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Um militar do Porto exige à TVI uma indemnização na ordem dos 1,5 milhões de euros. O pára-quedista na reserva reclama a autoria de a ‘1.ª Companhia’, ‘reality show’ estreado pelo canal de Queluz em Setembro de 2005. A versão original, como alega a Endemol, é francesa e foi exibida em Fevereiro de 2005 na TF1.
“Nos finais de 2003, apresentei o projecto à Júlia Pinheiro, que adorou a ideia. Propôs-me irmos à Endemol, que seria a produtora do programa, e apresentou-me ao Pedro Curto [produtor da empresa]”, garante, explicando o processo de criação de ‘Special Force’: “Tenho uma carreira de mais de dez anos de serviço militar. Em 2002, escrevi um programa com o nome de ‘Special Force’ e registei-o no IGAC [Inspecção-Geral de Actividades Culturais] em finais de 2003. Com o fim do serviço militar obrigatório, a ideia era mostrar as Forças Armadas num programa diferente. Não aquela chachada toda. Queríamos estimular as pessoas a aderirem às Forças Armadas.”
Durante o ano de 2004, conta o militar, encetou-se um processo de negociação mais aprofundado, que abortou com o abandono da TVI e da Endemol.
“Qual não foi o meu espanto, quando demos por ela, já com o negócio todo encaminhado, eles desistem e foram buscar uma alegada versão francesa”, refere, mostrando a sua indignação: “Até já tinha autorizações do Exército para avançar com o programa. Foi uma situação que causou muito sofrimento. Criamos uma coisa e depois vemos alguém a tirar proveito dessa ideia.”
CANAL ADMITE NOTIFICAÇÃO
Confrontado com o caso, o gabinete jurídico do canal de Queluz reconheceu a existência do processo. No entanto, instado a comentar a reclamação do militar na reserva, fonte da TVI recusou tecer comentários.
A Endemol, por sua vez, através do produtor Pedro Curto, confirma contactos com o pára-quedista, mas nega terem existido negociações sobre o ‘reality show’: “Lembro-me dessa situação. A Júlia Pinheiro apresentou-me um senhor que tinha um projecto para fazer um programa, mas não tivemos quaisquer negociações. Isso já foi há tanto tempo que não me lembro de pormenores. O senhor explicou-me a ideia dele e comigo não passou daí. A ‘1.ª Companhia’ é um original francês.”
PROVIDÊNCIA
“Pensei colocar uma providência cautelar, para evitar o início do programa, mas o advogado aconselhou-me a não o fazer para ver se haveria negociações”, conta o militar.
CONVITE
“A TVI pediu-me para não avançar com a providência. Até me convidaram para ser instrutor. Não era por aí que queria levar as coisas. Gostava de resolver tudo a bem”, diz o pára-quedista.
MOUTINHO
“Eu e um coronel amigo falámos com o Bragança Moutinho [José Moutinho, comandante de a ‘1.ª Companhia’] e contámos as ideias. Nessa altura, já reunia com a Júlia Pinheiro”, revela.
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