euros por ano. Para já, os investidores ligados ao projecto garantem 80 por cento das verbas necessárias.
Bruno Carvalho considera importante o projecto que conduz, tendo em conta que “não faz sentido não haver televisões regionais, pois são um pólo de desenvolvimento para o País. Em Espanha, entre televisões locais e regionais, são mais de 200”.
Carlos Magno, primeiro director da NTV e que abandonou o projecto no arranque das emissões regulares, diz desconhecer os projectos de canais regionais que estão em marcha, no entanto considera que fazia sentido a concretização de um projecto como o que era inicialmente o do canal que liderou.
“Não era uma televisão local nem regional. Era uma televisão urbana, metropolitana e alternativa, mais próxima da rádio e da Internet do que das televisões generalistas. Pretendia criar uma praça virtual na cidade do Porto que pudesse ser vista por todo o País”, refere à Correio TV.
Salientando que foi um “projecto que apareceu antes do tempo”, Carlos Magno esclarece que a NTV “era uma televisão que teria como pano de fundo o bairrismo cosmopolita, ou seja que fosse marcadamente do Porto, mas que não fosse do Porto provinciano. A televisão devia estar situada na esquina de uma rua onde toda a gente passasse”, acrescenta.
BOM PARA O TURISMO ALGARVIO
Também no Algarve se prepara o nascimento de um canal dedicado às especificidades da região e, para já, vários sectores da sociedade civil acreditam na viabilidade do projecto.
O Canal Algarve tem como principal objectivo a divulgação de informações turísticas, feitas em português e inglês, destinadas aos turistas. “A ideia foi bem recebida pela AMAL (Área Metropolitana do Algarve), mas estamos à procura de patrocínios de empresas internacionais”, refere Bruno Carvalho, que adianta que as verbas envolvidas são semelhantes às necessárias para o Porto Canal.
Este projecto tem no presidente da Câmara Municipal de Tavira e da Junta Metropolitana do Algarve, Macário Correia, um dos seus grandes entusiastas. “É algo que todos nos desejamos que vá por diante rapidamente”, refere o autarca à Correio TV. No entanto, assume que “o projecto está andando devagar. Está ainda em fase de estudo e não há uma candidatura formalizada em definitivo”.
“Os canais regionais desempenham um papel importante na valorização da identidade, daquilo que se prende com a afirmação das regiões em que estão inseridos. Mas o seu desenvolvimento passa pelas empresas ligadas às áreas mais significativas de cada região.
No caso do Algarve será, seguramente, na área do turismo que se esperam mais apoios”, destaca Macário Correia.
CUIDADO COM AS AVENTURAS!
José Marquitos, antigo presidente do CNL, o primeiro canal informativo português, congratula-se com os novos projectos, mas recomenda calma aos seus responsáveis.
“Aconselharia, pela minha própria experiência no CNL, que os promotores meçam muito bem os seus planos de negócio e que concretizem com as forças vivas da região, que é a quem mais pode interessar a existência desses canais, um conjunto mínimo de condições e de recursos para que possam ser feitos com qualidade”, afirmou à Correio TV.
Afirmando-se um “fervoroso adepto de um determinado tipo de regionalização”, Marquitos, actualmente membro do conselho de administração da Global Notícias, do grupo Lusomundo, advoga a “partilha de frequências” por vários canais, já que não acredita em “canais regionais a operar 24 horas por dia”.
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