Eles idealizam, escrevem e interpretam os ‘sketchs’ de ‘Gato Fedorento’, um dos formatos mais irreverentes da televisão portuguesa. Os quatro ‘mosqueteiros’ do humor, Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela fazem tudo… para nos fazer rir.
É um programa de culto da televisão portuguesa. Já lhe chamaram a nova fábrica de humor inteligente de Portugal e é um dos trunfos da SIC Radical, que vai voltar a fazer parte da grelha do canal dirigido por Francisco Penim. Por agora, os espectadores podem contentar-se com as repetições quase diárias, enquanto o DVD com a primeira temporada não é editado.
Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela são os culpados do fenómeno e preparam-se já para levar as suas piadas por todo o País, em espectáculos itinerantes.
“Nas duas primeiras temporadas gravámos 150 ‘sketchs’, o que foi um esforço bastante intenso, porque começámos a gravar e o programa começou logo a ir para o ar”; conta à Correio TV Zé Diogo Quintela, numa conversa à mesa do café onde juntámos os quatro elementos do programa. “Houve episódios que começaram a passar em Janeiro, mas que a gente só gravou em Fevereiro, de tal maneira aquilo estava atrasado”, brinca. “Vamos tentar evitar que isso aconteça na terceira temporada”, acrescenta, com grande seriedade, Tiago Dores.
ELES NÃO PÁRAM!
Questionados sobre o que a terceira temporada do ‘Gato Fedorento’ vai ter a nível de novidades, é Zé Diogo Quintela que decide fazer uma revelação, começando por dizer: “Vai ter uma coisa de novo e é a primeira vez que estamos a dizer isto.” E, voltando-se para o amigo, afirma.”Miguel, tu não vais entrar…”
Brincadeiras à parte, Ricardo de Araújo Pereira refere: “Ainda não sabemos bem. Sobretudo não queremos repetirmo-nos. Nestas duas primeiras séries houve vontade de repetir determinadas personagens, não nossas mas do público, que nos pedia: ‘Façam mais vezes aquele gajo que fala e não diz nada, ou o gajo de Alfama ou o presidente da junta!’ Nós optamos por não repetir muitas vezes as personagens ou os ‘sketchs’, porque do ponto de vista criativo era mais estimulante fazermos duas séries com coisas novas.”
Miguel Góis acrescenta: “Até porque o objectivo não era descobrir fórmulas que resultassem e depois agarrarmo-nos a elas. Era estarmos sempre a experimentar coisas novas.”
“Até porque como somos maus actores é complicado mantermos uma personagem credível durante três ou quatro ‘sketchs’, refere Zé Diogo Quintela. Tiago Dores não evita mesmo a provocação: “Isto não é o ‘Maré Alta’!”
AS ORIGENS
O nome ‘Gato Fedorento’ surgiu pela primeira vez no início de 2003 como designação de um ‘blog’ da Internet (http://gatofedorento.blogspot.com), no qual os quatro amigos fazem críticas ‘corrosivas’ a figuras públicas, sempre com uma boa dose de humor.
“Nós já trabalhávamos juntos. Somos amigos há bastante tempo e essa é a parte triste”, esclarece Ricardo de Araújo Pereira. “Trabalhamos numa empresa que se chama Produções Fictícias, a escrever textos humorísticos para actores a sério, como o Herman José e a Maria Rueff, porque nós não somos actores a sério”, esclarece Zé Diogo Quintela. Mas a escrita foi o primeiro passo. Até que ganharam coragem… “A certa altura começámos a fazer ‘stand-up’ e ficámos com menos vergonha... com mais tomates. Depois o Fernando Alvim convidou-nos para entrar no ‘Perfeito Anormal’.”
Ricardo de Araújo Pereira interrompe, dizendo. “Já nessa altura pensávamos que se alguma vez tivéssemos oportunidade, gostávamos de nos juntar os quatro para fazer um programa a sério, mas até hoje não conseguimos”, ironiza.
Mais sério, Miguel Góis diz: “Ao longo destes anos a escrever para os actores a sério tínhamos reunido alguns textos que não cabiam em lado nenhum. Isso também facilitou um bocado a escrita dos ‘sketchs’ para o ‘Gato Fedorento’. Aquele espaço da SIC Radical, em que há liberdade absoluta em termos criativos, é o sítio ideal para fazer essas experiências humorísticas.”
E a verdade é que o programa, além de agradar ao público, é já considerado pela crítica como um estimulante exercício criativo, embora só possível num canal como a SIC Radical.
Políticos e jornalistas são as principais vítimas do ‘Gato Fedorento’. No entanto, os quatro ‘magníficos’ nunca criticam uma determinada pessoa, mas o que ela representa. Atitudes como a vaidade, a incompetência e falta de seriedade são ‘severamente’ criticadas. “Estamos a desconstruir o que eles representam. Estamos a dizer ‘estes tipos também fazem cocó’”, explica Ricardo de Araújo Pereira.
De resto, tudo serve para fazer uma boa piada – a maneira de algumas pessoas falarem, uma pequena frase que parece não ter nada de engraçado, a intervenção de um adepto de um clube de futebol... ”Muitas vezes a piada das coisas não está tanto nas coisas que são ditas, mas na maneira como são ditas”, diz Zé Diogo Quintela. O humor do ‘Gato’, contudo, procura ser universal. “Temos tentado fazer coisas que não sejam datadas, que não estejam ligadas à actualidade.” É uma das razões do sucesso…
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