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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Destituição de coordenadora acentua polémica na RTP

Mafalda Gameiro foi afastada da coordenação do programa na passada sexta-feira.

26 de janeiro de 2025 às 01:30

A equipa do programa ‘Linha da Frente’ pediu uma reunião urgente com o Conselho de Redação (CR) da RTP depois de ser surpreendida com a destituição, na passada sexta-feira, de Mafalda Gameiro da coordenação do programa, cargo que exercia há 15 anos. Os jornalistas tentaram ainda falar com a direção de Informação (DI) - António José Teixeira e Adília Godinho (adjunta) -, mas sem sucesso, segundo revelam num email enviado ontem ao CR, a que o CM teve acesso. O documento associa a destituição a “um grave episódio que continua a abalar o princípio sagrado do jornalismo: a ética”.

O episódio em causa é a emissão da reportagem ‘Sem Opção’, a 21 de novembro de 2024, sobre um grupo de afegãs a viver em Portugal com o apoio da associação SETARE. No mesmo dia, a SIC exibiu uma grande reportagem sobre o mesmo tema, depois de acompanhar estas jovens durante um ano. Soube-se mais tarde que o canal de Paço de Arcos tinha acertado um exclusivo com a associação. Porém, em outubro, esta foi contactada pela jornalista Magda Rocha, da RTP, no sentido de fazer um trabalho. Face ao compromisso assumido, ficou acordado com a SETARE que este poderia ser feito na condição de ir para o ar depois da reportagem da SIC, o que a jornalista terá aceitado. Ainda assim, a DI decidiu transmiti-la no mesmo dia.

Desde então, o assunto tem causado desconforto na TV pública, com Mafalda Gameiro a lamentar a situação “profundamente antiética”, agravada pelo facto de o seu nome ter sido omitido da ficha técnica. Contudo, nas reuniões com o CR, a cujas atas o CM teve acesso, a DI e a equipa da reportagem negaram qualquer compromisso e António José Teixeira esclareceu ainda que “a RTP não combina reportagens ou calendários de exibição com outros canais”. Mesmo com a SETARE e a SIC a confirmarem o exclusivo, a DI manteve a sua versão: “A haver um compromisso, só poderia ser assumido pela DI.”

Contactada pelo CM, Mafalda Gameiro diz que ainda não lhe foi dada qualquer justificação para a sua destituição. Sobre a polémica da reportagem, lamenta a situação e afirma que não pode deixar que o seu nome “fique manchado na praça pública”.

O CM também tentou contactar António José Teixeira, mas este não respondeu.

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