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O JORNAL DA RESISTÊNCIA

Dominique Vidal, chefe de redacção adjunto da edição francesa de “Le Monde Diplomatique”, está em Lisboa com mais de uma dezena de representantes de edições internacionais desta publicação. Juntaram-se ontem para fazer o ponto da situação, numa reunião anual que, este ano, coube à publicação portuguesa ser anfitriã. No encontro debateram-se várias questões, entre elas os 50 anos do jornal que vai contar com uma celebração de pompa e circunstância.
18 de Maio de 2003 às 00:02
Dominique Vidal, da edição francesa, com Sandra Monteiro, da edição portuguesa, durante o encontro
Dominique Vidal, da edição francesa, com Sandra Monteiro, da edição portuguesa, durante o encontro FOTO: Jorge Godinho
O “Le Monde Diplomatique” teve sempre uma postura bastante crítica em relação à análise e assuntos relativos ao médio Oriente. Dominique Vidal explicou ao CM que “este é um jornal de resistência, muito vocacionado para questões internacionais e, neste quadro de conflitos no mundo, debruçamo-nos muito sobre a questão do próximo Oriente”.
Em sua opinião, uma das razões, ”porque é o último grande conflito internacional que dura há mais de 50 anos e traz consequências importantes numa zona estratégica - onde estão 62 por cento das reservas petrolíferas do Planeta. A política americana conseguiu colocar bases militares em toda a região que vai do Golfe até ao Cáucaso”, adiantou. “O que potencia uma situação de possível confrontação. Não só com o Irão ou Síria mas também com a China e a Rússia no dia em que estes países tenham meios de se afirmar”.
A outra razão é, segundo Dominique Vidal, “a tragédia entre palestinos e israelitas. Ambos estão envolvidos numa escalada sangrenta que não acaba nunca. Somos pela aplicação do direito internacional em ambos os territórios”, rematou.
O jornal tem actualmente uma tiragem global de 1,4 milhões de exemplares, escritos em 17 línguas e distribuídos por 24 países e está a conhecer um novo fôlego: “Os leitores eram de uma faixa mais avançada. Actualmente os jovens estão a aderir em força revelando um crescente interesse em receber uma informação mais aprofundada por assuntos internacionais, de geo-estratégia, economia e ambiente “.
Segundo o jornalista, “só em França, em dez anos, passámos de 120 mil exemplares vendidos para os 250 mil”. Antes, “só existiam três edições estrangeiras - árabe, italiana e alemã. Hoje já temos 42, sendo metade em papel e o restante ‘on-line’”.
CELEBRAR 50 ANOS EM PARIS
Dominique Vidal adiantou ao CM alguns pormenores sobre as celebrações dos 50 anos do “Le Monde Diplomatique”, que decorrem no próximo ano, em Paris.
“É muito importante celebrarmos os 50 anos com representantes de todas as publicações ‘Le Monde Diplomatique’ espalhadas pelo mundo”, disse.
Mas a celebração não se fica pela reunião: “Haverá um grande dia de debate e festa na célebre sala parisiense La Mutualitè, no Quartier Latin”. Um evento que vai contar com personalidades de todo o mundo que se destacaram em várias áreas da sociedade (política, artes, cultura, etc..) e que em conjunto irão reflectir sobre o tema “Como desenvolver no futuro a resistência”.
“Falo da resistência aventurista americana, da resistência liberalista francesa, da resistência ao de-senvolvimento cultural, enfim, da resistência”, sublinhou o jornalista.
Dominique Vidal congratulou-se porque o dia da celebração coincide com o da assinatura do Armistício da II Guerra Mundial: “É uma coincidência feliz porque traz implícita a ideia de resistência ao nazismo alemão e ao fascismo. E resistir é uma das filosofias que o jornal abraça”.
Para encerrar o aniversário “vai ser dada uma grande recepção no Instituto do Mundo Árabe, em Paris. Um local que vai receber todas as personalidades que colaboraram ao longo dos anos, e ainda o fazem, com a publicação”.
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