Irão e Omã anunciaram na terça-feira que iriam analisar os custos que poderiam ser cobrados pelos serviços relacionados com a gestão do estreito.
O Presidente norte-americano ameaçou esta quarta-feira suspender as negociações com o Irão caso a República Islâmica aplique portagens pela navegação no estreito de Ormuz, embora tenha referido que Teerão garantiu que não o fará.
"O Irão informou os Estados Unidos de que, apesar das notícias falsas e problemáticas que afirmam o contrário, não são solicitadas nem cobradas portagens, custos de seguro nem quaisquer outros encargos por parte do Irão aos navios que navegam pelo estreito de Ormuz", escreveu Donald Trump na sua rede social Truth Social.
No entanto, adiantou que "se esta informação for falsa, as negociações serão suspensas de imediato".
O Irão e Omã anunciaram na terça-feira que iriam analisar os custos que poderiam ser cobrados pelos serviços relacionados com a gestão do estreito.
Os dois países vão criar um grupo de trabalho conjunto para chegar a um acordo sobre a "futura gestão da navegação" através do estreito de Ormuz, incluindo discussões com os Estados do Golfo Pérsico e "outras partes relevantes", antes de insistirem nos seus "direitos soberanos" sobre esta passagem estratégica.
Neste sentido, o primeiro-ministro do Qatar deslocou-se esta quarta-feira a Omã precisamente para preparar as conversações entre os países do Golfo, o Iraque e o Irão sobre o estreito de Ormuz, segundo um diplomata em condição de anonimato em declarações à agência de notícias France-Presse.
Estas conversações são distintas das negociações entre Washington e Teerão, precisou o diplomata.
Referiu ainda que estão previstas discussões separadas na Arábia Saudita com vista a uma reconciliação entre o Irão e os países do Golfo.
Nos últimos meses, as autoridades iranianas têm insistido que o estreito deve ser gerido por Teerão e Mascate e têm apostado na implementação de um novo mecanismo, no meio de apelos internacionais por parte de Washington e de outros países a favor de que a situação volte a ser a que existia antes do conflito, incluindo a ausência de possíveis portagens.
O memorando de entendimento celebrado entre Teerão e Washington para pôr fim à guerra prevê que a passagem de navios comerciais pelo estreito de Ormuz se faça sem custos "apenas durante 60 dias".
No entanto, o presidente do parlamento e principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, salientou que Teerão tencionava, posteriormente, cobrar "taxas de utilização" pelos serviços prestados nessa passagem, que "não voltará à situação anterior à guerra".
Na mesma publicação, Donald Trump voltou uma vez mais a afirmar que "não foi entregue dinheiro ao Irão nem foram libertados fundos para eles por parte dos Estados Unidos".
"Iremos libertar parte do seu dinheiro, que se encontra sob o nosso controlo total, para os nossos agricultores e criadores de gado, para a compra de milho, trigo, soja e outros produtos", insistiu.
Na terça-feira, Trump referiu numa publicação na mesma rede social que os "fundos/sanções" iranianos que porventura serão desbloqueados pelo Tesouro norte-americano irão para uma "conta garantia" controlada por Washington e serão unicamente utilizados para a compra de medicamentos e produtos alimentares aos Estados Unidos.
O texto do memorando assinado na semana passada por Washington e Teerão menciona o fim de "todos os tipos de sanções" contra o Irão, caso as negociações sejam bem-sucedidas.
O acordo preliminar prevê ainda que os Estados Unidos "se comprometam, juntamente com os seus parceiros regionais, a elaborar um plano definitivo, acordado de comum acordo, no valor de pelo menos 300 mil milhões de dólares [cerca de 262 mil milhões de euros], destinado à reconstrução e ao desenvolvimento económico da República Islâmica do Irão".
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