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Lusa não quer distribuir dividendos

Afonso Camões, presidente da Lusa, está contra a distribuição dos lucros de 2012 aos acionistas da agência noticiosa. <br/>

12 de fevereiro de 2013 às 20:17

“Não faz sentido, do meu ponto de vista, uma distribuição de dividendos”, afirmou o responsável máximo da Lusa em audição no Parlamento.

Ainda assim, recorda que essa é uma decisão da assembleia geral, onde estão representados o Estado, acionista maioritário, assim como a Controlinveste, de Joaquim Oliveira, e a Impresa, de Francisco Pinto Balsemão, os grandes acionistas privados.

Em 2012, a Lusa obteve lucros inferiores a um milhão de euros, isto porque parte dos resultados positivos foram ‘gastos’ no plano de reestruturação da empresa, como os 1,7 milhões pagos nas indemnizações para a saída de 24 trabalhadores, 20 dos quais jornalistas.

O presidente da agência revelou ainda aos deputados a “velha ambição” de “abrir empresas com capital da Lusa em Macau, Luanda e S. Paulo”. “Tem muitas vantagens, desde fiscais ao facto de se poder abrir o capital a investidores locais”, disse.

“Se escolhermos bons parceiros, podemos crescer com eles”, explicou Camões.

Contudo, o projeto, que data de 2010 e que já foi duas vezes atualizado, ainda não avançou e necessita de despacho conjunto dos ministérios dos Assuntos Parlamentares, de Miguel Relvas, e das Finanças, de Vítor Gaspar.

Sobre os cortes na agência, que para 2013 viu o Estado reduzir a sua transferência em 31% (4,8 milhões de euros), Camões revelou que a empresa conseguiu fazer o ajuste, mas ficou “à pele”. “Respondo por este contrato porque o assinei, mas é um contrato leonino. Foi o melhor que consegui”, disse o responsável, recordando que desde 2010 foram 63 os trabalhadores a saíram da agência.

Além da redução salarial conseguida com as rescisões (913 mil euros para 2013 com os 24 trabalhadores que saíram em 2012), Lusa cortou 20% nas ajudas de custo e nos subsídios de função, além do trabalho extraordinário ter deixado de ser pago. Sobre futuras saídas, Camões garantiu que quer evitar despedimentos, mas não o pode garantir. Já as rescisões voluntárias estão sempre em aberto: “Vão sair quantos quiserem”, sublinhou.

O presidente da Lusa falou ainda sobre a rede da agência, que tem “52 antenas em território nacional e que está em 25 países, em breve em 27 [com correspondentes na Suíça, Genebra, e no Luxemburgo]”. Camões diz mesmo que algumas regiões nacionais foram reforçadas, com mais um jornalista no Algarve, Santarém e Braga, e mais três nos Açores.

Contudo, em alguns países, como na Alemanha ou Rússia, entre outros, os jornalistas que trabalham com a Lusa deixaram de receber salário, e começaram a ganhar à peça. “Não dá para ter um jornalista a tempo inteiro em Moscovo…”, exemplifica. Sobre os valores pagos por peça, diz que varia entre um mínimo de 25 euros e um máximo de 250 euros.

“Precarizamos a rede em alguns sítios, mas não precarizamos na geografia da língua”, acrescenta Camões.

Com a redução de trabalhadores, veio também uma queda na produção de conteúdos. Camões diz que em janeiro de 2012 foram produzidos 11596 trabalhos (notícias, vídeos e fotos, entre outros), um valor que diminuiu para 10745 no primeiro mês de 2013. “Não é possível com menos gente manter o mesmo volume”, diz, sublinhando que, ainda assim, estes valores estão “muito acima do que é pedido” no contrato com o Estado.

Sobre a RTP, o presidente da Lusa deixa claro que pretende que a “colaboração cresça”, nomeadamente em áreas como “multimédia, formação, logística e técnica”. “A RTP é um cliente da Lusa e o que queremos é que seja mais cliente. Se as encomendas da RTP aumentarem ganhamos mais aptidão”, afirmou, esclarecendo que a “Lusa não pretende substituir-se à RTP”. “Queremos colaborar. Temos correspondentes que trabalham para a RTP e queremos alargar” esse trabalho.

Afonso Camões adiantou ainda que está a “preparar um plano global de colaboração” com a agência espanhola EFE. Este pode passar por a Lusa, por exemplo, fornecer conteúdos à EFE nos países de língua portuguesa e a EFE fazer o mesmo nos países onde a língua oficial é o castelhano. Além disso, e também para cortar custos, a Lusa deixou de assinar a “Associated Press”.

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