Prostituição, abandono escolar, violência doméstica e o mundo do vinho são os temas centrais do remake de ‘Vila Faia’, a primeira telenovela portuguesa – estreou a 10 de Maio de 1982 – que a RTP está agora a adaptar à realidade do século XXI.
Com exibição prevista para o início de 2008 (antes do final das celebrações do cinquentenário da estação pública), a nova versão da ficção escrita por Francisco Nicholson, João Alves da Costa e Thilo Krassman, a partir de um original de Odete de Saint-Maurice, promete ainda incluir telemóveis, multibanco, computadores e... Nicolau Breyner no papel, claro está, de João Godunha.
COMO SERÁ SERÁ A NOVA 'VILA FAIA'
Rui Vilhena e Joana Jorge, os responsáveis pela adaptação do texto original à realidade contemporânea, explicaram à Correio TV que “muitas coisas mudaram em Portugal nos últimos 25 anos e isso vai reflectir-se neste remake de ‘Vila Faia’”. Mesmo assim, a guionista principal do projecto manterá “um grande respeito por aquilo que foi o original. Não só pela marca que ele é na ficção portuguesa, como também por aquilo que é a memória do telespectador. É muito importante quando se faz este tipo de trabalho ter presente aquilo que são as expectativas, que, como esperamos, serão muito elevadas, uma vez que já há uma referência prévia e um carinho, uma afectividade que envolvem este projecto”, esclarece Joana Jorge.
Apesar do cuidado posto na escrita do guião, a coordenadora criativa da equipa de escrita da ‘Vila Faia’ defende que o público poderá esperar “uma novela actual, dos dias de hoje, com todas as diferenças que isso implica. Há telemóveis, há multibanco, o Muro de Berlim caiu... Há muita coisa que se alterou em termos sociais e essas alterações estarão muito presentes na novela. Mas terá como pano de fundo aquilo que era a linha de história mestra do original, por respeito ao trabalho que foi feito – porque foi bem feito – e, por outro lado, porque é isso que está presente nas expectativas do público”.
NOVELA COMO ESPELHO DA REALIDADE
A identificação dos portugueses com a história e as personagens do original dos anos 80 também foram tidos em consideração na construção do argumento. “Uma novela tem a pretensão de ser o espelho da realidade. É muito importante que as pessoas se identifiquem com os dramas dos personagens. Mesmo a questão do merchandising social das novelas, da qual se tem falado muito nos últimos tempos, no fundo, sempre lá esteve. Se nós pensarmos nisso em relação à ‘Vila Faia’ original, ele estava lá. A Mariette era uma prostituta. E o espectro que se abre quando se tem uma prostituta numa novela em 1982 tem que ser uma coisa marcadamente social. Não tinha era esse nome. Mas toda a vida as novelas reflectiram aquilo que é o dia-a-dia das pessoas, os seus dramas familiares, profissionais e amorosos, os pais e os filhos, os irmão perdidos, a mulher que não se consegue conquistar... Quer dizer, isto é um pouco transversal. E tivemos sempre em linha de conta a expectativa de uma identificação forte do telespectador com os personagens. Quer com os personagens de que se lembram mais, quer daqueles de que não se recordam”, sustenta a guionista.
RUI VILHENA
Já o autor de ‘Ninguém Como Tu’ e ‘Tempo de Viver’, que neste projecto delegou a escrita do argumento na sua equipa da ScriptMakers, prefere realçar a preocupação que a empresa especializada em escrita criativa teve durante a fase de pré-produção da novela. “ A Joana e uma equipa da Script visionaram todos os episódios e leram todos os guiões da ‘Vila Faia’. Isto para lá de todo o trabalho de pesquisa que tem sido feito em relação às tramas inseridas na história, como qualquer telenovela exige. Mas, por exemplo, houve um trabalho muito aprofundado da Joana em relação aos vinhos”, explica Rui Vilhena.
Por indicação da RTP, a cooperativa vinícola da ‘Vila Faia’ original voltará a ter um papel fulcral no desenrolar da história. Para descortinar a realidade de uma empresa vinícola e a importância que o vinho tem na sociedade portuguesa de hoje, Joana Jorge fez um longo trabalho de investigação numa adega cooperativa. Como ajuda, a RTP contratou um especialista na matéria que serve como consultor à produção da novela e já tem um acordo com uma grande produtora vinícola do distrito de Setúbal para utilizar as suas instalações durante as gravações.
O ELENCO
Em relação ao elenco, a direcção de programas da RTP apenas confirma que a SP Filmes – produtora que ganhou um concurso público que prevê a realização do remake de ‘Vila Faia’ e de outros 14 formatos a produzir – tem “uma lista de actores pretendidos pela estação que estão a ser contactados”.
Entre os desejados encontra-se, naturalmente, o protagonista da versão original, Nicolau Breyner. “A RTP tem a intenção de ter o Nicolau na ‘Vila Faia’ que está a ser produzida e o Nicolau já mostrou que tem muito interesse em voltar a vestir a pele de João Godunha. No entanto, há ainda muitas coisas a acertar para isso se concretizar”, explicou à Correio TV a subdirectora de Programas da RTP, São José Ribeiro. A responsável adianta que “se se tiver em conta as necessidades da produção e a agenda do Nicolau, tal encontro de vontades não é possível”. Mesmo assim, São José Ribeiro reitera que a estação pública está a “tentar tudo para concretizar o objectivo, pois existe uma grande vontade das duas partes. É uma questão de acertar ‘agulhas’”, avança a profissional da televisão pública.
Contactado pela Correio TV, Nicolau Breyner confirmou os contactos da RTP e o desejo de voltar ao papel de João Godunha, mas, por estar a gravar a novela ‘Vingança’ para a SIC, não quis adiantar mais pormenores sobre o assunto.
OS ACTORES
Sobre os restantes actores, São José Ribeiro adiantou que “alguns que estiveram na ‘Vila Faia’ original” fazem parte da lista entregue à SP Filmes. A responsável defende, contudo, que o processo de selecção de actores é complexo e as escolhas de determinados nomes está dependente de outros. “Por exemplo, para criar um núcleo familiar, só depois de definirmos quem vai fazer de pai é que podemos definir qual a actriz que vai fazer de mãe, e vice-versa.”
No entanto, a subdirectora de Programas da estação pública reforçou a ideia de que a integração de actores do antigo elenco não será possível em alguns casos: “É preciso ter em conta que não estamos a fazer uma sequela. Não estamos a pegar na acção e nos personagens e a transportá-los para 2007. O que estamos a fazer é um remake. E um remake implica ter as mesmas personagens e a mesma história, não é uma evolução.” São José Ribeiro dá um exemplo que ilustra o problema: “O Nuno Homem de Sá até pode vir a participar, mas nunca com o mesmo personagem que fez em 1982. Na altura ele era muito novo, agora teria que fazer um personagem mais velho.”
Com o início das gravações marcado para o início de Setembro, o processo promete ter desenvolvimentos nas próximas semanas, mas, para já, a maior preocupação da RTP é ter o guião, os cenários e os locais de filmagem garantidos. Para hoje é esperada a recepção do argumento do sétimo episódio – serão 120 no total – e, tendo por base os que já foram entregues pela ScriptMakers, a promessa de São José Ribeiro é “uma novela que não vai defraudar o telespectador. Os episódios terão 45 minutos [mais 20 do que na versão original], porque a trama terá o dobro das histórias”, adianta.
Rui Vilhena confirma a expectativa da responsável da RTP e confirma ainda que alguns dos personagens poderão vir do elenco original: “Mentiria se não dissesse que as pessoas que nos vieram sempre à cabeça foram as mesmas de há 25 anos. Mas isto porque foi necessário ver os episódios do original, foi preciso ir buscar guiões, decorar muito bem aquelas personagens.”.
Joana Jorge, por seu turno, recorda que “o leque de actores que entrou na ‘Vila Faia’ original era o melhor que havia na altura. Quem nos dera a nós ter actores do original, mas isso é algo que escapa ao nosso controlo”, confessa a guionista.
NICOLAU NO PAPEL DE JOÃO GODUNHA 25 ANOS DEPOIS
Nicolau Breyner regressa à RTP para dar vida à personagem que protagonizou na versão original de ‘Vila Faia’.
“HAVERÁ NOVAS PERSONAGENS”, Rui Vilhena (director artístico), 46 anos
‘Vila Faia’ foi um sucesso em 1982. O êxito pode repetir-se?
Quando nos envolvemos num trabalho esperamos sempre que tenha êxito. O nosso foco tem que ser nesse sentido. Agora, na realidade, nunca se sabe. Tudo indica que sim, mas pode não acontecer. Na primeira ‘Vila Faia’ só havia um canal. Agora há mais canais, há a televisão por cabo... A oferta é muita.
Recorda-se da versão original?
Não, na altura nem estava em Portugal.
O seu papel neste projecto é o de director artístico. Foi opção sua entregar a escrita à equipa da ScriptMakers?
A Joana Jorge é a responsavel directa pelo projecto, mas há outros guionistas que trabalham ligados a ela. O meu trabalho é supervisionar todas as linhas, pontos e vírgulas... No fundo, certificar que o projecto está a correr bem. A Script tem vários projectos de momento e é preciso uma pessoa que esteja a coordená-los.
O que muda neste ‘remake’?
A história levou um ‘facelift’.Por isso, o número de personagens não será o mesmo. Haverá novas personagens para dar sustento a novas tramas e outras, que não seriam tão importantes, acabam.
PROTAGONISTA DE 'FLORIBELLA'
LUCIANA ABREU PODE ENTRAR
Luciana Abreu, a protagonista da novela juvenil da SIC, ‘Floribella’, é uma candidata a dar vida a uma personagem na nova versão de ‘Vila Faia’. A jovem, de 22 anos, revelou que depois de concluídas as gravações de ‘Floribella’ tem já agendados outros projectos. “As gravações acabam em Dezembro ou Janeiro, mas não vou de férias, porque tenho outras coisas para fazer”, referiu Luciana Abreu, recusando-se a entrar em pormenores. “Vou ter de provar a minha capacidade de trabalho como actriz, cantora e dançarina, para o ano, num novo trabalho, que já está na mira, mas, repito, não posso falar”, sublinhou. Miguel Belo, agente da actriz, não desmentiu a notícia avançada há três semanas pelo Correio da Manhã: “Não posso dizer se é verdade ou mentira. A Luciana está a trabalhar para a SIC. Não sei o que vai acontecer para o ano.” A RTP não comentou esta possibilidade.
NÚMERO E DURAÇÃO DOS EPISÓDIOS
100 episódios de 25 minutos.
120 episódios de 45 minutos.
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