Equívocos na formulação, deficiências na leitura e ambiguidade no conteúdo das perguntas são algumas das críticas apontadas ao programa apresentado por Luísa Castel-Branco. A produção confirma as falhas, mas garante que o concurso é feito à base do rigor.
José Pedro Borges, jornalista, tem uma vasta experiência em concursos de televisão. “Casa Cheia”, “Palavra Puxa Palavra”, “Filha da Cornélia”, “Pirâmide”, “Com a Verdade M’Enganas” ou “1, 2, 3” são penas alguns daqueles em que participou e dos quais, quase sempre, saiu vencedor. Em relação a “O Elo Mais Fraco”, da RTP1, tem uma posição fortemente crítica. “Detectam-se muitos erros e alguns deles graves. Por exemplo, já fizeram de Júlio César imperador romano pelo menos quatro vezes, coisa que ele nunca foi”, afirma.
Ao longo de 10 meses de exibição, o programa agora apresentado por Luísa Castel--Branco tem sido alvo das críticas, públicas ou privadas, dos mais variados espectadores. Tratando-se de um concurso de cultura geral, muitos não lhe perdoam os lapsos. Para confirmar se há, realmente, erros na preparação das perguntas, nada melhor do que ouvir a opinião dos ‘profissionais’ de concursos, aqueles que se tornaram famosos pela assiduidade com que, em tempos, surgiam na televisão. Mas a própria produção admite a existência de falhas.
José Pedro Borges identifica outro erro da produção, que considerou certa a resposta de um concorrente que atribuiu a Nicole Kidman nacionalidade norte-americana, “quando ela é australiana”.
Luís Almeida, 72 anos, em tempos apelidado de “papa-concursos”, tem acompanhado com atenção as emissões d’“O Elo Mais Fraco” e até já esteve num “casting” para o programa. “Detectei alguns erros, principalmente em perguntas que admitem mais do que uma resposta. A produção considera apenas uma resposta certa, quando há outras possíveis”, diz. O engenheiro, agora aposentado, destacou-se, nomeadamente, pela sua participação em concursos como “1, 2, 3”, “Jogo de Cartas” ou “Saber ou Sorte”, todos da RTP.
“JÁ NÃO HÁ SABEDORIA”
Outro veterano dos concursos, Luís Costa, 52 anos – que participou, entre outros, em “Casa Cheia”, “Palavra Puxa Palavra”, “1, 2, 3”, “Entre Famílias”, “Trocado em Miúdos”, “Responder à Letra” e “Com a Verdade M’Enganas” – defende que, actualmente, “o espectáculo não é a sabedoria, mas a ignorância”. Luís Costa também diz ter encontrado falhas, sobretudo em perguntas que têm várias hipóteses de resposta.
“Uma vez perguntaram por que nome é mais conhecido o jogador de futebol Nuno Ribeiro. A resposta que eles queriam era Nuno Gomes, mas também poderia ser Maniche”, diz. Luís Costa acrescenta que, por vezes, a apresentadora faz uma má leitura das questões. “Na edição de 14 de Janeiro, por exemplo, a apresentadora perguntou em que cidade espanhola se pode encontrar a Torre da Giralda, quando o nome da torre é Giralta”. José Pedro Borges concorda que Luísa Castel-Branco induz os concorrentes em erro, embora saliente que ela “melhorou muito desde os primeiros programas”. O mesmo ‘profissional’ critica a falta de homogeneidade. “Mesmo na última fase surgem perguntas com graus de dificuldade muito diferentes, o que poderá beneficiar um dos concorrentes”, defende.
Bruno Cerveira, produtor d’”O Elo Mais Fraco”, admite a existência de erros. Explica, no entanto, que este problema não resulta de um descuido da produção, até porque, segundo garante, a formulação e o tratamento das perguntas e respectivas respostas do concurso passam por três etapas. Primeiro que tudo, “as questões são concebidas por um grupo de 16 jornalistas que fazem parte da produção do programa. Posteriormente, são enviadas para um outro grupo de três jornalistas, fora da produtora, que ficam encarregues de revê-las uma a uma. A terceira fase consta na devolução das questões, já revistas, à produtora que, mais uma vez, as passa a pente fino”, explica.
Mesmo assim e, apesar de todos os cuidados, a verdade é que os erros continuam a existir. Se tivermos em conta que “O Elo Mais Fraco”, neste momento, já fez um total de 57 mil questões e que, desse número, foram identificados apenas 55 erros pela produtora, o quadro deixa de parecer tão negro. Mas muitos continuam a identificar lapsos e equívocos quase todas as semanas do concurso, mesmo que eles não tenham a ver directamente com o conteúdo das questões.
“O BURRO MAIS FRACO”
Quando se trata de comparar os actuais concursos de televisão com os clássicos, como “Casa Cheia” ou “1, 2, 3”, os “papa-concursos” estão de acordo: o grau de exigência foi substancialmente reduzido. Perguntas mais fáceis, concorrentes menos cultos e um menor rigor por parte da produção são algumas das críticas apontadas. “Até 1999, quando foi gravada a última edição da ‘Casa Cheia’, os concursos eram interessantes. A partir do momento em que veio a onda de reduzir tudo a telenovelas, deixou de haver concursos. Agora são programas de entretenimento”, defende José Pedro Borges.
Para Luís Costa uma das falhas ocorre logo na pré-selecção, que não filtra, de forma eficiente, os participantes. Além disso, recorda, “na ‘Casa Cheia’, onde fui o concorrente masculino que mais ganhou, havia uma preocupação da produção em não deixar passar asneiras.” Hoje em dia, Costa crê que a atitude crítica, por parte dos responsáveis pelos programas, já não é a mesma.
Jorge Rocha também é um veterano dos concursos – no seu currículo constam participações em “Casa Cheia”, “Roda da Sorte” e “1, 2, 3” – e foi o vencedor de uma das primeiras edições de “O Elo Mais Fraco”. Embora nunca tenha detectado erros, não tem dúvidas em afirmar que o nível de dificuldade das perguntas dos concursos actuais é menor. “Hoje o ‘target’, tanto a nível de público como, sobretudo, de concorrentes, é muito diferente”, diz.
José Pedro Borges sustenta a ideia de que os novos concorrentes são bastante mais fracos ao nível da cultura geral. “Para mim o concurso devia chamar-se ‘O Elo Mais Burro’ ou ‘O Burro Mais Fraco’”, afirma, com ironia. E acrescenta: “Ainda hoje, todos os dias, sou reconhecido na rua por pessoas que nunca vi na vida e que me conhecem da TV. Eu gostaria de saber se algum dos concorrentes dos concursos actuais alguma vez vai ser reconhecido.”
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