Faz teatro, cinema e nunca menosprezou a TV. Em ‘Inspector Max’ ou em ‘Morangos’, é no pequeno ecrã que mais se esmera, pois a mensagem chega a todos os públicos.<br/>
- Como é fazer parte do elenco de ‘Morangos com Açúcar’, uma série juvenil que é referência?
Já quase todos os actores por lá passaram. Esta sétima temporada é diferente dado tratar-se de uma escola de artes. Está a ser uma experiência engraçada e com uma dinâmica de trabalho diferente.
- Vai continuar na série de Verão?
Está previsto eu incluir o elenco da temporada de Verão.
- Como é ser artista e estar numa série que fala deles?
Tenho esperança de que esta produção seja elucidativa para o público juvenil e lhes demonstre que esta profissão exige dedicação e estudo. Não basta ter talento, é preciso trabalho.
- A sua personagem em ‘Morangos’, a professora Célia, é muita austera?
É, e ela tem a preocupação de explicar aos alunos que é necessário trabalho e estudo para vingar nesta profissão, que é feita com 10% de talento e com 90% de trabalho.
- É actriz e dá aulas de representação na ficção. Como vive esta dualidade?
Há aqui uma redundância. Mas ao representar uma professora de teatro relembrei um pouco a minha formação.
- E para compor a professora Célia recordou alguns dos seus professores?
É verdade. Fiz um flashback e uma colagem de características de vários professores. Mas a Célia Trovão não é dos papéis mais difíceis que fiz, nem dos mais desafiantes.
- Acha que daria uma boa professora?
Não sei se tenho aptidão para pedagoga. É uma enorme responsabilidade e dá imenso trabalho. Na ficção a experiência é mais leve.
- A Associação Portuguesa de Telespectadores nunca viu com bons olhos os ‘Morangos’...
Nem sabia que existia essa associação... Acho óptimo haver massa crítica, mas a televisão tem um comando que nos permite desligar quando não gostamos de alguma coisa.
- Tem boas recordações da série ‘Inspector Max’, onde era a jornalista Júlia?
Foi um sucesso e é uma grande referência pelo feedback que ainda hoje tenho. Curiosamente, o elenco mais novo dos ‘Morangos’ fala-me do ‘Inspector Max’, que viu quando tinha 15 anos. É bom participar em projectos com audiências.
- Na rua reconhecem-na por qual das personagens?
Tanto é como Júlia como pela ‘Senhora professora’.
- Por que escolheu a representação como profissão?
Pela possibilidade de poder experimentar várias profissões, dramas, emoções...
- Que outros projectos tem?
Estou a preparar um trabalho de teatro. É para o Verão e estará inserido no Festival da Escola de Mulheres. Trata-se de um monólogo, mas sou supersticiosa nestas coisas, não gosto de falar antes de saber bem o que vou fazer.
- Disse que queria fazer um “trabalho mais profundo”. Que lhe apetecia fazer depois dos ‘Morangos’?
Um trabalho com mais amplitude emocional. Talvez uma série de acção ou de época.
- Depois de três curtas-metragens, que perspectivas tem na área do cinema?
Gostava muito de fazer uma longa-metragem. Faz-se pouco cinema em Portugal. Mesmo assim, creio que o cinema nacional está a ganhar uma dinâmica um bocadinho diferente. Mas é bom ir fazendo televisão, teatro e cinema para ter tarimba e não ganhar vícios.
- Dado que tem feito mais televisão, o que acha que mudou na produção nacional?
Vi, na RTP Memória, uma novela exibida há uns 11 anos, e não há comparação com o que se faz neste momento, em qualquer uma das estações.
- Tem uma bebé de um ano e sete meses. O que mudou desde que foi mãe?
Fui obrigada a deixar de olhar apenas para o meu umbigo. Ser pai ou mãe torna-nos melhores pessoas. O meu sentido de humanização ampliou para o colectivo.
- Os actores já se pacificaram com a TV?
Sempre me chocou não o fazerem. Porque a TV tem um poder imenso, chega onde não chega o teatro e o cinema e toca públicos de todas as classes sociais. Ora, isto acarreta uma enorme responsabilidade e obriga-me a empenhar-me muito no que faço. Estreei-me profissionalmente na televisão, onde muita gente fez a sua formação. E, hoje, quando as pessoas vão ao teatro vão ver os seus artistas da TV.
AULAS DE CANTO: “CANTO DESDE MIÚDA”
Além da representação, Sandra Celas é também uma apaixonada pelo canto e até já frequentou aulas de voz. “É verdade, andei um ano a ter aulas. Canto desde miúda. E, logo que tenha oportunidade, vou inscrever-me e voltar a fazer formação na área do canto”, revela à ‘Correio TV’. “Cantar é, para mim, uma coisa natural, é quase um acto orgânico, uma necessidade de alma”, afirma a actriz que diz apreciar muitos géneros de música: “Adoro jazz, rock, música popular portuguesa, rock... Só não canto é fado”. Apesar do jeito para o canto, a ficção pouco tem aproveitado este seu talento. “É verdade, nunca ninguém me põe e cantar. Esta minha faceta não tem sido aproveitada na televisão, dado que já o fiz no teatro. Cantei uma única vez agora, na série ‘Morangos com Açúcar’, na TVI. Mas espero poder usar mais vezes este meu gosto e aptidão no trabalho futuro”, afirma Sandra Celas.
PERFIL: EX-JORNALISTA
Sandra Celas tem 35 anos e representa desde os 20. Estreou-se no Teatro de Carnide, em 1997, e formou-se na Escola Superior de Teatro e Cinema. Fez jornalismo entre 1998 e 2001, na CNL e na SIC Notícias. Como actriz tem-se repartido pelo teatro, televisão e cinema. Entre os muitos trabalhos que fez na TV destacam-se as séries ‘A Ferreirinha’ e ‘Amália’ (RTP), a novela ‘Resistirei’ (SIC) e ‘Inspector Max’ (TVI). É casada com o autor de banda desenhada, caricaturista, cenógrafo e designer gráfico António Jorge Gonçalves.
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