Manoel Carlos, autor do argumento de ‘Mulheres Apaixonadas’, acha que mulheres fortes, enamoradas e humanas têm de chamar-se Helena. Regina Duarte, Maitê Proença, Vera Fischer, e, agora, Christiane Torloni foram musas de estórias suas.
Helena. Para Manoel Carlos, o autor da história de ‘Mulheres Apaixonadas’, o nome soa a dignidade, feminilidade, mulher que busca o amor... Atributos reunidos na personagem representada por Christiane Torloni na novela, cuja exibição chega ao fim neste mês, na SIC. Apesar das indecisões, ‘Helena’ busca o amor. Tentou encontrá-lo com ‘Téo’ (Tony Ramos), mas é no casamento com ‘César’ (José Mayer), o seu primeiro grande amor, que ela encontra a felicidade. No casamento e na maternidade, porque ‘Helena’ casa grávida com o famoso neurocirurgião.
Cativado por um nome, Manoel Carlos, grande guionista brasileiro, escolheu Maitê Proença para liderar o elenco de ‘Felicidade’ (1991). Seguiu-se Regina Duarte, uma das suas maiores divas, para protagonista de ‘História de Amor’ (1995) e, mais tarde, ‘Por Amor’ (1997). Mais recentemente, Vera Fischer em ‘Laços de Família’ (2000). Todas elas, à semelhança de Torloni em ‘Mulheres Apaixonadas’, se chamaram ‘Helena’. Christiane Torloni conta que nunca, em 28 anos de carreira, foi tão abordada por homens e mulheres que se identificavam com a sua ‘Helena’. “Os homens sentiam confiança em abrir-se comigo. As mulheres reconheceram-se nessa mulher humana e emocionalmente indecisa”, revela à revista ‘Veja’.
Por seu turno, Manoel Carlos fala assim, sobre as suas heroínas, em declarações àquela publicação brasileira: “As mulheres são pessoas mais interessantes. São menos hipócritas, mais verdadeiras, percebem melhor as coisas”. O que caracteriza Manoel Carlos é o facto de ele escrever sobre a realidade que o rodeia. Daí que temas como o alcoolismo, o cancro, a terceira idade, o amor obsessivo, a homossexualidade ou a violência doméstica sejam abordados. Esta é a chave do sucesso do guionista. O autor não conhece rotinas. Revela que não tem horas para escrever, dormir ou comer. E quando escreve acredita que só existe uma história no mundo, a dele. Se assim não fosse, nunca teria conseguido acabar uma novela, confessa.
Cansado das novelas, Manoel Carlos, que tem um contrato com a TV Globo até 2008, anunciou à ‘Veja’ que gostaria de poder dedicar-se às mini-séries e escrever duas por ano. “Se depender de mim, ‘Mulheres Apaixonadas’ será a minha última novela. Estou com 70 anos. Não tenho mais condições físicas. Trabalho com gosto, mas se eu não parar de escrever novela, minha mulher se separa de mim”, diz Manoel Carlos.
Manoel Carlos escreveu para as televisões brasileira, mexicana, argentina, colombiana e americana. Foi autor de dezenas de textos para o Grande Teatro Tupi. Entre as muitas novelas, séries e mini-séries que escreveu para a Rede Globo, relembramos alguns dos seus trabalhos mais conhecidos entre nós.
‘Água Viva’ (1980)
‘Baila Comigo’ (1981)
‘Felicidade’ (1991)
‘História de Amor’ (1995)
‘Por Amor’ (1997)
‘Laços de Família’ (2000)
‘Presença de Anita’ (2001)
‘Mulheres Apaixonadas’ (2003)
"Escrevo apenas sobre o que conheço. Nas minhas novelas não há ‘grã-finos’ porque nunca convivi com eles”, disse à revista ‘Veja’ Manoel Carlos, para explicar a razão pela qual elegeu a classe média como protagonista das suas obras.
Em relação a personagens de ‘Mulheres Apaixonadas’, o autor recorda que ‘Sílvia’, uma mulher da classe média que teve um caso com um motorista de táxi, baseia-se numa história que ocorreu no bairro onde ele morava. E o padre ‘Pedro’, que na novela renuncia à Igreja para se casar com ‘Estela’, foi inspirado noutro facto verídico passado num colégio frequentado pelo guionista, com um padre espanhol.
A poucos dias de nos despedirmos da telenovela ‘Mulheres Apaixonadas’, recordamos o desfecho das principais personagens da novela de Manoel Carlos, exibido no Brasil em 10 de Outubro. Numa cerimónia simples, ‘Edwiges’ casa com ‘Cláudio’. ‘Marina’ e ‘Expedito’ não se entendem e passam a vida a discutir. ‘Lorena’ enamora-se de outro jovem.
A interesseira ‘Dóris’ atrai ‘Fred’ ao carro de ‘Marcos’, que o algema. Um e outro morrem quando o jipe cai numa ravina. ‘Raquel’ fica grávida de ‘Fred’ e ‘Dóris’ viverá atormentada pelo remorso. Com a ajuda dos amigos, ‘Santana’ liberta-se do álcool. ‘Luciana’ e ‘Diogo’ reconhecem que não podem viver um sem o outro. ‘Téo’ assume a paternidade plena de ‘Salete’ e ‘Lucas’.
Dissertando sobre a telenovela ‘Mulheres Apaixonadas”, um dos produtos de maior sucesso na história da TV Globo, o psicanalista carioca Eny Lacerda explica, na ‘Folha de São Paulo’, que “o público faz terapia através da televisão”. E acrescenta: “A partir dos problemas dos personagens, as pessoas dão-se conta dos próprios problemas. Tenho muitos pacientes que me falam da novela nas minhas sessões.”
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