Jorge e Vera Carvalho são casados, mas têm uma outra relação: trabalham em televisão e na mesma área, a ficção. Eles são o casal Telenovelas. Ele ligado à TVI e ela à SIC.
Jorge Carvalho é realizador na NBP, a empresa que alimenta a TVI com novelas. Fez parte da equipa que realizou ‘Mundo Meu’, actualmente no ar, e integrará o conjunto de realizadores de ‘Intimidades’, novela que o canal de Queluz de Baixo deverá apresentar brevemente, mas cujas gravações já se iniciaram. Vera Carvalho é argumentista e uma das responsáveis pela adaptação da novela juvenil que Teresa Guilherme se encontra a produzir para a SIC.
O casal encara com naturalidade o facto de trabalharem para canais de televisão que competem pela liderança das audiências. Não se consideram rivais. Aliás, “raramente” levam para casa o que se passa no trabalho. Levam é uma força de expressão. De facto, não falam sobre o que cada um faz no dia-a-dia no âmbito profissional. Vera, no entanto, muitas vezes é obrigada a escrever em casa.
“Dedico quase 18 horas diárias à escrita. Se ainda fosse usar o meu tempo livre para falar sobre trabalho...”, diz Vera, sublinhando, naturalmente, o facto de “existirem segredos”. Por isso mesmo, o silêncio é a melhor forma de evitar situações desconfortáveis para ambos. “Não saber para não prejudicar”, como enfatiza Vera. “Apesar da curiosidade natural que temos, é preciso salvaguardar o trabalho de cada um”, complementa Jorge. Além do mais, o casal Carvalho tem um filho de quase dois anos, que lhes “ocupa o pouco tempo livre” de que dispõem. Tal facto contribui, igualmente, para deixarem à porta de casa as conversas profissionais.
A rivalidade entre as estações para as quais trabalham não impede o casal de se apoiar mutuamente. “É óbvio que, enquanto profissional ligado à NBP, fico contente com o sucesso da TVI. Mas quanto mais sucesso a Vera tiver, melhor”, afirma Jorge. Do lado da mulher, o apoio também é total. E, como a guionista refere, as diferentes estratégias dos projectos que desenvolvem até ajudam: “Não concorremos directamente, porque o público alvo e o horário a que as novelas vão passar são completamente distintos.”
Tal situação também se esbate pela relação laboral que mantêm. É que se Jorge tem o seu trabalho condicionado pela relação exclusiva entre a NBP e a TVI, o mesmo não acontece com Vera.
‘TRIO MARAVILHA’
A argumentista, para lá da novela juvenil que a SIC prepara, tem em mãos um trabalho para a... TVI. ‘Trio Maravilha’, o projecto humorístico idealizado para José Castelo-Branco, Alexandre Frota, Jorge Monte-Real, Cristina e Carlos Areias, e Vítor Emanuel, tem, igualmente, a sua assinatura.
A comédia é outra grande paixão de Vera Carvalho. “Gosto de escrever humor, mas, com a excepção das novelas do Francisco Nicholson, é muito difícil encontrar núcleos que o permitam fazer.” Desta forma, resta a Vera virar-se para outros formatos.
Na última quadra natalícia, a guionista escreveu o argumento para ‘Grande Natal’, o especial emitido pela SIC. No entanto, por se tratar de uma reformulação do programa emitido noutros anos, “o público, essencialmente idoso”, acabou por “não encaixar na nova fórmula. Só se riram quando o Marco Horácio baixou as calças”.
EXPERIÊNCIA CONJUNTA FALHA
Questionados sobre se gostariam de trabalhar juntos, Jorge e Vera respondem negativamente. Já experimentaram uma vez e as coisas não correram da melhor forma.
‘Aldeia Global’, da RTP 1, foi o programa em que trabalharam conjuntamente. Vera coordenava os textos, mas o marido era o realizador e, consequentemente, ocupava um lugar superior na hierarquia. E “por uma questão de feitios”, explica Vera, “não conseguia lidar com essa questão”.
Segundo Jorge, existia um problema “de independência do trabalho. A Vera não gosta que ponham em causa o trabalho dela. E eu, confesso, também hesitava um pouco”.
Vera está a preparar o lançamento de uma colecção de livros juvenis. Ainda sem título e produzido em parceria com os colegas guionistas João Matos e Raquel Palermo, a obra, segundo a argumentista, centra-se em “histórias de aventura passadas num universo mágico... e com magia, numa escrita actual e apelativa aos jovens de hoje”.
INFORMAÇÃO CHUMBADA
Jorge já esteve integrado nos quadros da SIC, mas, em 98, o canal reduziu a produção interna. A informação era a alternativa, mas o realizador rejeitou, simplesmente porque “não tenho perfil para fazer coisas muito ‘quadradas’. Recusaram-me uma licença sem vencimento e acabei por sair pelo próprio pé após o ‘Filhos da Nação’ ser retirado do ar”.
JORGE CARVALHO
Nasceu há 43 anos nas Caldas da Rainha e é realizador de audiovisual. A sua formação profissional foi feita no estrangeiro. Em 1989, finalizou o curso de cinema na Escola Francesa de Cinema, em Paris, e no ano seguinte fez formação na BBC, em Londres. Passou pela RTP e SIC, onde chegou a fazer parte dos quadros da estação.
Actualmente, trabalha para a NBP e apresenta um longo historial de realização de telenovelas para a TVI. Entre elas destacam-se ‘Nunca Digas Adeus’, ‘Anjo Selvagem’, a segunda temporada de ‘Morangos com Açúcar II’, ‘Mistura Fina’ e ‘Mundo Meu’.
VERA CARVALHO
Tem 30 anos e é natural da capital. Passou a juventude no Restelo e finalizou a licenciatura de Comunicação Social e Cultural, na variante de Jornalismo, na Universidade Católica de Lisboa, corria o ano de 1998. No entanto, é como argumentista que se afirma, estando actualmente ligada à empresa Dote.
Passou pela RTP, mas foi na SIC que o seu trabalho se tornou visível, com ‘O Olhar da Serpente’, ‘Ganância’, ‘Não Há Pai’ e ‘Crime do Padre Amaro’. Mas também já apresentou trabalho na TVI.
A primeira temporada de ‘Morangos com Açúcar’ e ‘O Clube das Chaves’, como coordenadora, são exemplos disso.
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