Colocaram de parte os sketches para inaugurarem em Portugal um programa verdadeiramente ao estilo de ‘Daily Show’ que fará uma cobertura satírica das eleições.
'O formato do programa será oval.” O trocadilho de Ricardo Araújo Pereira é usual sempre que se aborda a questão do modelo de cada um dos programas do quarteto de humoristas. ‘Gato Fedorento: Esmiúça o Sufrágio’ não será ainda a primeira forma geométrica a transformar-se em programa de televisão, mas revela várias facetas até agora desconhecidas do grupo de humoristas e inaugura, em Portugal, a cobertura televisiva intensiva de eleições com um pendor humorístico. Como inspiração têm o guru do noticiário satírico, Jon Stewart, apresentador de ‘Daily Show’. “Isto não é exactamente um programa, é uma espécie de acidente em directo. O que é óptimo para as audiências porque as pessoas gostam muito de ver desastres”, resume Ricardo Araújo Pereira.
Pela primeira vez o ‘Gato’ trabalha regularmente em directo, de segunda a sexta-feira. É também a estreia do grupo num programa que inclui a vertente de talk-show, com convidados que privilegiam a área política. “O que há a dizer, para não criar falsas expectivas, é que este programa não terá sketches como os anteriores. O modelo de abordagem humorística da realidade não pode ser o mesmo. Além disso, trata-se de pessoas que não têm especial talento para apresentar, nem experiência de directos, a fazer um directo, escrito no próprio dia, a partir das 08h00 ou 09h00”, acrescenta Ricardo Araújo Pereira.
O novo programa dos ‘Gato Fedorento’ é também o primeiro da televisão portuguesa a tentar realizar uma cobertura satírica de uma campanha eleitoral, algo que Jon Stewart tem levado a cabo nos EUA em relação às eleições presidenciais nos blocos denominados ‘Indecision’ (Indecisão). Para conseguir cobrir a actualidade política numa altura em que se sucedem duas campanhas eleitorais, os ‘Gato Fedorento’ contam com o apoio de uma equipa de quatro jornalistas. Os humoristas, embora ocupados a escrever os textos, não se escusam a dedicar tempo à pesquisa. “Nós temos uma sala em que cada um tem o seu computador, com acesso ao arquivo da SIC. Mas essa equipa de quatro jornalistas fará a pesquisa, quer direccionada para aquilo que nós pedimos, quer feita por iniciativa deles”, explica Ricardo Araújo Pereira.
Como no noticiário de Jon Stewart, haverá apenas um anfitrião em cada episódio. Ao contrário de ‘Daily Show’, o apresentador de ‘Gato Fedorento: Esmiúça o Sufrágio’ não será sempre o mesmo. A ideia inicial é que cada um dos quatro humoristas ocupe a cadeira de apresentador. “Excepto se algum de nós se destacar por tanto brilhantismo que convença os outros a apresentar sempre, como nós os três esperamos que aconteça com o Ricardo”, ressalva Tiago Dores. Em cada emissão, os restantes elementos do grupo darão vida a comentadores e repórteres, os únicos personagens que os comediantes interpretam neste formato. “Do ponto de vista conceptual poderia parecer estranho estarmos a fazer bonecos de pessoas que poderão ser nossos convidados”, diz Tiago Dores. Ricardo Araújo Pereira acrescenta: “É um programa que é feito em cima da hora. Nós não temos duas horas para eu perder a vestir-me de Sócrates ou o Tiago de Ferreira Leite.”
Os convidados são outro elemento importante e que diferencia este de todos os programas anteriores da troupe. O magazine terá um bloco de entrevistas a personalidades reais. Figuras como Paulo Portas, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e António Costa estarão presentes na rubrica, mas o desejo do quarteto é contar com os principais intervenientes destas eleições “É importante dizer também que o programa começa no dia 14, o dia em que tem início a campanha eleitoral. Dura as duas semanas das legislativas, as duas semanas subsequentes, que são as que precedem as autárquicas, e dura as duas semanas a seguir”, sublinha Ricardo Araújo Pereira. E o que vai acontecer nas duas últimas semanas, quando ambas as eleições já se tiverem realizado? Tiago Dores espera que essa seja “uma altura dominada pela temática da constituição de governo, se não houver maioria absoluta”. E conclui: “Estamos a apostar mesmo na confusão.”
No que diz respeito à orientação ideológica dos humoristas, não é de esperar que ela seja exposta, embora na pele dos comentadores fictícios se preparem para defender posições partidárias. Ricardo Araújo Pereira é de esquerda, Zé Diogo mais à direita. Depois, há os indecisos: Tiago Dores e Miguel Góis.
OS CROMOS: MARCA DE POPULARIDADE
Os ‘Gato Fedorento’ estrearam-se na SIC Radical em 2003. A caricatura, as piadas secas e o humor corrosivo e até ‘non sense’ logo os transformaram num fenómeno de audiência, mas residual – para os iluminados que seguiam aquele canal temático, então dirigido por Francisco Penim. Mas foi em 2004, com um spot publicitário feito para o Montepio Geral, o célebre ‘Eles falam,falam, falam’, que ficaram conhecidos do grande público. A exibição de skethes da SIC Radical na generalista, sem autorização dos autores, afastou-os da estação de Carnaxide. Em 2006 assinaram contrato com a RTP 1, onde exibiram as séries ‘Lopes da Silva’ e ‘Diz que é uma Espécie de Magazine’. Em 2008 voltaram para a SIC generalista, onde já exibiram ‘Gato Fedorento: Zé Carlos’ e se preparam para estrear o novo ‘Esmiúça o Sufrágio’. Na internet ficaram célebres os vídeos com paródias a Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Bento e José Sócrates.
DOIS DIRECTOS NA CARREIRA
A experiência dos ‘Gato’ em directo resume-se a dois especiais de fim-de-ano: na RTP 1 (2006/ 2007) e na SIC (2007/ 2008). “Os programas de fim-de-ano em directo têm sempre a desculpa de que, se correrem mal, podemos alegar que estávamos embriagados. Desta vez vamos contar que a forte taxa de alcoolismo do povo português nos ajude nas noites de segunda a sexta-feira”, diz RAP.
HUMOR MILIONÁRIO: 'GATO' VALE MILHÕES
Um acordo de publicidade milionário assinado com a Portugal Telecom, vendas recordes de DVD e milhões de vídeos vistos na internet já garantiram aos quatro humoristas vários milhões de euros. Mas eles também garantem retorno: 2,5 milhões de telespectadores assistiram ao anúncio de lançamento da campanha de publicidade do Meo (serviço de IPTV da PT), que registou um share de 81 por cento.
16,3% de audiência: Foi o melhor resultado de um episódio de 'Diz que é uma Espécie de Magazine' (RTP 1), exibido a 4 de Fevereiro de 2007.
1500 euros por episódio: Era o parco orçamento que os 'Gato' recebiam em 2004, quando se estrearam na SIC Radical de Francisco Penim.
25 mil euros por episódio: Foi o cachet pago pela RTP aos 'Gato Fedorento' para as séries 'Lopes da Silva' e 'Diz que é uma Espécie de Magazine'.
57 mil euros por programa: É quanto pagou a SIC para os receber de volta, num contrato que incluía dois formatos, em 2008 e 2009.
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