A recessão e a crise no setor potenciam a vontade dos atores portugueses de apostarem ainda mais no mercado internacional
As propostas para trabalhar em Portugal escasseiam, e quem pensa sair do País sabe que a língua é um fator determinante. Por isso, o Brasil é o destino que atrai boa parte dos atores nacionais. Mas também Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos.
Atualmente vários artistas nacionais participam em projetos no estrangeiro, como Rui Unas, Paulo Pires, Pêpê Rapazote, Rita Blanco, Ivo Canelas, entre muitos outros. Mas todos eles continuam a passar grande parte do seu tempo em Portugal. Contudo, e com a crise, há já quem equacione abandonar o País de forma definitiva na busca de uma oportunidade de carreira, como é o caso de Mafalda Luís de Castro e de Ana Moreira.
Sem trabalho, Ana Moreira confessa estar a "perder a identidade" e admite deixar o País, mesmo que tenha de "partir do zero". "O que se passa é que o mercado está completamente fechado. Desde que cheguei de Berlim, com o prémio pelo filme ‘Tabu’ [2012], não arranjo trabalho em lugar nenhum. Nem na televisão, nem no teatro nem no cinema. Tenho andado a sobreviver", desabafa à Correio TV. A atriz, que já viveu uma experiência em Espanha, diz que a estão a obrigar a desistir da carreira que a levou a abandonar o design gráfico. "De repente tiram-me o pão da boca. É como se tivesse sido expulsa." Perante este cenário, "o melhor será mesmo sair de Portugal", lamenta. Até lá, vai continuar a "enviar currículos para lojas de roupa e restauração" e aguardar pelos "concursos da área que abrem no início do ano". "Com 33 anos, o que vou fazer?", questiona.
Também Mafalda Luís de Castro, 23 anos, está disposta a abandonar Portugal. "As hipóteses começam a esgotar--se", diz. A protagonista de ‘Louco Amor’, TVI, pode partir para Londres, "porque lá há muito teatro", ou Los Angeles, EUA. "Quando acabei a novela, pensei muito nesta alternativa", revela a atriz. A crise que abala o setor é mesmo tema de conversa entre os colegas. "Falámos, e muitos pensam em sair. Há muitos cursos lá fora. É uma questão de investimento também na nossa carreira. Principalmente quando o mercado em Portugal está tão mau. Não restam muitas soluções", afirma.
Mais positivo é Rui Unas. O que levou o ator, de 38 anos, a apostar no mercado internacional foi "ser proativo na busca de oportunidades de trabalho e desafios interessantes". "Se a conjuntura em Portugal não é a mais favorável, é mais uma razão para não descurar o mercado internacional, sobretudo o lusófono", diz o também apresentador, que se divide entre trabalhos em Portugal, Espanha e Brasil, que não lhe têm dado descanso. "Este ano estreia no Brasil um filme em que participei chamado ‘Colegas’. Tem acumulado várias distinções em festivais internacionais e naturalmente poderei capitalizar como cartão de visita para futuros trabalhos… mas ainda é prematuro falar disso", conclui.
Lúcia Moniz é outro exemplo de quem não desiste de trabalhar além-fronteiras. "Tenho uma agente norte-americana que me vai mantendo informada", explica à Correio TV. A atriz e cantora, de 36 anos, admite que a crise está a afetar seriamente a classe: "Na nossa área sente-se muito a falta de trabalho." Por isso não desiste de agarrar oportunidades no exterior. "Desde que fiz o filme ‘O Amor Acontece’ [2003], ainda não parei. Envio imagens de gravações minhas e, de vez em quando, viajo sozinha para fazer castings. Vai-se sempre tentando", revela.
Pêpê Rapazote, 42 anos, é o exemplo de que nunca é tarde para arriscar uma carreira internacional. Arranjou um agente em Los Angeles, tratou do visto e, 15 dias depois, fez o primeiro casting. O momento que o País atravessa e a falta de trabalho preocupam-no. "A quantidade de atores desempregados quadruplicou nos últimos dois anos. O que o público vê são os privilegiados que são convidados para projetos televisivos. O pico do icebergue. Tudo o resto está abaixo da linha de água. A maior parte dos atores passa fome", diz Pêpê Rapazote, apreensivo com a possibilidade de que também ele passe por esta situação. "É uma das razões pelas quais estou a tentar desbravar caminho nos EUA." E acrescenta: "Embora ache necessário o programa de ajustamento que estamos a fazer, comigo não contem. Tudo o que puder fazer lá fora, faço. Abandono o meu país? Se quiserem pôr as coisas nesses termos… com certeza, para salvar a minha família abandono o meu país."
Descontente com o mercado de trabalho está Rita Blanco, que integra o filme ‘Amour’, de Michael Haneke, que na semana passada venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, em Los Angeles, e está nomeado para os Óscares. "Já não há cinema em Portugal", lamenta. Rita Blanco viaja várias vezes até França, onde rodou, em 2012, ‘Cage Dorée’, que estreará este ano.
Ivo Canelas, 39 anos, é mais um dos atores portugueses que decidiram apostar no estrangeiro. Em setembro de 2012, viajou para Nova Iorque, onde tem feito audições com sucesso. No ano passado, integrou o elenco do filme ‘A Montanha’, coprodução brasileira, portuguesa e italiana.
Também Patrícia Bull, que já integrou projetos internacionais – em Angola, Brasil e França, onde está agenciada –, fala do "grande descontentamento a nível nacional". No entanto, sublinha que "é preciso acreditar no futuro do País e ter confiança na capacidade de trabalho".
Também a apostar no mercado internacional está Joana de Verona, de 23 anos, que vive em Portugal mas tem nacionalidade brasileira. À Correio TV, diz que "gostava de continuar a trabalhar no Brasil", no cinema, mas também em televisão.
Oceana Basílio é outra atriz que aposta em diversificar as oportunidades de trabalho: "Tenho o meu currículo numa agência em Los Angeles de forma a poder trabalhar nos EUA e ser proposta para castings, filmes e outros projetos", revelou à Correio TV. Recentemente, a atriz, que amanhã faz 34 anos, integrou o elenco do filme ‘Body High’, onde contracenou com Cokey Falkow, Mackensie Mason e Bella Dayne.
Paulo Pires, um dos pioneiros no mercado internacional, vive entre projetos em Portugal, Espanha e Brasil. O protagonista da telenovela ‘Doida por Ti’, TVI, confessa não estar "a tomar nenhuma atitude diferente perante a crise", mas admite que "a vontade de trabalhar fora sempre existiu entre os atores" e que, neste "momento, muitas pessoas estão a ter a experiência da emigração". Para este ano, já recebeu um convite para participar num projeto no Brasil, mas, devido a compromissos em Portugal, poderá ter de recusar.
Mas há outros exemplos de atores que emigraram, como Benedita Pereira, que se estreou nos ‘Morangos com Açúcar’ (TVI) e vive em Nova Iorque há vários anos. Agenciada naquele país, vai vivendo de pequenos trabalhos e participações em publicidade. Deu corpo e voz à protagonista do bem-sucedido videojogo ‘Max Payne 3’. Há dois anos, Leonor Seixas partiu para Los Angeles, EUA, para tentar a sua sorte. Tem feito alguns castings e apostado na formação profissional, mas ainda sem êxito assinalável. A atriz já revelou que a "competição é grande".
Ana Cristina Oliveira também vive nos EUA, e Maria de Lima, que há vários anos foi para o estrangeiro, está atualmente em Londres a rodar uma longa-metragem da realiza-dora norte-americana Sarah Baker.
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