Dia 10, cena 1. Ao décimo dia de rodagem filmou-se a cena de abertura de ‘Corrupção’, a mesma que irromperá no grande ecrã, ainda com as letras do genérico a passarem por cima, mal o filme chegue às salas de cinema (1 de Novembro).
As escutas telefónicas às mais altas figuras do mundo do futebol assinalam o arranque do filme, num retrato fiel da realidade. Ou quase. “São as escutas que foram publicadas nos jornais, mas um pouco aldrabadas”, explica o realizador, João Botelho, referindo-se às vozes que ‘Luís’ (papel interpretado por António Pedro Cerdeira) e o ‘director da PJ’ (Miguel Monteiro) escutam em fundo e que fazem tremer os gráficos sonoros que se vêem nos computadores da sala da ‘PJ’. E quem foram os apanhados?, quis saber o CM. “O ‘presidente dos árbitros’, um ‘juiz’ e o ‘presidente da Liga’”, concretiza o cineasta, referindo-se às personagens de Miguel Guilherme, Ruy de Carvalho e José Eduardo.
Foi assim ontem ao final de mais um dia de filmagens, desta vez no Instituto de Agronomia, em Lisboa. O local serviu, à vez, para simular as instalações da ‘PJ’ e, ainda de manhã, do ‘Ministério Público’.
Nos corredores do departamento de Botânica o Sol matinal recorta as sombras das janelas nos azulejos do século XIX. Suzana Borges (‘Magistrada’) e Cerdeira (‘Luís’) estão a postos para arrancar, a compasso, enquanto a câmara os acompanha num travelling. Mostram desalento pelas limitações da Justiça; ‘Luís’ vai ainda contar à ‘Magistrada’ que conheceu ‘Sofia’, uma rapariga que lhes “pode vir a ser útil”.
“Obedece quem tem juízo”, diz, a certa altura, o ‘Inspector’, aludindo a uma das frases mais célebres das escutas tornadas públicas no âmbito do processo ‘Apito Dourado’. As mesmas que apanharam nas malhas da Justiça ilustres do mundo do futebol e que agora são retratadas, com fidedignidade, na última cena do dia, que será precisamente a primeira do filme. Os diálogos escutados reproduzem com aparente rigor – agora na voz dos actores – as trocas de favores entre árbitros, presidentes e magistrados (alegadamente) corruptos.
As bases do ‘Apito Dourado’, pano de fundo da realidade nacional, servem agora na perfeição para pintar a ficção encenada por João Botelho. Um filme negro, bem ao jeito, de policial...
DE JORNALISTA A ACTOR
Miguel Monteiro deixou a SIC, onde trabalhou desde a fundação como jornalista e coordenador do ‘Jornal da Noite’, para se dedicar ao cinema. “Estou no jornalismo há 22 anos e entrei agora num período sabático. Gostava de continuar a fazer pequenas participações no cinema”, diz o actor, que entrou em ‘O Fatalista’ (João Botelho), ‘Do Outro Lado do Mundo’ (Leandro Ferreira) e ‘Conta-me Como Foi’ (RTP). No papel de ‘Director da PJ’, o jornalista foi ontem um dos protagonistas de ‘Corrupção’.
"TRABALHO EXIGENTE": Pedro Flores, Anotador
Pedro Flores gosta de “ver cinema a acontecer. Adoro sentir a vibração do plateau, assistir às melhores performances dos actores”, sintetiza o anotador de ‘Corrupção’. Responsável pela verificação da continuidade de cena para cena, de plano para plano, é também ele que anota o número de takes filmados, garantindo ainda que o guião está a ser seguido à risca pelos actores. “É um trabalho exigente.”
Suzana Borges, António Pedro Cerdeira e Miguel Monteiro foram os protagonistas do dia de rodagem no Instituto de Agronomia.
A tarde começa com um pequeno-almoço entre ‘Sofia’ e ‘Luís’. A acção segue à porta de um bar de alterne. Mais tarde, o ‘Presidente’ deixa ‘Sofia’ na sua última noite de trabalho.
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