D. José gostava de mulheres e era infiel à rainha. O seu ministro, Sebastião e Melo, sabia e aproveitou esses deslizes para aniquilar os inimigos da coroa. “O Processo dos Távoras” retrata um episódio macabro da nossa História e é um dos trabalhos mais notáveis de Moita Flores. Estreia, finalmente, na RTP.
Custou mas foi. “O Processo dos Távoras” estreou, um ano depois de estar concluída. Mas valeu a pena esperar por esta obra assinada por Moita Flores, nomeada na Galeria dos Favoritos do Festival de Veneza 2002.
Ao longo de 13 episódios, “O Processo dos Távoras” baseia-se no processo organizado pela Junta da Inconfidência, no século XVIII, e mostra uma cuidadosa reconstituição dos acontecimentos que conduziram a nobre família dos Távoras a uma morte sádica, devido à sua oposição à política mercantilista do Rei D. José.
Em 1758, a nobreza resistia às reformas de D. José que permitiriam a Portugal sair da miséria.
Entre as grandes famílias que se opõem a esta mudança, estão os Távora, herdeiros de uma grande fortuna. D. Francisco de Távora, que acabara de regressar da Índia onde fora vice-rei, é um claro opositor às reformas de Sebastião José Carvalho e Melo. Por causa deste ambiente de conflito, D. José sente-se incomodado por não poder visitar discretamente a nova amante, Mariana Teresa de Távoras, nora dos marqueses.
É então que Pedro Teixeira, confidente do rei, empresta a sege, mais discreta que a carruagem real, para ir visitar a amante. No regresso, D. José é vítima de um atentado que lhe provoca graves ferimentos num braço. O rei desconhecia que Pedro Teixeira andava zangado com o Duque de Aveiro por um negócio de saias e que o ataque lhe era dirigido.
O ministro Sebastião e Melo sabe, mas convence o soberano de que ele era o verdadeiro alvo, um excelente pretexto para se livrar dos Távoras e de todos aqueles que lhe fazem frente (Duques de Aveiro). Nomeia um juiz fiel, Cordeiro Pereira, para investigar o caso. Este, por sua vez, consegue a autorização do rei para elevar a nobre qualquer plebeu que dê informações sobre o ocorrido. É o princípio do fim.
Para elaborar a narrativa, Moita Flores recorreu ao parecer de um grupo de investigadores criminais que estudaram este processo à luz dos conhecimentos de hoje. Tal como explica o autor: “A série coloca-se na perspectiva do historiador ou do investigador criminal e não numa perspectiva política ou moral. Cabe aos telespectadores reflectirem sobre este episódio histórico e fazerem o seu próprio julgamento, condenando ou apoiando as acções dos intervenientes.” O actor António Cordeiro faz de rei D. José, e João Lagarto é o juiz fiel que leva os Távora ao cadafalso. Sebastião José é interpretado por João D’Ávila.
“O Processo dos Távoras” condenou 18 pessoas. D. Leonor (Fernanda Lapa) teve, à semelhança da mulher de Luís XVI, Antonieta, a cabeça cortada, uma prerrogativa dos membros da nobreza; os restantes tiveram um fim mais doloroso – quebraram-lhes os ossos das pernas dos braços e, por último, esmagaram-lhes o tórax.
Mais tarde, os seus corpos foram queimados, as cinzas lançadas ao rio e o chão salgado, de forma a nunca mais crescer erva naquele local. Para que o povo pudesse assistir ao “espectáculo” foi construído um enorme cadafalso na então aldeia piscatória de Belém (hoje um bairro lisboeta).
Apesar da violência (e veracidade) destes factos históricos, Moita Flores optou por não retratar pormenorizadamente a faceta mais brutal dos acontecimentos, para evitar chocar os telespectadores. Preocupou-se, sim, em descrever a intriga que conduziu à condenação de gente ilustre, no quadro de uma conspiração política levada ao extremo. A sua obsessão pelo realismo levou-o ainda a gravar todas as cenas em cenários reais, nomeadamente o Palácio do Correio-Mor, em Loures.
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