José Fragoso regressa à TSF após quinze anos. Depois da imprensa, da rádio e da televisão, aos 40 anos, ele é o novo director da TSF, pela mão de alguém de quem profissionalmente tem estado sempre ao lado: Emídio Rangel. Agora tem uma árdua tarefa de reestruturação pela frente
- Correio da Manhã - Ao longo do seu percurso tem trabalhado muito com o Emídio Rangel. É um caso de confiança mútua?
- Estive com ele desde o início na TSF. Depois houve um período em que estive no "Público" e separámo-nos. Desde que passei para a SIC, em 1992, estivémos juntos até ele sair da RTP, há um ano. Tenho uma confiança completa nele e julgo que o contrário também será verdade. Trabalhamos bem em conjunto.
- Como encara a remodelação da TSF proposta por Emídio Rangel?
- É um trabalho de grande valor para a TSF porque é uma análise muito exaustiva do comportamento dos públicos, do consumo de rádio e da performance da TSF ao longo do dia. Permite perceber onde é que a TSF está a funcionar e onde tem fragilidades e também identificar os espaços onde é preciso investir. A TSF é uma rádio com um modelo relativamente estável mas tem de criar condições para crescer nalguns públicos.
- No público feminino e no público mais jovem. A TSF é uma rádio de referência no País, mas é preciso soluções - e aqui o trabalho do Emídio foi essencial - para captar mais público. Mas sem contrariar a matriz da rádio, que é uma rádio de informação.
- Quais são então os horários de maior influência?
- A TSF é uma rádio de informação. Nas manhãs e tardes, onde o consumo de rádio atinge picos, está bem posicionada. Mas tem fragilidades ao longo do dia e em alguns períodos como a noite e as madrugadas. Nesses horários vamos introduzir conteúdos que podem chamar ouvintes novos. Também investimos no reforço de espaços de informação disponíveis nas zonas de maior audiência durante a manhã (07-10h) e durante a tarde (17-20h). A economia, a bolsa, o humor, as revistas de imprensa (nacional e internacional), a antecipação dos temas do dia, o trânsito, a meteorologia... Tudo isso está muito arrumado, numa dinâmica muito forte.
- Como encara o desafio? É uma grande responsabilidade substituir o Carlos Andrade (ex-director)?
- É. Até porque a TSF tem um percurso marcado pela direcção de grandes profissionais de rádio: Emídio Rangel - o fundador e a grande referência, David Borges, Carlos Andrade... Por isso, nesta fase nova, pretendemos que esse património seja respeitado mas que sejamos capazes de acrescentar ingredientes novos, que alarguem o número de pessoas com contacto diário com esta rádio.
- Quando assumiu a direcção, sentiu alguma retaliação (ambiente mais pesado) da redacção?
- Hoje em dia, o ambiente das redacções é muito marcado pela conjuntura da comunicação social e não há excepções. Todas as redacções vivem marcadas pelas contenções de custos, obrigatória porque as empresas têm receitas inferiores devido à crise da publicidade. Não há ninguém que escape às necessidades de reestruturação e a TSF não é excepção. É com essa realidade que temos de viver.
- Henrique Granadeiro [pesidente do conselho de administração do grupo] anunciou cortes de custos na ordem dos 30%. Como sente o 'feedback' dos jornalistas?
- Depois de uma fase eufórica, o País entrou numa fase de realismo. As empresas e todos nós temos de abdicar de algumas coisas para ter outras. É preciso ter noção de que a nossa independência é garantida pelas receitas, pela publicidade e que os custos têm que estar em sintonia com os lucros. Vivemos numa época de crise.
- Mas o ambiente da redacção é de receio?
- Venho de um processo de reestruturação da RTP, que marcou e continua a marcar a vida da empresa, e da SIC, que também passou por uma reestruturação. As pessoas que trabalham nas empresas têm que estar conscientes que agora é diferente. É um condicionalismo natural nos dias que correm.
- A administração incumbiu-lhe alguma missão?
- O que me foi pedido é que mantivesse a TSF no seu caminho e que conseguisse conquistar novos públicos, mantendo sempre a matriz, a marca.
- Foi buscar o subdirector, Luís Proença, à Antena 1 (RDP) e, eventualmente, sucederá o contrário. Existe alguma guerra na troca de recursos?
- Não há guerra nenhuma. É uma situação natural. Trabalhei com o Luís Proença no início da TSF (ele entrou um ano depois), na SIC Notícias, no período de arranque, depois eu saí para a RTP e ele para a RDP. Achei que era importante tê-lo comigo nesta fase. Os profissionais deslocam-se de umas empresas para as outras de acordo com os projectos de cada momento.
- Nesse contexto, e considerando a eventualidade de Carlos Andrade vir a integrar o painel de 'Flashback', (caso seja emitido na Antena 1), como encara a oposição do grupo Lusomundo?
- Não comento esse assunto.
- A TSF tem ambições de passar a ser uma rádio nacional?
- Para todos os efeitos, a TSF é uma rádio nacional porque estamos no país inteiro. Temos é dificuldades técnicas de contacto com algumas zonas. Era importante que a TSF tivesse o direito de chegar a todo o país em perfeitas condições. A TSF tem condições para investir nessa área técnica. Para isso, é preciso que seja garantida a legalidade nesse processo.
- A TSF vai aproveitar a alteração da Lei da Rádio para alguma proposta nesse sentido?
- É uma situação que está a ser acompanhada pela administração.
José Fragoso estreou-se no jornalismo, aos 25 anos, no jornal 'Se7e'. Entretanto, fez um curso de formação para jornalistas, na TSF, e acabou por ser seleccionado. Integrou então a rádio no seu arranque, em 1988, acumulando funções com a imprensa. Ainda na TSF, passou para o semanário 'Expresso' e manteve também colaborações com a RTP, no programa de entrevistas 'Concorda ou Talvez Não'. Pela dificuldade de conciliação de rádio e imprensa, optou então por permanecer apenas no 'Público'. Na SIC viria a integrar a equipa de fundadores, em 1992, e aí permaneceu uma década chegando ao cargo de director da SIC Notícias que assumiu durante uns meses, até sair para a RTP. Na estação pública foi director-adjunto de informação e director dos canais internacionais - África e Internacional. Aos 40 anos é o novo director da TSF, desde Agosto deste ano.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.