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Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Escutas na abertura do filme de Botelho

Dia 10, cena 1. Ao décimo dia de rodagem filmou-se a cena de abertura de ‘Corrupção’, a mesma que irromperá no grande ecrã, ainda com as letras do genérico a passarem por cima, mal o filme chegue às salas de cinema (1 de Novembro).

09 de agosto de 2007 às 00:00

As escutas telefónicas às mais altas figuras do mundo do futebol assinalam o arranque do filme, num retrato fiel da realidade. Ou quase. “São as escutas que foram publicadas nos jornais, mas um pouco aldrabadas”, explica o realizador, João Botelho, referindo-se às vozes que ‘Luís’ (papel interpretado por António Pedro Cerdeira) e o ‘director da PJ’ (Miguel Monteiro) escutam em fundo e que fazem tremer os gráficos sonoros que se vêem nos computadores da sala da ‘PJ’. E quem foram os apanhados?, quis saber o CM. “O ‘presidente dos árbitros’, um ‘juiz’ e o ‘presidente da Liga’”, concretiza o cineasta, referindo-se às personagens de Miguel Guilherme, Ruy de Carvalho e José Eduardo.

Foi assim ontem ao final de mais um dia de filmagens, desta vez no Instituto de Agronomia, em Lisboa. O local serviu, à vez, para simular as instalações da ‘PJ’ e, ainda de manhã, do ‘Ministério Público’.

Nos corredores do departamento de Botânica o Sol matinal recorta as sombras das janelas nos azulejos do século XIX. Suzana Borges (‘Magistrada’) e Cerdeira (‘Luís’) estão a postos para arrancar, a compasso, enquanto a câmara os acompanha num travelling. Mostram desalento pelas limitações da Justiça; ‘Luís’ vai ainda contar à ‘Magistrada’ que conheceu ‘Sofia’, uma rapariga que lhes “pode vir a ser útil”.

“Obedece quem tem juízo”, diz, a certa altura, o ‘Inspector’, aludindo a uma das frases mais célebres das escutas tornadas públicas no âmbito do processo ‘Apito Dourado’. As mesmas que apanharam nas malhas da Justiça ilustres do mundo do futebol e que agora são retratadas, com fidedignidade, na última cena do dia, que será precisamente a primeira do filme. Os diálogos escutados reproduzem com aparente rigor – agora na voz dos actores – as trocas de favores entre árbitros, presidentes e magistrados (alegadamente) corruptos.

As bases do ‘Apito Dourado’, pano de fundo da realidade nacional, servem agora na perfeição para pintar a ficção encenada por João Botelho. Um filme negro, bem ao jeito, de policial...

DE JORNALISTA A ACTOR

Miguel Monteiro deixou a SIC, onde trabalhou desde a fundação como jornalista e coordenador do ‘Jornal da Noite’, para se dedicar ao cinema. “Estou no jornalismo há 22 anos e entrei agora num período sabático. Gostava de continuar a fazer pequenas participações no cinema”, diz o actor, que entrou em ‘O Fatalista’ (João Botelho), ‘Do Outro Lado do Mundo’ (Leandro Ferreira) e ‘Conta-me Como Foi’ (RTP). No papel de ‘Director da PJ’, o jornalista foi ontem um dos protagonistas de ‘Corrupção’.

"TRABALHO EXIGENTE": Pedro Flores, Anotador

Pedro Flores gosta de “ver cinema a acontecer. Adoro sentir a vibração do plateau, assistir às melhores performances dos actores”, sintetiza o anotador de ‘Corrupção’. Responsável pela verificação da continuidade de cena para cena, de plano para plano, é também ele que anota o número de takes filmados, garantindo ainda que o guião está a ser seguido à risca pelos actores. “É um trabalho exigente.”

Suzana Borges, António Pedro Cerdeira e Miguel Monteiro foram os protagonistas do dia de rodagem no Instituto de Agronomia.

A tarde começa com um pequeno-almoço entre ‘Sofia’ e ‘Luís’. A acção segue à porta de um bar de alterne. Mais tarde, o ‘Presidente’ deixa ‘Sofia’ na sua última noite de trabalho.

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