O jornalista e empresário brasileiro Roberto Marinho, presidente do maior grupo de comunicação do Brasil e o considerado quarto maior do Mundo - Organizações Globo, morreu na passada quarta-feira à noite, aos 98 anos, vítima de complicações de um edema pulmonar. O funeral realizou-se ontem, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Uma das figuras mais populares do Brasil, Marinho faleceu cerca das 21h30 locais (01h30 em Portugal) após ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica no hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde tinha sido internado de manhã na sequência de um edema pulmonar provocado por uma trombose.
A notícia da morte do jornalista deixou emocionado o Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias. "Tem gente que vem ao Mundo a passeio, tem gente que vem ao Mundo a serviço. Roberto Marinho foi um homem que veio ao Mundo a serviço, quase um século de vida de serviços prestados à comunicação, à educação e ao futuro do Brasil", afirmou Lula, utilizando uma expressão do publicitário Carlito Maia, morto em Junho do ano passado.
E ao saber da morte do jornalista, os deputados em Brasília fizeram um minuto de silêncio.
Roberto Marinho nasceu no Rio de Janeiro a 3 de Dezembro de 1904, no Bairro do Estácio. Filho do jornalista Irineu Marinho, assumiu o jornal da família, "O Globo", aos 21 anos, após a morte do pai, que 21 dias antes fundara o famoso jornal.
Antes de assumir a direcção de "O Globo", em 1931, Marinho exerceu várias funções, editor, redactor-chefe e secretário. A partir daí, o empresário montou um império de comunicação que inclui a maior rede de televisão do Brasil, rádio, editora e negócios na Internet.
Líderes das Organizações Globo, os filhos do empresário pretendem agora permanecer no caminho percorrido pelo pai.
"Foi com a sua obstinada defesa da cultura nacional que aprendemos que este é o único caminho que um conjunto de empresas como as Organizações Globo pode seguir. E é nesse caminho que seguiremos", afirmou a família, em comunicado. -
O ELEITOR DE PRESIDENTES
Roberto Marinho era um dos homens mais influentes do Brasil e de quem se diz que elegia e apeava presidentes. Com um património avaliado em mil milhões de dólares, o jornalista ocupou a 445ª posição na lista dos mais ricos do Mundo de 2002 da revista norte-americana "Forbes". Este ano, não foi incluído no ranking.
Apaixonado por cavalos e obras de arte, Marinho foi criticado por apoiar a ditadura militar no Brasil (1964-1985) e, dessa forma, enriquecer a Globo. Porém, o jornalista nunca permitiu que algumas das estrelas que trabalhavam nas suas produções - Dias Gomes, Janete Clair e Mário Lago, entre outros - fossem perseguidas pelo regime. "Nos meus comunistas ninguém toca" afirmou Marinho na altura.
Além de dar nome a uma fundação, Roberto Marinho foi, em 1993, eleito membro da Academia Brasileira de Letras.
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